Evolução: Outras propostas para você e para o mercado em relação ao ASMR

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por Fabio Lafa Ilustração Denis Freitas

Umas semanas atrás, falamos sobre algumas teorias de áudio ambisônico, batidas ou sons binaurais no papo sobre a música em 8D que tomou as redes sociais; fato é que por trás da “mágica” ilusória de uma música que causa sensação de andar por dentro de nossas cabeças, temos teorias e aplicações. E seguindo os resultados obtidos com experimentos de gravação de áudio em dois canais nos anos 80, e a expansão perceptiva horizontal e vertical através de softwares a partir do começo dos anos 2000, a terminologia foi caminhando para a tal Resposta Sensorial Meridional Autônoma, a tradução literal para o ASMR. E dentro disso tudo, os estudos e os pontos de vista, a mais fiel e básica das definições se volta para algo que é estranho de se ouvir, mas que causa uma sensação muito boa! Todos os sons gravados (arranhadas, estalos, sopros – chamados oficialmente de gatilhos) tem uma ativação rápida nos receptores cerebrais e a produção dos hormônios de satisfação:

Fonte: ASMR Universitity

Claro que o fruto dessas pesquisas precisavam de algum lugar para chegar até nós de alguma forma e, na segunda metade dos anos 2000 nada mais eficaz e abrangente como o YouTube para fazê-lo, através daqueles vídeos de abrir e fechar de tesouras, pentear de cabelos e fricção em texturas diferentes – provavelmente já presentes na sugestão da sua timeline. E, desde o começo dos artigos a respeito, existe uma ainda presente guerra em tornar um viral de cultura pop em algo de embasamento científico. Mexendo com sensações, ainda temos o crivo da experiência empírica e do impacto desses estímulos no indivíduo, que acaba sendo bem peculiar e pessoal. Pensar em um pincel de maquiagem passando por cima de uma mesa de madeira pode propiciar uma sensação relaxante ou uma coisa extremamente irritante para duas pessoas expostas no mesmo momento. Permaneça com suas impressões em mãos, mas não deixe de considerar o desenvolvimento, curadoria e reunião de conteúdo desenvolvidos pela ASMR University que dão o lastro e seriedade necessários e por bem dizer, quem busca os conceitos além do que é compartilhado nos vídeos.

Além da comunidade científica, é muito interessante o despertar no marcado

O mercado entendendo a procura, contribuiu de formas diversas. Exemplo disso é o canal do YouTube da Revista W Magazine, que convidou celebridades para de fato estimular as sensações, como a atriz Gal Gadot e Jeniffer Garner, e a rapper Cardi B.

A absorção da idéia pelo mercado se deu justamente na veia do sensitivo. Todos sabemos que a experiência sensorial ajuda o cérebro do consumidor na percepçao de qualidade e agregação de valor nas marcas e, claro que buscar diferentes formas de abordagem e fugir um pouco da famosa “bela campanha estritamente voltada para linha de produtos” pode trazer efeitos muito positivos nos dias de hoje (sim, vamos repetir esse mantra!)

E falando em em estímulos visuais…

 

ASMR visual????

Mesmo a experiência originalmente envolvendo audio sim, existe. E de forma tão genial, a exemplo da gigante e multi-negócios alemã BASF. Dentro da divisão de cores para o mercado automotivo em parceira com foam Studio, que é um laboratório de tendências nas artes visuais; resultando no projeto Keep it Real, trazendo uma sequência de formação de moléculas, movimentos de texturas e claro – cores. Assista em alta resolução se possível, é de travar a cabeça.

Outro bom exemplo também é o da IKEA, veterana na área moveleira da Suécia que teve uma incrível sacada, através da reprodução de uma das sensações que mais amamos: o movimento de barulho de lençóis. Em um pouco mais de 25 minutos, uma locução narrando os movimentos de dobra e arrumação de camas, e o visual dando todo o contexto de conforto e bem estar. DIFÍCIL, não gostar.

 

 

Focando no psicológico

Vamos combinar: as formas que utilizamos de nos comunicar mudaram e, por consequência as nossas respostas comportamentais. Esse mar de vídeos sobre ASMR atenderam também uma parte da população mundial com dificuldades de interação social, onde os simples atos de emissão de som e pequenos movimentos, como abrir um pacote de snacks tem também a função de aproximar pessoas que apresentam essas dificuldades. As vozes femininas, que tem essa característica de aproximar o interlocutor são quase que 100% presentes nesses vídeos, e junto dos ruídos suaves, de fato relaxam. A gama de vídeos para relaxamento é grande e, 15 minutos de audição desse conteúdo já dá uma bela aliviada nessa pressão – é relaxamento dos mais variadas formas! Até o mercado da indústria pornô utiliza muito bem disso. Os mais interessados vão rapidamente encontrar… chegando também numa bifucarção, do exercício de estímulos simples do cotidiano que tira toda a complicação que encontramos hoje em dia em relaxar versus a atenção para não dependermos exclusivamente dos recursos tecnológicos para encontrar essa mesma fonte de relaxamento, utilizando também do relacionamento interpessoal (fica aí a discussão para a fórmula mais equilibrada!) ou seja: enquanto estamos todos dentro desse mar de tarefas para entregar, junto de uma agenda tomada depois das 18:00 pelas “imperdíveis” happy hours com o pessoal do escritório, com os clientes e o pessoal da pós, precisamos relaxar, simplesmente. Mas talvez o simples dormir até tarde no final de semana não ajude muito, talvez traga uma sensação de alívio momentâneo – e aí seja o indício que o cansaço mental voltou a te visitar. Talvez com falta de tempo na agenda para exercícios físicos ou um momento de introspecção, precisemos atacar esses sintomas de forma definitiva, logo não exitem em utilizar desses recursos para melhorar seu bem estar nesse período de final de ano, onde estamos em fase de renovação. Seja vendo ou ouvindo, por favor: fiquem tranquilxs.

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