Representatividade criativa: 6 vozes que inspiram diálogos inclusivos

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A busca por inclusão descortina cenário potente para repensar a criatividade no Brasil

por Mayra Fonseca capa Híbridos

Em 2015, a peça “A Mulher do Trem” da companhia Os Fofos Encenam, apresentada em São Paulo no Itaú Cultural, recebeu críticas nas redes sociais porque os atores usavam técnicas de blackface, ou seja, maquiagem que atores brancos usam para interpretar negros de forma caricata. O movimento foi tão grande que fez com que o espaço substituísse em sua programação a peça pela série de debates Diálogos Ausentes, sobre o lugar do negro na arte, e criasse o seu primeiro Comitê de Ações Raciais.

Na possibilidade de representar e incluir pessoas que até então não ocupam o seu merecido lugar em campanhas e projetos, há bastante desafio. Justamente por ser tão desafiador, é também cenário potente para repensar a criatividade no Brasil.

Em uma crescente onda de falências de modelos econômicos e comportamentais, não cabe mais falar só por falar — ou criar sem considerar a dimensão ética de toda ação estética.

Diversidade, gênero, alimentação, periferia, espiritualidade e ecologia tem sido alguns dos principais temas do mercado criativo brasileiro nos últimos anos. Para quem enxerga oportunidade nesse contexto, é fundamental compreender que, mais do que ter um discurso inclusivo, é preciso ter uma prática inclusiva, aproximando-se de pessoas que vivem essas realidades ainda pouco representadas.

Na busca por inspiração, selecionamos 6 projetos e profissionais que estão imersos na pesquisa criativa de temáticas que extrapolam zonas de conforto — de olho neles 👀

NoBrasil e a criatividade afrobrasileira

Diane Lima é diretora criativa da plataforma NoBrasil, mestranda em semiótica pela PUC SP e criadora do AfroTranscendence, um festival que reúne pesquisadores e criadores ao redor das temáticas de criatividade por e para afrobrasileiros. Seu trabalho é de práticas de diversidade que abrangem comunicação, linguagens artísticas e inovação. É uma das curadoras da Mostra Diálogos Ausentes do Itaú Cultural.

Iacitatá e a alimentação originária do Norte

Tainá Marajoara nasceu na Ilha do Marajó, no Pará, e dedicou-se a estudar alimentação originária: modos de cultivo e preparação de alimentos que contemplem o respeito integral à natureza, incluindo os produtores. Está à frente, junto ao seu parceiro e cozinheiro Carlos Ruffeil, do ponto de cultura Iacitatá, em Belém do Pará. Mais do que um restaurante slow food, é um ponto de encontro entre produtores locais e pesquisadores das culturas da Amazônia.

“Consumo Popular” e as favelas nas grandes cidades

Antropóloga com mestrado e doutorado em consumo, Hilaine Yaccoub é pesquisadora de temas relacionados ao acesso a bens e serviços em favelas cariocas e periferias das grandes cidades do país. Professora e colunista de vários veículos, publica no blog Teias do Consumo e, em 2015, lançou o livro Consumo Popular.

Coletivo 65/10 e a a mulher na propaganda

Thais Fabris é uma das fundadoras — junto a Maria Guimarães e Larissa Vaz — do Coletivo 65/10. O principal objetivo do grupo é diminuir o machismo na propaganda e questionar o papel das mulheres nas empresas de criatividade e inovação por meio de consultorias e oficinas para marcas. Em 2016, estiveram à frente de diversos debates sobre linguagens mais justas em torno de gênero, por exemplo a Conferência GP.

Projeto Híbridos e a musicalidade no Brasil

A documentarista e pesquisadora Priscilla Telmon e o cineasta Vincent Moon desenvolvem desde 2014 o Híbridos, um projeto multimídia para compartilhar entrevistas, curtas e um longa metragem resultante da imersão em mais de 80 rituais que envolvem música e espiritualidade no Brasil. Está previsto para 2017 o lançamento da plataforma digital do projeto, que será uma biblioteca com textos e pesquisas.

Ailton Krenak e os debates ambientais

Ailton Krenak é líder indígena, ambientalista e escritor. Nascido no Vale do Rio Doce, em Minas Gerais, é conhecido como um filósofo brasileiro para temas como ecologia e educação. Foi um dos pesquisadores convidados pela 32a Bienal de São Paulo para compor debates sobre criatividade e o pensamento indígena.

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Selecionamos 6 projetos e profissionais que estão imersos na pesquisa criativa de temáticas que extrapolam zonas de conforto — de olho neles 👀

NoBrasil e a criatividade afrobrasileira

Diane Lima é diretora criativa da plataforma NoBrasil, mestranda em semiótica pela PUC SP e criadora do AfroTranscendence, um festival que reúne pesquisadores e criadores ao redor das temáticas de criatividade por e para afrobrasileiros. Seu trabalho é de práticas de diversidade que abrangem comunicação, linguagens artísticas e inovação. É uma das curadoras da Mostra Diálogos Ausentes do Itaú Cultural.

Iacitatá e a alimentação originária do Norte

Tainá Marajoara nasceu na Ilha do Marajó, no Pará, e dedicou-se a estudar alimentação originária: modos de cultivo e preparação de alimentos que contemplem o respeito integral à natureza, incluindo os produtores. Está à frente, junto ao seu parceiro e cozinheiro Carlos Ruffeil, do ponto de cultura Iacitatá, em Belém do Pará. Mais do que um restaurante slow food, é um ponto de encontro entre produtores locais e pesquisadores das culturas da Amazônia.

“Consumo Popular” e as favelas nas grandes cidades

Antropóloga com mestrado e doutorado em consumo, Hilaine Yaccoub é pesquisadora de temas relacionados ao acesso a bens e serviços em favelas cariocas e periferias das grandes cidades do país. Professora e colunista de vários veículos, publica no blog Teias do Consumo e, em 2015, lançou o livro Consumo Popular.

Coletivo 65/10 e a a mulher na propaganda

Thais Fabris é uma das fundadoras — junto a Maria Guimarães e Larissa Vaz — do Coletivo 65/10. O principal objetivo do grupo é diminuir o machismo na propaganda e questionar o papel das mulheres nas empresas de criatividade e inovação por meio de consultorias e oficinas para marcas. Em 2016, estiveram à frente de diversos debates sobre linguagens mais justas em torno de gênero, por exemplo a Conferência GP.

Projeto Híbridos e a musicalidade no Brasil

A documentarista e pesquisadora Priscilla Telmon e o cineasta Vincent Moon desenvolvem desde 2014 o Híbridos, um projeto multimídia para compartilhar entrevistas, curtas e um longa metragem resultante da imersão em mais de 80 rituais que envolvem música e espiritualidade no Brasil. Está previsto para 2017 o lançamento da plataforma digital do projeto, que será uma biblioteca com textos e pesquisas.

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Ailton Krenak é líder indígena, ambientalista e escritor. Nascido no Vale do Rio Doce, em Minas Gerais, é conhecido como um filósofo brasileiro para temas como ecologia e educação. Foi um dos pesquisadores convidados pela 32a Bienal de São Paulo para compor debates sobre criatividade e o pensamento indígena.

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