True Gen: Bom assistir, melhor ainda entender

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por Fabio Lafa Revisão Clara Fagundes

Cá estamos nós, vivenciando o futuro sobre o qual tanto planejamos e pesquisamos. É maravilhoso quando o resultado desse trabalho aparece diante de nossos olhos. Todos os acontecimentos, de maneira global, colocam-nos à frente de uma nova geração que, seguindo a lógica evolutiva, pensa e age de forma diferente. Muitas das coisas que até então eram de acesso restrito aos acadêmicos, hoje, são naturais e fluentes para pessoas que ainda passam pela primeira adolescência. Linhas de código e robótica, por exemplo. A experimentação a que somos convidados ao assistir o vídeo True Gen é obviamente rica, fruto de meses de dedicação do time para retratar, da forma mais pura, a visão deles. Seus anseios e perspectivas sobre o mundo que os cerca e com relatos individuais completamente embasados em sua bandeira – a verdade. Essa com a qual, por tanto tempo, estávamos de relações estremecidas.

Nosso comportamento enquanto sociedade nos trouxe até aqui carregados de receios em transparecer escorregões quanto à carreira, às relações, à saúde mental, à família – principalmente, nas redes sociais. Parece simples, mas deixar que as coisas venham à tona será a melhor coisa que acontecerá conosco!  Lidar com os fatos como são, inclusive para poder tratá-los de maneira efetiva. Primeira lição, mundo: não se esconda. Entregue e demonstre o que genuinamente possui, resolva as suas questões e siga em frente.

Talvez por terem visto tanta guerra e intolerância na primeira década dos anos 2000 no mundo todo, o lance dos jovens da chamada geração Z é mesmo o diálogo. Estando frente a essa movimentação sem volta, cabe aqui elencarmos algumas considerações para os próximos passos. Assim, poderemos trocar mais, aprender mais e fortalecer nosso papel para uma sociedade mais empática e que tenha a diversidade respeitada, ainda que com a iminência de dias onde chegar a um acordo poderá ser (bem) mais complicado.

Acima da imposição e da resistência, tudo será melhor se conseguirmos conversar. Nesse momento, convocar todos a trabalharem de mãos dadas surge como a melhor solução. Quem aponta o dedo pouco colabora. Se quisermos mudanças, precisamos entender quais benefícios abraçam mais pessoas, qual a urgência de cada passo e o equilíbrio entre o pressionar e o ceder. Diferente das antigas “tribos” que mantinham suas demandas muito separadas, a convivência homogênea da geração Z cria gritos para uma única direção, unindo as causas de defesa de ecossistemas e dos animais, as lutas por proteção e oportunidades individuais. Todos os que os cercam irão ouvi-los e é por isso que é interessante um papo em separado com:

 

As figuras parentais e os legalmente responsáveis

 

Consideremos repensar o papel de formador de opinião. É verdade: ao vê-los crescer, vão replicar parte de suas frases, posicionamentos e manias. No entanto, se o processo de aprendizagem muda (e não somente porque “ah, tá tudo no Google!”), a abordagem das figuras parentais muda. Sua família muda. Talvez, a família desse jovem seja só você. Entenda que a mudança, inevitavelmente, também te envolve.

A participação no processo de aprendizado de uma pessoa jovem com motivações e anseios bem definidos tem um tom, o de troca. Esteja aberto para saber deles o que os inspira, motiva, dá medo. Não insistamos no erro: as pautas chegarão a eles antes de você, sempre. Por isso, corte o tabu de uma vez por todas. Até porque deixar de amá-los por possuírem uma opinião contrária não seria uma opção, certo?

É possível que tudo envolva prestarmos atenção em algumas características preocupantes na geração anterior, provavelmente chegando aos 30 anos. Problemas de relacionamento, mágoas guardadas, boletos pagos com sorrisos amarelos. Ela conversou pouco com os pais até a adolescência e sente o peso disso. Agora, façamos diferente: entenda, negocie, converse. Infelizmente, a abordagem para não se tornar invasivo ainda não possui uma fórmula exata. O lado bom é que, se ficar complicado demais, está tudo bem procurar ajuda profissional.

Lembre-se: somos parte do que nos cerca, lidemos com a parte boa e com a que precisa melhorar. Durante o processo de formação desses jovens, escute mais – inclusive, para ser melhor ouvido.

 

O mercado de trabalho

 

E, sendo mais específico, o mercado de trabalho formal.

Há pelo menos 10 anos, a imprensa especialista em recursos humanos mostra os gênios precoces que enriquecem antes mesmo de responder legalmente e as que startups crescem em cima de necessidades antes não percebidas e demandas de consumo não atendidas. Executivos acompanham tudo isso dentro de uma sala de reunião com 20 candidatos a um concorrido processo seletivo de novos talentos, mas nenhum desses criativos está lá.

Se é tão concorrido, por que não é atrativo a quem quebra a regra, quem sobe a régua de qualidade, quem sugere novos termos pro “jogo”, como aquele pessoal da consultoria com quem você sempre tem boas conversas quando estão pelos corredores da sua empresa? Eis o ponto. Com o costume de questionar e quebrar regras, um ambiente em que o respeito ao processo criativo e à individualidade não seja perceptível não vai interessar a eles.

Aqui, o convite envolve uma autocrítica. Se o objetivo é levar os negócios para outro patamar, acompanhar e propor mudanças ou continuar no Top of Mind do mercado, não seria necessário participar mais das discussões em volta da geração Z? Mesmo aquelas que não tenham a ver diretamente com o seu segmento?

Todas as empresas, inclusive as de gestão, projetos ou financeiras, podem reforçar seus compromissos com a comunidade (aqueles pouco lembrados na missão das empresas) e relacionar as decisões a partir deles. A participação nessas pautas em nome do coletivo aumenta a percepção de valor das empresas. Esse tema é o que nos dá o gancho para o terceiro recorte:

 

As empresas, com seus bens e serviços:

 

Principalmente, os de relação mais próxima com o consumidor final, como entretenimento, serviços financeiros, hospedagem, mobilidade, entre outros. Sim, sabemos que o processo já está em andamento. Alguns exemplos recentes foram os lamentáveis casos de racismo nas gigantes H&M e Starbucks nos Estados Unidos no primeiro semestre deste ano.

A necessidade de preparar não só campanhas e mídia, mas também áreas de operações, criação, atendimento, aumenta. Afinal, toda e qualquer experiência com o seu produto será levada em consideração. Até mesmo as que surgem de erros.

Pensando nos erros, quem consome algo vai querer participar mais do processo de melhorias, levando em conta que as empresas têm uma força de imposição cada vez menor. Praticar a autocrítica e a retratação pública é uma força perceptível aos olhos de quem consome. Os moldes de fidelização também percorrerão esse caminho e quem praticar isso mais cedo, ganha. A representação efetiva das minorias também evolui para uma necessidade de participação não apenas em anúncios, mas também em posições garantidas na mesa de estratégia das empresas e agências, para uma leitura sem filtros. O ato de “conversar com o jovem” torna-se um caminho muito além do que vem sendo praticado, e a percepção de mudança na postura se transforma em VENDA.

Estamos muito felizes em impulsionar conversas a partir do compartilhamento de conteúdo e aprendizados. Ressaltamos alguns pontos do convite a conhecer True Gen para canalizarmos o grande trabalho que o mercado e a sociedade têm pela frente. Podemos, seguindo a deixa, abandonar essa opinião de que falar em raça, gênero e visões do mundo diferentes das nossas é algo possível somente na bolha ou no campo de atuação do outro. Cada unidade das nossas relações será tomada por uma nova onda de pensamento.

Não há outra saída: é ouvir, repensar e agir hoje, ou reclamar de um esquecimento muito em breve. Por sorte, ganhos e participação compartilhados e o aprendizado com as diferentes visões do todo darão densidade a esse caldo.

O convite está oficialmente feito. Vem!

 

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