A confiança e o poder da autoinfluência

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Entendendo que o fim da visualização de likes mudou as métricas do engajamento, o que podemos fazer (e cobrar) na nossa relação com as empresas que passam por nossa timeline? E mais além: elas também começam a fazer algo por nós.

por Fabio Lafa

Após a prévio aviso sobre a retirada da visualização dos likes no Instagram, todo o mercado foi afetado – funções e funcionalidades, parceiros e parcerias, fluxo e principalmente o propósito na experiência dos usuários foi transformada. Sendo para fins recreativos ou profissionais, todos recebemos um convite para algo ainda maior: na mecânica da influência, repensar nosso papel na construção de um ambiente online onde toda a atividade faça sentido e mova pessoas para inspirações de bem coletivo e que essa energia se estenda à atividade empresarial durante seu exercício de oferta de produtos e serviços.

Já conversamos uns tempos atrás sobre o cuidado na interpretação de vida perfeita que é mostrada. Dentro do figurino, sorriso e figurino perfeitos se alojou uma busca por muitas vezes nociva pelo tal engajamento. Evoluímos o discurso, entendendo toda a massa de dados que geramos e principalmente, como ela é negociada. E por bem dizer, o produto de nossa atividade e endosso a discursos e tendências – nós aqui na Box, inclusive. A partir dessas questões pudemos canalizar nossos olhares para o ato e efeitos da influência e todos seus detalhes e, vive-se o momento de nos enxergar de fato ao rolar nossa timeline. Claro que, esse enxergar que me refiro é o reflexo de nossas inspirações e posicionamento sociais, políticos e comportamentais. Mas tem frentes que supreendentemente estão levando isso ao pé da letra.

 

O Swapp

Em parceria entre Microsoft e o London College of Fashion, no último mês de junho os estudantes de moda foram convidados a expandir as possibilidades na fusão da moda e tecnologia, visando novos patamares a ser alcançados para o mercado, agentes criadores, publicitários e o varejo de moda. Com opções para produtos mais reaproveitáveis para moda fitness, um projeto de provador virtual que utliza dos óculos HoloLens e o Kinect, um projeto chamou a atenção: uma nova utilização do DeepFake, a inteligência artificial que inclui diálogo e troca rostos e áudio de vídeos, já bem utilizada pelo exército criador de memes no mundo, para que o rosto das pessoas fosse inserido em campanhas publicitárias de moda. Ou seja: em uma propaganda de uma marca qualquer, o rosto dos modelos seja substituído pelo SEU.

Já temos também algumas discussões das possibilidades das tecnologias de reconhecimento de face mas, isso junto da teoria de Internet das coisas e uma necessidade de discursos mais inclusivos na comunicação de redes sociais como o Instagram por exemplo, tem-se aí uma grande intensão de uma comunicação de publicidade norteada para tal. Segundo as criadoras Helen Wang Joanna Lanceley, esta tecnologia tem potencial para ser difundida de forma massiva, em forma de posts promocionais e GIFs e, pelo fato de podermos por exemplo ver nossos rostos em um anúncio de publicidade de 20 segundos no Instagram tem uma força emotiva imensa. É uma ação de inclusão das pessoas e uma evolução no processo de construção de imagem de uma marca, e todos esses nossos anseios em reconhecer a empatia das marcas nos discursos de seus consumidores (geração Z que diga!). O exercício da aplicação da tecnologia do Swapp vai obviamente ser melhorado pela inteligência artificial e, não nos assustemos que não só os rostos, mas as formas físicas das pessoas estão nos planos de melhoria do projeto. Olha isso:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Influência dos colaboradores

O varejista de beleza e vestuário ASOS curou uma equipe global chamada ASOS Insiders – selecionando colaboradores para promover lançamentos de produto e dando dicas de estilo- que compartilham códigos de produto e links usando uma hashtag #ASOSInsiders.”Não apenas vivemos e respiramos nossos clientes – somos nossos clientes”, segundo pronunciamento oficial da marca. “O melhor exemplo disso é o ASOS Insiders. Pessoas estilosas de vinte e poucos anos que trabalham para a ASOS exibem seus últimas compras no Instagram e oferecem dicas de estilo para nossa comunidade de seguidores globais.Tal é o seu alcance que a marca relata que seus 25 Insiders têm até agora alcançado um coletivo de 1,1 milhão de seguidores on-line, e quase 18 milhões de engajamentos de clientes foram retirados de seus posts.

O (real) engajamento ao redor do mundo

Para converter todas essas ações, as marcas precisam se atentar à fatores regionais também. Hoje os grandes varejos locais tendem a tomar suas ações pontuais baseados nas grandes premissas das holdings e, isso pode não funcionar de forma homogênea em todas as suas praças. Um recente estudo da Trendwatching Asia, apontou que quase 63% dos consumidores dos grandes centros de Índia, China e Coréia do Sul simplesmente abandona a marca ao surgimento de algum posicionamento fora dos valores dos clientes ou uma experiência de compra abaixo do esperado – o que faz bastante sentido em uma atmosfera social onde a confiança e principalmente a segurança é primordial. No lado Ocidental do planeta, 31% dos consumidores britânicos também rompem seu fluxo de consumo com marcas que apresentam alguma falha em sua política de dados mas acabam por voltar a consumir alguns meses depois. Os americanos são os menos atentos a isso, formando uma massa de evasão no consumo de 18%.

Podemos traçar um parâmetro em cima desses números. No Ocidente, temos uma atividade publicitária baseada em outros pilares, onde o consumo é diretamente ligado a status social; logo, erros de posicionamento pelas marcas, mesmo afetando em primeiro momento os valores da população tendem a se “dissipar” mais rapidamente e, ao visualizarmos um link patrocinado com um influencer famoso vendendo um mood de riqueza, status, corpos sarados e vida boa, nós normalmente clicamos na loja virtual e fechamos algum pedido. Por osmose, nós aqui no Brasil seguimos pontualmente essa carruagem.

 

O mais importante aqui é, enquanto massa de consumo, aproveitarmos esse momento de mudança de ritmos dessa dança que é a influência, e entendendo agora um pouco mais sobre o “poder” que cada um possui ao alimentar as empresas com nossos dados, check-ins e likes, para que tenhamos em devolutiva uma participação mais incisiva na construção de missão e os valores das empresas. Os boicotes às marcas tão presentes no nosso dia a dia uns 5 anos atrás perdem potência quando não pensarmos estrategicamente sobre a massa de dados que geramos – ela andando em paralelo com nossos valores, gera uma resposta muito mais efetiva ao cobrarmos posicionamento de uma marca ou, o fortalecimento de criação de uma outra, se for o caso. Temos aí a oportunidade de um protagonismo maior ainda para nos cercar de produtos e serviços que acreditamos, e consequentemente falaremos bem aos nossos amigos.

E falando em influência, fique bem atento nesse mês de setembro, pois falaremos mais sobre os possíveis novos passos em lindo estudo em parceria com a YouPix. Até semana que vem!

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