Auto-trolling como forma de blindagem

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Quando reconhecer a imperfeição implica em desmistificar o jogo imaculado que circula nas timelines

por Eduardo Biz

Seja em filtros de Instagram ou em status editados nas redes sociais, vivemos em um mundo onde a imagem pessoal é lapidada com tamanho esmero que pouco sobra de sua essência verdadeira. O estímulo à autopromoção é cada vez mais explícito, ao mesmo tempo que a busca pela perfeição se torna entediante e pouco autêntica.

Quando todos estão habituados a apresentar a melhor versão de si e tentar agradar ao maior número de amigos ou seguidores, reconhecer a imperfeição passa a ser valorizado como prova de autenticidade e autoconfiança.

Jennifer Lawrence, uma das estrelas mais carismáticas de Hollywood.
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Jennifer Lawrence discurso

Saber rir de si mesmo é saber que ninguém está acima do ridículo. Nessa lógica, a auto-trollagem é uma forma libertadora de desmistificar o jogo de imagens imaculadas que circulam nas timelines da vida.

Selfies imperfeitas: Lorde, no auge de seus 17 anos, publica fotos suas com espinhas. A aparência natural, geralmente apontada pela mídia como defeito, para a cantora é motivo de orgulho. Ela ataca antes de ser atacada.

Auto-trolling for business

Para marcas e corporações, o Smart Trolling permite uma postura mais libertária e interessante do que o empoeirado “Olimpo das Marcas Aspiracionais”. A Pepsi foi pioneira nesse pensamento, quando lançou sua campanha Pode ser?, em 2010.

Ninguém tem certeza absoluta se os perfis sociais da Dolly são oficiais ou não.
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O browser Internet Explorer fez 50 milhões de pessoas se arrepiarem com seu discurso nostálgico dos anos 1990. Quem vai conseguir reclamar do pior navegador do mundo depois de assistir a esse vídeo?

O serviço de streaming de música Spotify incorporou a atitude nonsense e a devoção dos jovens à música como tema da comunicação. Os filmes são sempre em primeira pessoa, e o tom de self-joke serve como um retrato de todos nós.

No Brasil, o estilista Fernando Cozendey tem caído no gosto de mulheres como Fernanda Lima, Gaby Amarantos, Céu e Vanessa da Mata. O que chama a atenção no seu trabalho, além da destreza de lidar com um tecido tão complicado como a lycra, são as criações permeadas por um humor escrachado.

Fernando Cozendey

Rir de si mesmo é assumir que, em algum momento, você também é motivo de piada para alguém. É rir da própria foto antes de apontar o dedo para o perfil ao lado. É sair do pedestal, descer do salto, revelar fraquezas e, assim, conquistar empatia.

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Seja em filtros de Instagram ou em status editados nas redes sociais, vivemos em um mundo onde a imagem pessoal é lapidada com tamanho esmero que pouco sobra de sua essência verdadeira. O estímulo à autopromoção é cada vez mais explícito, ao mesmo tempo que a busca pela perfeição se torna entediante e pouco autêntica.

Quando todos estão habituados a apresentar a melhor versão de si e tentar agradar ao maior número de amigos ou seguidores, reconhecer a imperfeição passa a ser valorizado como prova de autenticidade e auto-confiança.

Saber rir de si mesmo é saber que ninguém está acima do ridículo. Nesta lógica, a auto-trollagem é uma forma libertadora de desmistificar o jogo de imagens imaculadas que circulam nas timelines da vida.

Para marcas e corporações, essa postura abre espaço para um posicionamento mais libertário e interessante do que o empoeirado “Olimpo das Marcas Aspiracionais”. Rir de si mesmo é assumir que, em algum momento, você também é motivo de piada para alguém. É rir da própria foto antes de apontar o dedo para o perfil ao lado. É sair do pedestal, revelar fraquezas e conquistar empatia.

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TaTa Top

O TaTa Top é um top de biquíni com desenhos de mamilos no lugar dos mamilos reais, disponível em três cores que imitam diferentes tons de pele. É um questionamento bem humorado de por que os seios femininos são considerados imorais e passíveis de censura.

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