#ProudAtWork: Orgulho no trabalho, orgulho do trabalho

#PROUDATWORK é uma campanha do grupo LGBT Tech BR, formado por profissionais LGBTQ++ de diversas empresas de tecnologia (Facebook, Google, Twitter e LinkedIn são algumas delas), que decidiram compartilhar suas histórias para ajudar a aumentar a visibilidade e o debate sobre os profissionais LGBTQ++ em todos os níveis hierárquicos de trabalho.

A convite do LGBT Tech BR, Laura Kroeff, nossa V.P, colaborou com a campanha escrevendo um artigo que gostaríamos de compartilhar para ampliar ainda mais essa iniciativa e convidar todes a participarem também.

#ProudAtWork: Orgulho no trabalho, orgulho do trabalho

Aos 18 anos, dois episódios marcantes aconteceram na minha vida: um na esfera profissional e outro na pessoal. Eu iniciei o meu primeiro estágio e dei o meu primeiro beijo em uma pessoa do mesmo sexo. Acontecimentos que – teoricamente – não teriam uma relação direta acabaram se cruzando quando, ao término do beijo, a segunda coisa que veio às nossas cabeças foi: “devemos guardar segredo, pois isso pode nos fazer perder oportunidades profissionais”. Se você ficou curioso(a), o primeiro pensamento foi: “devemos guardar segredo, pois isso pode afetar nossas vidas pessoais”. Temíamos que, na esfera profissional, empresas poderiam não desejar ter profissionais homossexuais interagindo com seus clientes. Já na esfera pessoal, o receio era que, se ainda tivéssemos vontade de ficar com homens, muitos poderiam não querer se relacionar com uma mulher que já houvesse tido experiências homossexuais.

Até os 26 anos, tanto minha posição profissional quanto as fofocas em torno da minha sexualidade já tinham ganhado visibilidade no ambiente de trabalho – especialmente devido ao fato de eu viver naquela época em Porto Alegre, uma capital relativamente pequena e onde o mercado publicitário inteiro parecia se conhecer. Quanto mais eu trabalhava, mais eu me destacava profissionalmente; ao mesmo tempo, quanto mais eu me destacava, mais cresciam no ambiente de trabalho as brincadeiras de mal gosto e as especulações sobre minha vida privada. Por esse motivo, hoje eu posso afirmar que, com certeza, sofri muito preconceito – mesmo porque inexistiam políticas de diversidade e códigos claros de conduta nas agências de publicidade daquela época. Mas eu não diria que tenha sofrido discriminação; ou seja, apesar do meu receio, não acredito ter perdido nenhuma oportunidade profissional em função da minha orientação sexual. Hoje também tenho consciência que isso comprova a minha posição de privilégio (pois nasci branca e dentro de uma família de classe social alta) em relação à maioria da população LGBTQ++ brasileira que, certamente, não vivencia prejuízos apenas emocionais em suas trajetórias, mas também educacionais, profissionais e muitos outros.

Ter orgulho de quem eu sou e da empresa onde trabalho me permitiu atingir todo o meu potencial como profissional.

Aos 27 anos, eu já estava trabalhando em uma grande agência de publicidade em São Paulo. Mas foi somente aos 28 que minha carreira realmente decolou e me tornei diretora de planejamento estratégico de uma das consultorias de tendências mais premiadas e inovadoras do mercado, onde pude realizar inúmeros projetos de destaque, incluindo estudos internacionais para grandes marcas globais. Na Box1824 encontrei um ambiente acolhedor, que me ajudou a me assumir homossexual e fechar aquela fissura aberta 10 anos antes. Finalmente senti que voltei a ser uma pessoa única, integrando o que eu sou no meu ambiente profissional e na minha vida pessoal. Ter orgulho de quem eu sou e da empresa onde trabalho me permitiu atingir todo o meu potencial como profissional. Entendo que o que torna a Box1824 uma empresa tão favorável às pessoas LGBTQ++ não é apenas o respeito e a representatividade dessa população na sua liderança desde a sua fundação (embora isso ajude muito!). O principal motivo está na busca de diversidade da equipe como combustível para a inovação dos estudos que desenvolvemos e dos trabalhos que entregamos.

A inovação esperada das empresas após a Revolução Tecnológica acabou deslocando a discussão sobre diversidade do departamento de RH para o centro dos negócios.

Hoje, com 38 anos, ocupo uma das vice-presidências da Box1824 e, nesta posição, tenho o privilégio de acompanhar uma verdadeira revolução na pauta de diversidade dentro das grandes empresas do país. A percepção que apenas times diversos são capazes de criar soluções para uma sociedade extremamente heterogênea finalmente ganhou escala no ambiente corporativo. A inovação esperada das empresas após a Revolução Tecnológica acabou deslocando a discussão sobre diversidade do departamento de RH para o centro dos negócios. Não é à toa que as companhias mais valiosas do mundo hoje são empresas de tecnologia – as quais também, não por acaso, têm as políticas mais avançadas de diversidade no ambiente de trabalho. Um sinal claro desse cenário foi o fato de eu ter recebido o convite para escrever este artigo do LGBT Tech, um grupo LGBTQ++ de empresas de tecnologia.

20% da geração Z não se considera exclusivamente heterossexual – mais que o dobro das gerações anteriores

Pois bem, se os argumentos que times diversos criam mais inovação ou que um ambiente seguro incentiva as pessoas a atingirem o máximo do seu potencial profissional não foram suficientes, você precisa ouvir mais um alerta. Acabamos de lançar o maior estudo sobre Geração Z (nascidos entre 1995 e 2010) já realizado no Brasil – em parceria com a McKinsey – e descobrimos que o que hoje já parece ser uma excelente oportunidade de negócios, amanhã irá muito além e será um imperativo para as próximas gerações. Um dos fatores que mais diferencia os jovens de hoje dos de ontem é a sua relação com o tema da diversidade: 20% da geração Z não se considera exclusivamente heterossexual – mais que o dobro das gerações anteriores: 8% da geração Y e 9% da Geração X e Baby Boomers. Outro número de destaque é que 76% da geração Z declara ter deixado de comprar de empresas que realizaram campanhas homofóbicas e, ainda por cima, ter ajudado a espalhar a notícia – ou seja, um número muito maior do que os 20% que não se declaram exclusivamente heterossexuais também já comprou essa briga. Por isso, devemos estar preparados para uma próxima geração de colaboradores e consumidores radicalmente inclusivos. Dentro da Geração Z, a presença de diversidade não é uma preocupação apenas daqueles que pertencem a algum grupo que seja alvo de preconceito e/ou discriminação na sociedade, mas sim um critério obrigatório de escolha da maioria sobre quais marcas consumir e onde trabalhar.

Por isso, se você ainda não entendeu o motivo desta campanha (#ProudAtWork), se você ainda não enxerga a existência de preconceito e discriminação contra a população LGBTQ++ na cultura brasileira e no ambiente corporativo ou, pior, se você ainda acredita mesmo que somente pessoas cis e heterossexuais tenham o direito de levar fotos de família ao ambiente de trabalho, meu caro ou minha cara, prepare-se: você pode até manter alguns talentos profissionais e consumidores da minha geração por mais alguns anos, mas você certamente perderá a esmagadora maioria daqueles que estão chegando junto com as novas gerações.

Participe você também! Mais informações: Aqui!

#ProudAtWork #SejaVoceMesmx

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