Mother! — Representações astrológicas de Câncer e Leão

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Quais seriam os signos das personagens do filme de Darren Aronofsky? Para responder, olhemos para seus divergentes processos criativos

por Denise Carvalho

Mother! é um filme denso, cansativo e que incomoda. Por isso muito foi dito a respeito. É verdade que há muitas chaves de leitura, afinal a arte nunca entrega um significado pronto, nós é que damos significados a ela, a partir da nossa história, nossas memórias, nosso arcabouço.

O filme de Darren Aronofsky pode ser uma reflexão doce e brutal sobre a criação, e é sobre isso que falaremos aqui. O exercício proposto será elaborar os acontecimentos do filme por um viés astrológico — quais seriam os signos das personagens principais do filme? Para responder, olhemos para seus divergentes processos criativos.

Jennifer Lawrence caracteriza o mais puro arquétipo do signo de Câncer — A Mãe, sem nome, mulher do fim (e do começo) do mundo. Seu marido, interpretado por Javier Bardem, é O Poeta, apaixonado, libertário, selvagem, assim como Leão. Na Astrologia, Câncer e Leão são signos adjacentes, tão diferentes um do outro que, em alguns casos, o resultado é uma fortíssima atração (tanto positiva quanto negativa). Ambos têm a ver com processos de criação — no entanto, cada um retrata o ato criativo de maneiras diferentes.

A Mãe — Câncer

Carolina Espinosa

Câncer é um signo frequentemente associado a dramas, lágrimas e muita melancolia. Porém, Câncer é carne viva, é o Coração do Mar. João Acuio, o astrólogo à frente do Saturnália, assina um texto sobre o signo de Câncer em que descreve o que o caranguejo realmente é: uma força da natureza, doce, mas revolta — exatamente como o “papel de mãe” é representado no filme.

Câncer vive grande parte de sua vida dentro de sua carapaça. No mundo concreto, essa casca protetora pode ser uma casa, um lugar físico, ou um outro espaço-tempo. Ter seu espaço invadido é algo especialmente angustiante para este signo tão defensivo. A Mãe e a casa são uma coisa só, assim como Câncer e sua concha. Ambos buscam se proteger contra as hostilidades do mundo e sentir o que seu coração tem a dizer.

No filme, o que a personagem mais quer é poder criar, nutrir e dar a vida a um lar, um casamento, um filho. No entanto, isso é constantemente negado à personagem, que precisa de muita resistência para conseguir concretizar sua criação. Sua força está na infinita capacidade de doar seu sangue, coração e delicadeza a um homem que carrega o “fardo” da criação nas costas, ainda que que isso se torne um fardo para ela própria, mostrando assim uma outra faceta da natureza canceriana: aquilo que muitos chamam de passividade, na verdade é paciência e compreensão. É, ao mesmo tempo, belo e angustiante ver até onde A Mãe é capaz de ir por aquele que ama. Porque, no fim, tudo que Câncer deseja é nutrir o mundo — esta é sua grande criação, mesmo que isso leve a sua própria autodestruição.

O Poeta — Leão

Carolina Espinosa

Leão é um signo imponente, majestoso, identificável com uma citação de Shakespeare em Henrique IV: “Uneasy lies the head that wears the crown” (em português, “pesada sempre se encontra a fronte coroada”). Os leoninos assumem para si a responsabilidade de serem grandes criadores, e, portanto, passam por constantes revoluções interiores. A necessidade incessante de aplausos nada mais é do que uma maneira de ser recompensado por ter finalmente transformado suas tempestades internas em algo belo, importante e nobre.

Já diz o Tarot que para se tornar rei (ou imperador) é preciso antes ter as bases internas muito bem estruturadas, para que a necessidade de expressar-se e reinar soberano não se torne o completo caos visto no filme. O conflito do Leão encontra-se no ego, que nasce tão frágil e precisa se fazer forte a partir da aprovaçäo do outro, criando assim uma falsa sensação de autossuficiência e poder. A dor que o rei carrega é a dor de tornar-se quem se é para que finalmente se possa ser quem se é. O grande desafio leonino é vencer as batalhas contra seu próprio ego frágil e transformar-se num grande rei, inspirado e inspirador. É por isso que o processo de criação do Leão é tão intenso e, muitas vezes, cruel.

No decorrer do longa, o espectador é levado a um universo inconstante e angustiante vez que nos é apresentada toda a intensidade que circunda essas duas energias tão conflitantes. Mother! intercala luz e sombra, velado e expresso, solitário e coletivo, ou seja, caracteriza de forma poética e dramática o intercâmbio que se dá entre Fogo (Leão) e Água (Câncer), ambas forças que criam e destroem na mesma intensidade, nos mostrando que aquilo que criamos pode tanto iluminar vidas quanto arruiná-las.

O Poeta é uma força de natureza solar, diferente da forma de ser lunar da Mãe. Ele encanta e aquece, mas também resseca e queima. Enquanto a lua conforta e acalma com seu brilho indireto, o sol ilumina e destrói com sua luz intensa.

As relações de dependência emocional que substituem as relações de cooperação, têm consequências apocalípticas. O Leão, ferido pelo passado e pela incapacidade de produzir, encontra em Câncer o conforto e a cura para sua disritmia criativa.

Somente no breve momento em que a cooperação entre os dois existe é que o Leão e o Caranguejo conseguem conceber suas obras-primas: um poema transformador e uma nova vida.

A aprendizagem que podemos levar é que Câncer precisa apropriar-se de sua vida e aprender a hora de oferecer sua força maternal, seu útero gerador de forma equilibrada. Leão precisa acessar sua própria fonte de luz interior e domesticá-la, evitando sua autodestruição.

Versão resumida ×

Quais seriam os signos das personagens principais do filme Mother!, de Darren Aronofsky? Para responder, olhemos para seus divergentes processos criativos.

Jennifer Lawrence caracteriza o mais puro arquétipo do signo de Câncer — A Mãe, sem nome, mulher do fim (e do começo) do mundo. Seu marido, interpretado por Javier Bardem, é O Poeta, apaixonado, libertário, selvagem, assim como Leão. Na Astrologia, Câncer e Leão são signos adjacentes, tão diferentes um do outro que, em alguns casos, o resultado é uma fortíssima atração (tanto positiva quanto negativa). Ambos têm a ver com processos de criação — no entanto, cada um retrata o ato criativo de maneiras diferentes.

Câncer vive grande parte de sua vida dentro de sua carapaça. No mundo concreto, essa casca protetora pode ser uma casa, um lugar físico, ou um outro espaço-tempo. Ter seu espaço invadido é algo especialmente angustiante para este signo tão defensivo. A Mãe e a casa são uma coisa só, assim como Câncer e sua concha. Ambos buscam se proteger contra as hostilidades do mundo e sentir o que seu coração tem a dizer.

No filme, o que a personagem mais quer é poder criar, nutrir e dar a vida a um lar, um casamento, um filho. No entanto, isso é constantemente negado à personagem, que precisa de muita resistência para conseguir concretizar sua criação. Sua força está na infinita capacidade de doar seu sangue, coração e delicadeza a um homem que carrega o “fardo” da criação nas costas, ainda que que isso se torne um fardo para ela própria, mostrando assim uma outra faceta da natureza canceriana: aquilo que muitos chamam de passividade, na verdade é paciência e compreensão. É, ao mesmo tempo, belo e angustiante ver até onde A Mãe é capaz de ir por aquele que ama. Porque, no fim, tudo que Câncer deseja é nutrir o mundo — esta é sua grande criação, mesmo que isso leve a sua própria autodestruição.

Leão é um signo imponente, majestoso. O conflito do Leão encontra-se no ego, que nasce tão frágil e precisa se fazer forte a partir da aprovaçäo do outro, criando assim uma falsa sensação de autossuficiência e poder. A dor que o rei carrega é a dor de tornar-se quem se é para que finalmente se possa ser quem se é. O grande desafio leonino é vencer as batalhas contra seu próprio ego frágil e transformar-se num grande rei, inspirado e inspirador. É por isso que o processo de criação do Leão é tão intenso e, muitas vezes, cruel.

O Poeta é uma força de natureza solar, diferente da forma de ser lunar da Mãe. Ele encanta e aquece, mas também resseca e queima. Enquanto a lua conforta e acalma com seu brilho indireto, o sol ilumina e destrói com sua luz intensa.

A aprendizagem que podemos levar é que Câncer precisa apropriar-se de sua vida e aprender a hora de oferecer sua força maternal, seu útero gerador de forma equilibrada. Leão precisa acessar sua própria fonte de luz interior e domesticá-la, evitando sua autodestruição.

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