Invista como uma garota: A introdução

Por que vamos e precisamos falar de dinheiro?

Qual é a primeira coisa que vem à cabeça quando pensamos em dinheiro? Aqueles boletos no fim do mês? Ganhar na loteria? Que você gostaria de ganhar mais? A fatura do cartão de crédito? Nadar em uma piscina de notas igual ao Tio Patinhas? Quando pensamos em dinheiro, geralmente  pensamos em uma situação desagradável ou algo distante e que parece inalcançável, mas dinheiro é um conceito maior que isso tudo e ao mesmo tempo menor do que isso também – praticamente qualquer escolha que fazemos é uma decisão financeira. Está no nosso dia a dia, não existe uma pessoa que você conhece que não lide com dinheiro e que não tenha que tomar decisões com ele todos os dias. Por isso precisamos aprender a falar sobre ele em suas mais diversas formas, isso precisa virar rotina, precisa virar conversa de bar, de casal, deixar de ser tabu.

Uma ótima forma de entendermos que falar sobre dinheiro é essencial é ter consciência de que dinheiro nunca é um assunto isolado, nunca falamos de dinheiro pelo dinheiro (ou, pelo menos, não deveríamos). Dinheiro nada mais é do que o nosso passaporte para termos condições de ter coisas e adquirir serviços. Simples assim. É claro que o significado disso para cada um é singular, e é por isso que é extremamente importante você fazer essa reflexão para ter consciência do que é importante pra você. Quanto mais alinhadas as nossas decisões financeiras estiverem com o que realmente é importante pra nós, mais felizes somos.

Gastar sem ter absolutamente nenhum planejamento ou priorização, então, não é simplesmente “torrar dinheiro”. São trocas, é escolher algumas coisas e experiências em detrimento de outras, outras que inclusive costumam ser (bem) mais importantes do que aquelas com as quais gastamos de forma impulsiva e irresponsável. É essa visão que precisamos exercitar, essa pergunta, sobre qual é a troca que fazemos quando tomamos uma decisão com nosso dinheiro. “Estou deixando de fazer o que para poder pagar por isso? Essa troca faz sentido?” Quanto mais nos acostumarmos com esse mindset, mais conscientes e tranquilas serão nossas escolhas. Como diz o planejador financeiro e colunista do New York Times Carl Richards, “é fácil falar ‘não’ para algumas coisas quando temos um ‘sim’ muito forte para outras dentro de nós”. É fácil dizer não pra 4 blusas novas quando sabemos que o preço delas corresponde à passagem da viagem de final de ano. E falar sobre dinheiro não é só sobre gastar, não. É sobre negociar salário, pedir aumento, saber dizer não (“não posso gastar muito com isso agora, vamos comprar algo mais barato?” ou “vamos jantar em casa ao invés de irmos nesse restaurante?”, “vamos ver Netflix hoje ao invés de irmos ao cinema?”), sobre ter coragem pra ser vulnerável e compartilhar quando você estiver passando por uma fase mais apertada para ter mais colaboração de quem é próximo de você, saber quanto o(a) namorado(a) ganha e conversar sobre o quanto cada um pode gastar no barzinho ou na viagem, sobre saber o que é prioridade e o que não é, sobre o que realmente te faz feliz.

Falar sobre dinheiro, então, nada mais é do que falar sobre a sua vida. E quando passamos a olhar dessa forma, assuntos que antes pareciam distantes passam a ficar mais interessantes e próximos do nosso dia a dia. O que parecia que era só pra quem tem mais tempo, mais conhecimento ou mais dinheiro, passa a ser para você. Precisamos encurtar as distâncias e falar tanto sobre o preço do suco na hora do almoço do trabalho ou do drink no sábado à noite, quanto de como escolher um bom investimento e até à vontade de ter filhos um dia. Adivinha só, todas essas são decisões que passam (muito!) por dinheiro.  Mas cá entre nós, tem coisa melhor do que fazer escolhas conscientes pra você poder viver o que você realmente sonha?

A gente tem certeza que não, não tem.

Então não se preocupe: Fique leve e não se culpe caso você esteja agora com uma sensação de que devia ter começado a pensar sobre tudo isso mais cedo, deveria ter investido e etc. Quase ninguém faz isso espontaneamente e desde cedo. Agora vamos olhar para a frente. Só de estar se conscientizando sobre tudo isso e buscando ter uma vida financeira mais saudável fazendo boas escolhas, você já está começando a entrar no caminho certo e está melhor que a maioria dos brasileiros. Vai ficar tudo bem, você só precisa de autoconhecimento, autocontrole, objetivos claros e boas estratégias que vão te ajudar. E nós estamos aqui pra te apoiarmos com isso!

 

Versão resumida ×

Exibir texto integral

Comente

Mudando de assunto...

Teste de limites: subvertendo a noção de gosto

Smart Trolling

Muitas vezes, o bom gosto determina a forma como as marcas se comunicam com o público — entretanto, hoje vemos a ascensão de uma nova tendência visual, que dá importância à subversão do que é considerado aceitável.

Pós-capitalismo e o consumo como statement

Lowsumerism

Em um mundo com menos dinheiro, mas mais tempo e mais acesso ao conhecimento, os valores não permanecem, nem poderiam permanecer, os mesmos. No lugar de bolsas com imensas estampas de marcas e, indiretamente, imensos indicativos de seus preços imensos, passamos a procurar empresas que estampem coisas com as quais realmente nos importamos. O consumo como statement aponta para consumidores que sabem o peso político de tudo que compram.

As novas economias e suas possibilidades de fluxo

Microeconomias

Para nos libertarmos de um modelo econômico que destrói a natureza e nos afasta de toda e qualquer conexão significativa, temos que nos livrar de suas premissas. A liberdade não reside na escolha de consumo nem de produção, mas na escolha de como fazê-los. O campo social pós-Internet mostra que, ao interagirmos na rede da economia colaborativa, ampliamos as possibilidades de fluxo, não só de informação mas também de recursos.