O ano de 2018 destrinchado em videoclipes

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por Fabio Lafa

Vamos então elencar alguns acontecimentos que não passaram batido pela música. Alguns vídeos aqui irão de encontro com as primeiras posições das paradas sucesso, mas não é essa a proposta. Temos bandas e artistas bem fora dos highlights mas, que trataram de pautas aquecidas esse ano. Sem ordem de relevância, passaremos por alguns videos – ou ficaremos por aqui dias. Vamos lá:

Kendrick Lamar ft. SZA – All the Stars

Fato simples: Artistas envolvidos para exaltação à cultura afro no mundo todo, em varias formas de arte. No Grammy e no Oscar, a expectativa é altíssima para a trilha sonora de Black Panther, curada pelo coletivo e selo TDE, o qual Kendrick Lamar faz parte.

Drake – God’s Plan

O astro Drake reúne cenas de várias comunidades simplesmente doando dinheiro para produção do vídeo (cerca de US$ 996 mil). Lindo de se ver, e acordando a melhor das qualidades do ser humano, o altruísmo. As redes sociais responderam muito automaticamente com bons gestos ao próximo e vários memes e chequem a hashtag #inmyfeeligs no Instagram, onde literalmente o mundo inteiro dançou. O ano não acaba tanto nesse espírito dado a uma discussão levada pelo ego com Kanye West (que fez das suas o ano inteiro). Os hits de Drake no final das contas: Filantropia ou manobra para gerar comentário? Ou mais além: estaríamos vendo o fim da ostentação financeira dos artistas como algo legal?

E falando de postura e papel da classe artística na sociedade…

Childish Gambino – This is America

NADA MAIS ATUAL. A música, o rap, a ilusão da vida no Instagram, tudo foi colocado pra repensarmos os caminhos. E Donald Glover deve dividir com Kendrick os prêmios no Grammy, certamente.

gv.grace – Fuck Golf

A crítica à supremacia econômica e racial, através de um esporte classista como o golfe. Existe uma versão sem cortes também no Vimeo (entendeu que é sem cortes, certo?)

Ok, todos adoram – mas agora o K-Pop que falar em dinheiro

Após todos os flashes, os altos números nas plataformas digitais, o K-Pop evolui de aposta para mercado, com alcance em âmbito global de forma muito tranquila. Com suas super produções nos vídeos e shows e com posições já conquistadas na Billboard americana e britânica, em 2019 aguardaremos números ainda mais impressionantes das boy bands sul-coreanas.

BTS part. Nickyr Minaj – IDOL

MC L Da Vinte e MC Gury – Parado no Bailão

O Boom do funk das quebradas no streaming nacional, e a continuação na expansão pro mercado global. Só no Spotify, são mais de 400.000 plays por dia.

Greta Van Fleet – When The Curtain Falls

A volta do Queen às paradas de sucesso graças ao filme Bohemian Rhapsody
Alguns destaques como lovelytheband, continuação da pauta “Rock é musica de tiozão?” no Braincast em 2017 e logicamente, o show de Roger Waters no Allianz Park em São Paulo

Saúde mental: a importância e os cuidados

Artistas do rap vivendo como rock
stars. Quais os perigos de dificuldades financeiras do nada virarem milhares (às vezes milhões) de dólares na mão de jovens que mal chegaram aos 25 anos? O aumento nos casos de suicídio em meio aos jovens artistas nos chama atenção à necessidade de cuidarmos todos de nossa saúde mental. Infelizmente tivemos casos:

Mac Miller

XXX Tentation

Artistas brasileiros, prontos para fazer barulho – no pop brasileiro e na world music

Os artistas Iza e Rincón Sapiência nos atentaram aos seus talentos que podem tranquilamente, tocar em qualquer palco do mundo. E levando o que temos de mais fiel ao nosso legado da massa de jovens brasileiros nas periferias:

Iza part. Rincon Sapiência – Ginga

The Carters – APE$HIT

A vida imita a arte; e o mundo se espelha em Beyoncé e Jay-Z. Como locação de um vídeo o Museu do Louvre em uma ópera em três atos.

E pra onde vai o Pink Money?

Discussão interessante. Representantes do pop que de forte alcance na comunidade LGBTQ+ flertando com relações e financiamento proveniente de instituições conservadoras, nos colocaram pra pensar em representação e mais que isso, consumo de cada fã, que vai contra valores expressamente contra as pautas da comunidade. Entre amor e ódio, temos uma divisão de opiniões na questão:

Anitta – Não perco o meu Tempo

O futurismo extremamente representado (e útil)

Mais do que falar de dados e interatividade e de toda a parte teórica, temos um ponto aqui. Cada ser humano, enquanto parte desse universo, entende de fato sua parcela de contribuição para formatação da massa de dados que alimenta as decisões das grandes empresas? E em cima disso, temos real ciência do impacto de nossos likes quando essas decisões que afetam mercado e consumo são tomadas? E sim, a provocação (ainda bem) vem através da arte, em sua melhor função de impacto em todos nós.

Janelle Monáe – Dirty Cumputer

Tantas pautas, não? Nós aqui na Box 1824, continuaremos pegando pontos talvez não explorados da maneira devida com todos vocês – sejam público ou corporações – por acreditarmos eternamente que a preparação para novas realidades é impetrante. Em 2019, continuem se perguntando se os caminhos traçados são os mais adequados. E nesse trajeto de questionamento, nós como cientistas culturais chegaremos a conclusões juntos, com a maior das satisfações. Nos vemos anos que vem!!

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