Comportamento Comunicação Design
07 de maio de 2013 por andre

Brand Thinking: por que nos definimos através das coisas?

“A versão moderna da introspecção é a soma total de escolhas altamente individualizadas que fazemos sobre o conteúdo material de nossas vidas.”

Na semana passada a escritora, educadora e designer Debbie Millman relançou um livro que vale a pena comentar. Brand Thinking and Other Noble Pursuits é um ensaio provocador sobre a íntima relação do sujeito contemporâneo com os bens materiais, uma dinâmica segundo a qual o sentido da vida está psicologicamente ligado ao que consumimos, das roupas aos livros.

Em um primeiro nível, a proposta do livro é interessante porque o tema é extremamente atual. Apesar de tantas discussões sobre propósito, elevação e até o começo de uma era pós-consumismo, também nunca vimos tantas marcas se associando à felicidade e à realização. A obra traz alguns conceitos pertinentes para a discussão, como:

“A razão pela qual continuamos a reatualizar a imagem de tantas coisas é o fato de que somos uma espécie com um incessante apetite por reafirmar os sentimentos de segurança e nostalgia que objetos antigos nos trazem. Ao mesmo tempo, também possuímos um desejo eterno de injetar uma novidade que nos seduza a um engajamento contínuo com a experiência.”

Debbie fez um extenso trabalho investigativo sobre a relação do homem com produtos e o surgimento da cultura da marca. Para isso, entrevistou especialistas de diferentes áreas do pensamento para gerar uma análise crítica mais profunda e heterogênea. Os nomes entrevistados por ela são a segunda razão para prestar atenção no livro: o escritor e crítico cultural Daniel Pink – autor do sensacional A Whole New Mind, do qual já falamos aqui; o blogueiro, autor e guru da tecnologia Seth Godin; o jornalista e autor de best-sellers Malcolm Gladwell; e Dori Tunstall, antropóloga e designer conhecida por sua lucidez no estudo da criatividade e na visão do design como ferramenta da democracia.

Para encerrar, um quote provocador do Malcolm Gladwell sobre escolhas materiais como sinônimos de atos políticos:

Nossas escolhas materiais não são mais algo trivial. Elas estão entre as escolhas mais importantes que fazemos. E elas possuem consequências que vão muito além dos nossos próprios sujeitos – elas possuem consequências globais. Consequências na nossa economia, na comunidade em que vivemos. Quando você come um hamburger do McDonald’s, você está dando um voto para um certo tipo de agricultura e para um determinado cenário climático. De certa forma, tudo que fazemos representam escolhas de um certo tipo de mundo. 

[...]

As coisas que as pessoas decidem mostrar inevitavelmente geram um tipo de inércia. Em um mundo no qual dispomos de recursos extraordinariamente eficientes de comunicar e exibir, a pergunta ‘quem é você?’ torna-se incrivelmente complicada. Acredito que marcas sejam parte disso. Quando você se cerca de determinados tipos de objetos, eles se tornam uma declaração pública de quem você é. 

via brainpickings

5 comentários para Brand Thinking: por que nos definimos através das coisas?

  1. Utyo Oliveira disse:

    Bacana a dica! Por favor, vocês sabem Qual é a diferença dele para a edição de outubro de 2011? Valeu! Abreijos,
    Utymo

    • andre disse:

      Oi Utymo,
      boa pergunta! pelo que entendi, o livro foi relançado, mas já estou em busca dessa resposta. assim que souber, aviso. =)

      • André disse:

        Oi Utymo,
        troquei emails com a Debbie e ela me contou que são apenas diferenças de formato [hardcover, etc]. É um relançamento mesmo. Valeu pela dica! =)

  2. Dica bacana. Por favor vocês sabem a diferença desta edição para a edição de outubro de 2011? Valeu

    http://www.amazon.com/Brand-Thinking-Other-Noble-Pursuits/dp/B007SLO546/ref=sr_1_3?ie=UTF8&qid=1367940096&sr=8-3&keywords=Brand+Thinking+and+Other+Noble+Pursuits

    Abreijos Utymo

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