#TRUEGEN TALK. Conversamos com alguns dos colaboradores do próximo vídeo geracional da BOX1824

Tivemos uma conversa de fim de tarde com alguns dos colaboradores do novo vídeo geracional, que será lançado logo mais pela Box1824. Falamos um pouco das características e comportamentos da geração Z a partir da ótica deles e como avaliavam essas tags.

Participaram da conversa: @samurr, @yaminaheixo, @luizadealexandre, @volobodo.

Segue o Baile!

Ponto Eletrônico: Sobre a geração Z há quatro categorias que gostaria de compartilhar com vocês:

UNDEFINED ID – rejeição ou a não definição de identidade;

COMUNAHOLICS – a criação e participação de comunidades;

DIALOGUERS – o diálogo como referencial e relação ao que é diferente;

REALISTICS – e a relação pragmatismo/realidade.

Como vocês percebem e interpretam essas categorias e o que enxergam a partir disso em vocês?

@volobodo: Acho válido criar termos para definirmos algumas coisas, mas é tudo tão fluido: ao mesmo tempo você tá em uma caixa e logo em seguida está em outra diferente.

@yaminaheixo: Só se forem temas da nossa fluidez. A nossa identidade, pelo menos da bolha que eu convivo, é muito estética e intelectual, as duas coisas estão se batendo e se abraçando o tempo todo. A gente é muito imediato, nossos processos são muito imediatista.

@luizadealexandre: Até de ser ansioso! Essas categorias podem ser tópico do tipo de vivência, mas tentar fechar,  pautar a geração, isso não funciona com o nosso tipo de cabeça, de caminhos.

@volobodo: É fechar demais.

@samurr: A “não definição de identidade”, ela vem  da necessidade de criar uma definição, mas todo mundo já foge muito disso, porque não participa do nosso processo de criação sermos definidos do começo. A gente não consegue criar tendo uma definição prévia.

@yaminaheixo: Isso causa bloqueio até.

@volobodo: A definição bloqueia muito, acaba virando mais do mesmo. As vezes eu prefiro deixar me definirem de algum jeito, tipo “ok”, mas eu sei que eu não estou me definindo em nenhum momento, só deixo ir e o que eu estou sentindo eu coloco no meu trabalho.

@luizadealexandre: Isso acontece muito quando pedem pra definir o meu trabalho. O que é meu trabalho? Meu trabalho sou eu. Como eu explico que eu sou o que eu estou botando ali?

P.E: Vocês estão o tempo todo nessa fluidez de experimentação e vivências então. E isso não só na relação que atravessa as questões de gênero, orientação, mas também todas as outras como expressão, arte, trabalho, religião. Como vocês vêem isso no sentido de formação, pela via mais ampla de vida e mais enviesada, tipo formação profissional, educacional, faculdade, etc.

@samurr: Acho que todo mundo aqui teve problema com a escola né. (risos de todos)

@volobodo: Pra mim é mais pessoas com pessoas. A formação se dá na construção com as pessoas, no cara a cara. Eu vivia em um mundo muito fechadinho e digo que só comecei a viver depois que eu comecei a encontrar pessoas que me acrescentavam, batiam de frente com as minhas ideias. Quando rola esse confronto é a coisa que mais ensina.

@luizadealexandre: É o contato com o outro com o diferente né.

@yaminaheixo: Eu sempre tive muita cultura, sempre estive em vários ambientes, na quebrada ou em um rooftop em Copacabana. E isso foi de família, a minha bisavó foi precursora do movimento negro, minha avó, minha mãe elas sempre me botaram em vários espaços e me ensinaram a apresentar, me colocar no mundo enquanto pessoa e o que você faz. Mas também é de encontrar pessoas onde eu consiga me acrescentar e sempre ter uma troca de ideia,  não só conversas.

P.E: Então partindo dessa ideia de que a formação e a construção ela também é um correr fluído constante, vocês falaram de encontros e principalmente de encontrar as diferenças que agregam. O encontro e a busca pelo encontro, a criação de comunidades, ela não está mais focada na igualdade de ideias e comportamento, mas o foco se transfere para os pontos onde podemos dialogar e trocar. Dessa forma a diferença é abraçada e prol do diálogo e do debate sobre o que há de comum. É isso?

@yaminaheixo: A diferença é uma igualdade na real sacou?! Porque essa bolha de entendimento não é muito grande, a maioria ainda vê a diferença como algo repugnante e pra gente a diferença é lindo, é uma parada nova. É uma beleza. Eu vou primeiro tentar entender aquela parada que eu acho estranho, mas eu vou chegar perto pra mudar isso. Uma dispersão conectada. Mesmo na dispersão a gente é conectado, em qualquer ambiente, e é também por isso que a gente se conecta tanto. É muito rápida a nossa interação, a gente vê semelhanças em vivências.

@luizadealexandre: Essa sede de fazer o que a gente gosta influencia muito, porque a gente quer encontrar gente para somar, fazer, animar e dar força para colocar uma parada de pé.

@yaminaheixo: E a gente vê a parada do outro e fala “que massa bora fazer!”. Cada um tem a sua personalidade e seu fazer, eu sou da música, o Samu das artes visuais, mas tipo, ele precisou de uma ajuda, eu vou lá ajudar ele sacou? Eu tenho uma parada de música e to precisando de uma ajuda, o Samu vem e colabora. A gente tem uma conexão muito forte e como as vivências são muito parecidas, até em estados diferentes a gente consegue.

P.E: Samuel recentemente você participou de uma mesa da Feira Polvo sobre o tema Diásporas Conectadas. Conta mais sobre isso e traz pra dentro dessas ideias de geração Z e criação.

@samurr: A primeira vez que eu escutei o nome diáspora foi dentro do judaísmo. Eu estudo religião desde pequeno eu fui criado nesse meio. Foi quando eu conheci o termo diáspora.

Dentro do meu processo de crescimento, e enquanto pessoa, eu fui estudando tudo o que eu tinha acesso, meus pais são Teólogos e desde pirralho eu estava estudando sobre Goetia, ao mesmo tempo estudando língua yoruba e ao mesmo tempo indo pro culto domingo de noite. A partir disso eu vi que em todas as religiões a coisa se dispersava muito, mas essa força diaspórica ela continuava, porque era a mesma visão, mesmos ideais, o mesmo texto participando por revisões e traduções diferentes. Então eu sempre coloquei tudo isso no meu trabalho.

O significado final é algo que vem  não da bagunça mas de uma grande quantidade de informações. Você tem um acervo tão grande que você sempre vai se conectar com algo muito alheio de outra pessoa. Pra mim tal linhagem, tal linguagem é algo super estudado, mas o outro entende de outra forma e no final é  a mesma coisa, só que sobre vivências diferentes.

É também sobre você encontrar âncoras de ligamento seja no conhecimento, sejam afetivas, sejam espirituais em outros ambientes, em outra pessoas que não são comuns a você. Sobre entender essa chave como um instrumento muito prolífico, muito criativo, muito geracional em todos os ambientes diferentes.

Então diáspora não é só um quesito de criação negra ou de criação artística, ele é um quesito de vida, muito alquímico, pelo sentido de ser um fator comum – tipo o ar- uma ligação que participa em  todos os meios.

É sobre conectar, desconectar e reconectar, e não conectar, e conectar muito, é sobre encontrar em todos esses ambientes uma forma favorável de diálogo, não só de diálogo, mas de receber, de trocar informações. Não é só sobre o que você ganha, mas também sobre o que você coloca.

A diáspora não é uma troca agressiva,  não é uma dispersão, é um aumento, não é bagunça, é Acervo.

@luizadealexandre: A gente tem muita força.

@yaminaheixo: E a gente se fortalece.

 

Todas as imagens dessa entrevista pertencem ao Instagram de cada entrevistado. Visitem e acompanhem o trabalho incrível deles!

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