A troca entre arte e a vida: convites para um melhor 2019

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por Fabio Lafa Tradução Fabio Lafa

Com o ano começando, estamos ainda aquecidos com o espírito do recomeço e com a velha lista de resoluções em mãos. E com um mundo “novo”, as várias entregas que temos ao mesmo (e curto) tempo, mudanças na economia que ainda aguardamos e um um Fla-Flu na orientação política dentro e fora de casa, achamos por bem compartilhar uma matéria muito interessante da Fast Company sobre o que podemos nos atentar para que atravessemos os próximos 12 caóticos meses mental e fisicamente saudáveis – porque nessa transição precisaremos mesmo. E longe dos votos padrão de sempre nas colunas de celebridades, vários artistas levantaram uns pontos bem importantes. Separamos 10 deles para essa conversa (que precisa se estender ao círculo de conversas de vocês):

 

Steven Soderbergh, diretor de filmes:

“Eu não ligo em cometer erros e falha em alguma coisa, só não quero continuar insistindo no mesmo erro. A questão é sobre ficar esperto na intersecção entre seus interesses e interesses das outras pessoas”.

 

Janelle Monáe, atriz e cantora:

“Uma das minhas maiores forças é que eu não tenho medo de dizer não. Eu não curto que pessoas mandem em mim. Tenho uma visão forte, e qualquer empresa ou parceiro que queira trabalhar comigo deve ir de encontro com meu propósito: alinhar cultura, redefinir cultura e levar cultura adiante”.

 

Ruth E. Carter, costume designer

“Você precisa acreditar em si próprio. Quão maior o filme, mais especialistas vão aparecer com ‘você não deveria fazer desse jeito – é assim que fazemos por aqui’. Mas eu acredito em mim. Essa é a minha maior lição, que eu tenho uma voz e que posso me basear nisso. E enquanto eu tiver suporte, posso fazer coisas boas com a minha arte”.

 

Barry Jenkins, diretor de cinema

“Eu não sou uma mulher. James Baldwin não é uma mulher. E ainda mais [If Beale Street Could Talk, drama de temática racial gravado em 2018] é dominado por mulheres. É contado sobre um ponto de vista feminino. Então toda vez que as atrizes tiverem uma sugestão ou um pensamento que elas tenham muita certeza, eu tenho que rever meu ego de diretor e ouvir”.

Jessica Williams, comediante e co-apresentador do podcast 2 Dope Queens

“A maior lição que aprendi sendo hétero, membro do White Guys Club perceber isso me fez questionar o que é a minha voz e o que eu trago pra mesa. Se eu pudesse falar com o meu eu-jovem, eu diria: ‘permaneça fiel com o que é importante e autêntico para você’. Não olhe para esquerda nem para a direita, somente foque no que está fazendo – sua arte sua arte ajeita o resto para você'”.

 

Tyler, The Creator, rapper and producer

“Meu lance é explorar. Essa curiosidade, pessoas perdem isso, porque pensam que elas sabem de tudo”.

 

A$AP Ferg, rapper

Opiniões podem ser a morte para você. Se eu ligar para o que as pessoas pensam, então eu não estaria aqui. Eu fui ridicularizado minha vida toda, um monte de pessoas não me entendia porque eu acho que elas nunca viram alguém como eu. Mas quando você vem da quebrada, o autêntico não é legal – eles temem o que não entendem. Eu só tive que acreditar em mim mesmo o bastante para entender que o que eu estava fazendo estava certo”.

 

Questlove, baterista da banda The Roots

“[O componente chave sobre criatividade] que eu acho que muitas pessoas não tem nos dias de hoje, é o silêncio. Isso é muito, muito importante – ficar em um lugar isolado, quieto onde você pode ouvir seus pensamentos. Quando nós estamos entediados, nós pegamos nossos telefones e buscamos gratificação instantânea. Eu abraço a idéia de ficar entediado e simplesmente ficar sentado. É assim que as melhores idéias vem até você.”

 

Paul Feig, director séries de sucesso como Sabrina Aprendiz de Feiticeira:

“A maneira de se recuperar de qualquer grande contratempo … é avançar. Porque se isso atrapalhar sua ambição, então você provavelmente não deveria estar fazendo isso. Todas as pessoas bem-sucedidas que eu conheço no show business ou em qualquer outro negócio são apenas orientadas, motivadas, motivadas e não vão aceitar um não como resposta”.

 

Lauren Mayberry, vocalista da banda de synth-pop  Chvrches, da Escócia:

“Eu tive um professor de canto que me disse uma vez, ‘sua voz é 60% emoção, 40% técnica’. E ele disse que essa é a força da minha voz. Você não pode conduzir sua emoção para fora disso, e substituir com técnica. Tudo é sobre encontrar o equilíbrio, ser capaz de fazer o que precisa para expressar a emoção”.

 

Logo, o que podemos tirar daqui: o processo de ser bem sucedido, os movimentos de sair do fluxo absurdo de informações, do assédio das pessoas (sendo você um artista, empresário ou provedor da sua casa ou o mais requisitado do grupo de amigos) e da falta de tempo se faz necessário para se ouvir. Só se chega a algum lugar quando se entende propósitos e papel no mundo ao seu redor. Temos muito o que fazer, e de cabeça cheia não sairá nada. Confiemos em nós e nas nossas apostas, que tudo vai dar certo. Complicou muito no meio do caminho? Volta aqui pro Ponto Eletrônico, te ajudaremos de alguma forma. Um ano de resultados pra todos!

 

 

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