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30 de julho de 2012 por marimessias

FISL 13

Semana passada rolou o  13o Fórum Internacional do Software Livre em Porto Alegre. Reconhecidamente um dos maiores eventos do tipo na América Latina, o FISL pode ser usado como uma boa maneira de medir em que pé andamos em diversos sentidos.

Uma das coisas que mais chamou minha atenção foi a quantidade de palestras que partiram do pressuposto de que muitas coisas já mudaram ou estão mudando no mercado mundial.

Antes que alguns vocês comecem a bancar os céticos blasé, é importante tentar compreender que não existe mercado capaz de sobreviver alheio ao mundo no qual está inserido.

E pra ajudar a ver nosso momento atual dentro do todo, logo na abertura o Rick Falkvinge, fundador do Partido Pirata, traçou um panorama histórico de algumas dessas mudanças.

Um exemplo clássico (que o Lessig também adora usar) é a relocação da indústria cinematográfica para a Califórnia, que rolou com o intuito de evitar as cobranças (abusivas, dizem) do Thomas Edison, inventor  do cinetógrafo. Sem isso, possivelmente, o cinema não teria feito o percurso próspero que fez até nossos dias.

Esse, e todos os outros exemplos do Rick, falam de uma história que nem sempre conhecemos, onde os direitos civis e de criação vivem em luta de poder constante contra monopólios. E é por isso que ele acredita no potencial brasileiro dentro desse novo mercado. Para Falkvinge estamos muito a frente do resto do mundo nessa adaptação e bons exemplos são quebras de patentes farmacêuticas e o próprio Marco Civil.

Claro, está longe de ser perfeito, mas já estamos andando. Da pra notar isso pensando em termos bem práticos: ainda que role um certo retrocesso, o Brasil foi um dos primeiros países do mundo a ter políticas públicas de software livre. Acha que é besteira? Pois então saiba que o PIB do México cresceu uns 3% na última década. Se eles adotassem o SL por lá (e nem precisaria ser como regra), estudiosos dizem que o PIB cresceria uns 2%. Só nisso.

Um dos grandes problema presente em todos os tipos de mudança é o gap geracional. Quando um comportamento vai substituindo o outro, sempre tem gente que não acompanha e olha com desconfiança. Fica com medo de perder a comodidade alcançada. Mas, né, a vida é mudança constante (e se fosse diferente provavelmente teria outro nome, tipo ensino formal). Essas são aquelas pessoas que dizem que ciberativismo não existe, que a pirataria quer acabar com o direito autoral e que idealismo é viver fora da realidade.

Mas se acalmem, é só uma mudança, não é uma invasão zumbi. Uma mudança que aponta para um mercado mais diluído, descentralizado, com menor carga de trabalho e maior valorização de bens imateriais. Mas só mais uma mudança, no final.

Uma mudança que poderia ser bem representada pelo que disse Amir Taaki, jovem co-fundador do Bitcoin, ao explicar que o mesmo não é um sistema de pagamentos, já que não envolve a necessidade de dinheiros governamentais. E isso é bom porque o usuário pode pagar somente pelo que acredita: é possível investir em um hospital sem financiar uma guerra.

Fato que ganha ainda mais relevância quando notamos que, como disse o Rick Falkvinge, são nossas ações, não nossos discursos, que preenchem o mundo de significado.

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