Ta rolando um projeto muito legal no Kickstarter, de um documentário em forma de jogo sobre, é, jogos. Life Of Pixel é um jogo de plataforma retrô que tem como protagonista um pixel verde que cansou de ser só mais um e resolveu descobrir mais sobre seu passado. O jogo tem 72 levels e, bom, da uma sacada nesse teaser abaixo e ajuda lá.
Foi criado recentemente um emulador de SNES (Super Nintendo) que roda direto do navegador. Sim, minha gente, agora você pode jogar novamente clássicos como Super Mario World, Mortal Kombat, Aladdin e The Legend of Zelda (além de outros 1857 jogos – incluindo todos os jogos de Sailor Moon) a hora que quiser! E o melhor: ainda há a possibilidade de jogar online com um amiguinho.
Se você não agüenta mais de vontade pra começar a jogar, clique aqui. Mas atenção: O SNESbox é (mais) um risco para sua produtividade. Depois não diga que não avisei.
Não é sugar, é saga, e se tornou o aplicativo número um no Facebook e o queridinho das lojas de app pelo mundo. Até na Antártica se joga.
Então… O começo da brincadeira é bem atraente e inclusivo. Em primeiro lugar, é um jogo que praticamente qualquer um já conhece. Ainda assim, há um tutorial tão didático que chega a ser bobo. As cores brilham como se você tivesse 3 anos de idade. Você está em um conto de fadas! O mundo inteirinho é feito de guloseimas, e vozes suaves estimulam cada passo certo que você dá. ~ Divine!
Passado o momento fofura, vem as primeiras frustrações. Os desafios tem um ritmo instigante. Cada episódio é arquitetado no mapa apenas com o passar do tempo. E por alguns minutos (ou dias!) você esquece que está em Las Vegas e que o destino aqui é um mero algoritmo. Jogos de sorte, ainda que a gramática tente dizer ‘jogos de azar’, possuem esse poder alienante. Sabemos disso mas esquecemos, pois é alienante.
Ironias de lado, gera-se um mal-estar. Mas o mal-estar é sempre aliviado pela excitação que garante que agora ‘eu aprendi a fazer’. Até porque sua performance efetivamente melhora com o andar da carruagem de marzipã. Para agravar o quadro, em alguns momentos, o jogador é forçado a acreditar que a única forma de continuar no jogo é comprando recursos de luxo a preços estúpidos. Fica a pergunta: o que é menos pior? gastar o meu dinheiro ou o meu tempo? Saiba que algo vai ser gasto.
Como tem se falado no mundo real, a vida é o que acontece enquanto você joga Candy Crush. Mas para equilibrar o comportamento anti-social, há uma relevante camada social inserida no jogo, detalhadamente executada pela King. Quem tem mais amigos ativos no jogo não precisa, por exemplo, pagar para andar de trem ou avião. O big picture da jornada também gera um senso de cumplicidade e saudável competitividade entre os companheiros de batalha.
Mas para compensar qualquer desgosto e conflito social, lembre-se que apesar de estimular o vício em açúcar, este é um lugar raro no mundo. Aqui, você pode errar quantas vezes for preciso, o tempo corrige tudo e suas conquistas são suas para sempre. Você nunca morre, apenas ajusta o relógio do celular e segue adiante.
Com propostas bem diferentes das atuais, dois novos consoles prometem balançar o mundo dos games (e do trio de gigantes Microsoft, Sony e Nintendo).
O primeiro, OUYA, foi financiado pelo Kickstarter e só estará disponível nas lojas em Junho. Mas quem pagou pra ver pronto, no site, já está recebendo o seu. O grande lance do OUYA é que ele é totalmente aberto, atendendo a um público de gamers cada vez maior (e quase completamente esquecido).
Por ser totalmente aberto (ele roda em Android), o OUYA permite que qualquer pessoa possa produzir conteúdo, que tu possa hackear e personalizar teu próprio console e, inclusive, se tu quiser mudar as cores/design, eles disponibilizaram o blueprint para impressoras 3D.
Um dos problemas atuais desse queridão é que ele é mais próximo de um smartphone do que de um videogame como conhecemos. Segundo o The Verge, ainda que rode todos os jogos de Android, a maioria é feita para jogar na tela do smartphone. E ninguém quer ficar jogando Angry Birds na TV, né.
Claro, com esse tipo de abertura, podemos também ser positivos e esperar uma avalanche de games indie queridíssimos. E foi isso que eu escolhi fazer. Heheheh.
Outra coisa bem direta é o controle, que não usa o já clássico A, B, X, Y (no lugar rola um OUYA, onde o A vira o B e já posso ver todo mundo saindo do jogo quando queria pular).
O console, que custará APENAS U$99, foi criado pela Julie Uhrman (IGN) e tem design do Yves Béhar.
O segundo, que ficou conhecido pela alcunha de caixinha do Steam (ou Steam Box, pros americanizados), atende agora pelo nome de Piston.
O anúncio de que a caixinha não tem mais nenhuma relação com a Valve, que pagou pelas fases iniciais de desenvolvimento, frustrou muita gente. O que rola é que estamos acostumados a esperar grandes inovações da Valve, mas esquecemos de pensar que esse rompimento vai ter muitos pontos positivos. Um deles é que ela rodara outros serviços de games, como Origin e Gaikai (ou seja, mais aberta e universal no seu conteúdo).
Alias, fontes secretas dizem que a Valve estaria desenvolvendo seu próprio Steam Box. É esperar pra ver.
Claro, pelo preço (U$999) vai ter gente preferindo continuar com sua Steam Box caseira, (que é basicamente ligar o PC na TV). Mas, além desse tipo de configuração ser restrito ao pessoal mais fanático, a caixinha não foge da ideia de console, que é ter um computador foda só dedicado aos games. E agrega mais alguns valores, como portabilidade.
Pelo milhão de entradas na parte traseira do console, notamos que, obviamente a caixinha pode ser usada como um “centro de entretenimento”. Mas quem precisaria de mais entretenimento que jogos com gráficos foda saindo de uma caixa minúscula? Ai vocês, ein.
De toda forma, além de serem visualmente muito similares, quase minimalistas, tanto a OUYA quanto o Piston são frutos do Kickstarter (ainda que o Piston tenha fracassado). E ambos tentam fugir do modelo atual onde console é console. Rodando Android ou Windows, a abertura tem tudo para favorecer todos que gostam de games e, como tal, são viciados em novidades.
(e os que, como eu, estavam meio frustrados com os lançamentos da próxima geração).
Nosso amigo Yusanã Mignoni fez um belo TOP 5 de dicas do que comprar na super promoção de jogos independentes do Steam e não resistimos em dividir com vocês. Pra quem se interessou mas não sabe bem por onde começar, sugerimos o documentário Indie Game. Aproveitem!
A Steam está com uma baita promoção até dia 29 nos seus jogos indies e eu, como entusiasta do gênero, resolvi fazer essa listinha de recomendações. Jogos indies são legais, baratos, não poluem o meio ambiente e te fazem uma pessoa melhor. Só coloquei jogos que eu realmente joguei e gostei, nada de “ouvi dizer que é bom”. Segue lá:
Já recomendei antes. Comprei, comecei a jogar às sete horas da noite e só parei às três horas da manhã, depois de ter terminado o jogo e o epílogo. Foi uma experiência tipo misturar cocaína com LSD. Recomendo.
É um jogo incrivelmente difícil, roguelike puro – daqueles que se morreu tem que começar tudo de novo. Rolou tipo o que aconteceu com o Hotline Miami: um amigo me apresentou no domingo e eu joguei a segunda feira toda até terminar (obviamente tirando um print da tela final pra mostrar minha superioridade já que eu tinha terminado o jogo e ele ainda não). O melhor é que a vontade de jogar ainda não passou porque o jogo vai abrindo novas naves e novas armas. Replay value do caralho.
Nunca morri tanto num jogo. E admito que este é um jogo que ainda não consegui chegar nem perto de terminar. Roguelike maldito com tantas maneiras de jogar que o seu cérebro dá um nó. Estou com um personagem no sétimo nível da dungeon há duas semanas e tenho medo de carregar o save, morrer e ter que começar de novo.
Também de dungeons, mas o foco nesse aqui são os (magníficos) puzzles. É um dos mais desafiadores jogos desta lista. Tem que jogar fazendo anotações e estar sempre preparado pra cair numa armadilha e ser currado por aranhas gigantes.
Ok, depois de 4 recomendações de jogos difíceis, um packzinho com os jogos do gênero mais bonito que já existiu: adventurespoint and click. Achei o Botanicula meio infantil (apensar de bonito) e o Samorost 2 é curto, mas o Machinarium é uma das maiores obras de arte dos últimos anos.
É isso.
Yusanã Mignoni é colaborador eventual do Ponto e amante de jogos, especialmente os independentes (e um queridão).
Lembra do pai que criou um patch para sua filha jogar Donkey Kong com a Pauline? E da Anita Sarkeesian, com seu estudo sobre o papel das mulheres nos games?
Inspirada nos dois, Kenna W. criou sua própria versão de Legend of Zelda que, finalmente, traz Zelda como protagonista (indo resgatar o Link, e não o contrário).
O artista Caleb Barefoot criou essa série de posters minimalistas de jogos (e eu tive que dividir porque estou mega viciada em Borderlands 2). Tem vários outros no site.
A maior parte das garotas que curte game fica meio de cara com essa história de o Mario estar sempre resgatando princesas.
Uma dessas garotas é a filha de Mike Mika, que pediu para jogar o clássico Donkey Kong de um jeito diferente: no lugar de usar o encanador para resgatar Pauline, ela queria que Pauline resgatasse o Mario.
Então Mike criou o “DK Pauline” patch e disponibilizou pra quem quiser jogar. Bora aproveitar.
Anita Sarkeesian é uma jovem feminista que usa seu canal no Youtube, o Feminist Frequency, para comentar a retratação das mulheres na cultura pop. Ao analisar filmes, séries de TV, livros e – claro – publicidade, Anita apresenta uma perspectiva dura e realista sobre a cultura machista e sexista ainda existente, que muitas vezes passa despercebido pela maioria de nós.
Por cutucar a ferida e representar a voz das mulheres, Anita Sarkeesian sofreu milhares de violências, como ameaças de morte e de estupro. Até desenvolveram um jogo para saciar um pouco os impulsos violentos dos bullies e haters, que possibilita dar uma surra de cliques na foto da feminista, criando marcas, feridas e hematomas.
Veja o vídeo da sua palestra no TEDxWomen 2012 para saber mais:
Mas ela não se deixou abater: Como grande fã dos videogames, seu novo projeto consiste em analisar como as mulheres são representadas nos jogos, pontuando os diversos estereótipos de personagens femininos. A ideia (construida) de que videogame é “coisa de menino” já afastou muitas mulheres dos consoles.
Para produzir esse projeto, chamado Tropes Vs. Women in Video Games, ela recorreu a um site de financiamento coletivo. Em menos de 24h do lançamento no Kickstarter, a meta de 6 mil dólares foi atingida. No fim, o projeto conquistou impressionantes 160 mil dólares!
Confiram o primeiro vídeo do projeto, postado ontem a noite:
Questionar as representações de gênero que vemos na mídia tem uma importância tremenda para a sociedade. Por isso, no dia da mulher não dê (ou espere) flores, mas perpetue o respeito batalhado por nós todos os dias.