Sob a ótica do blockchain, o que devem fazer as empresas?

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Investir em blockchain necessariamente não envolve moeda. Talvez algo igualmente ou mais valioso - sua marca, por exemplo. As empresas podem determinar como e quando fazê-lo, concentrando-se no correto posicionamento perante mercado, colaboradores, concorrência e sociedade.

por Ponto Eletrônico

Com o uso estressado do termo, criamos alguns atalhos mentais ao falarmos sobre blockchain e bitcoin. O primeiro (já quase amplamente desmistificado) é que são a mesma coisa – mas vale lembrar que não. Já um outro, vai na promessa de execrar a insegurança em todas as transações financeiras e comerciais que fazemos. Ou que, o principal advento do blockchain é a descentralização do poder (ou quase isso).

Lembrando o filósofo Sir Francis Bacon em sua sensata verdade “Conhecimento é poder”, o que era verdade em seus dias em vida é certamente ainda mais verdadeiro hoje! O fato de que conhecimento é poder não é mais evidente do que testemunhamos no comportamento de compra do consumidor atual.

Com o universo de informações nas mãos de nossas mãos hoje, os consumidores são muito mais instruídos sobre os produtos que compram. Eles buscam saber mais sobre como um produto é fabricado, onde e quando é criado e do que é feito. Os consumidores estão exigindo transparência das marcas para construir confiança e conquistar sua lealdade.

Blockchain – um caminho a seguir

Originalmente criada para gerenciar transações de criptomoedas como bitcoin, essa tecnologia está começando a ser aproveitada por muitos outros setores como uma plataforma para rastreabilidade e transparência em toda a cadeia de suprimentos e até o consumidor de produtos.

Estamos todos bem acostumados com esses termos mas, colocando todo mundo na mesma página: basicamente, blockchain é um livro ou banco de dados distribuído de transações e informações registradas entre uma rede de partes interessadas . Atividades e informações de cada participante são registradas em uma rede de maneira segura e confiável. É uma lista de registros ou blocos que são vinculados por criptografia, um carimbo de data e hora e um registro de dados de transação. Uma vez validado, o registro é adicionado a um bloco. Cada bloco contém um código ou hash exclusivo. Cada bloco também contém o hash do bloco anterior da cadeia.

Os usuários criam cadeias adicionando blocos juntos em uma ordem específica, com cada bloco usando os mesmos códigos de hash. Os códigos de hash no bloco mantêm os registros seguros, pois qualquer alteração nos dados originais que foram registrados criará um novo código de hash, “rompendo” essa cadeia inicial.  Esse sistema de blocos e códigos de hash torna quase impossível invadir os dados e embora consiga-se adicionar dados ao blockchain, é impossível alterá-los. O resultado é um livro distribuído que fornece transparência e rastreabilidade ao longo do processo.

A transparência é um fator chave na construção de confiança e integridade da marca junto aos consumidores. Ao alavancar a tecnologia blockchain para o gerenciamento da cadeia de suprimentos, as marcas poderão construir a confiança do consumidor, fornecendo total transparência não apenas do conteúdo de um produto e de sua fonte de materiais, mas também da procedência e de como são fabricados e fornece uma certificação sólida de reivindicações e qualidade. Ao fornecer essas informações de maneira aberta e transparente, as marcas podem ganhar a confiança de seus consumidores, construindo lealdade à marca a longo prazo.

Movimento irreversível, que pede troca

Muitas indústrias foram ou permanecem relutantes à demanda do consumidor por conhecimento dos processos que envolvem bens e serviços. Porém, a relação com segmentos mais específicos como fraldas para bebês, saúde e higiene da mulher e consumidores portadores de doença cilíaca, as marcas têm sido mais proativas em trocar o máximo de informações sobre o produto. Atualmente, não há legislação federal para divulgar os ingredientes ou produtos químicos usados ​​nesses produtos. No entanto, existe uma pressão crescente, vinda de grupos de defesa do consumidor e do público em geral através da mídia social , para que sejam adicionados requisitos de rotulagem para produtos.

Reconhecendo essa tendência e ouvindo seus clientes, um número crescente de marcas femininas e de cuidados com o bebê está divulgando voluntariamente os ingredientes de seus produtos nas embalagens e / ou fornecendo os detalhes em seus sites . Até os varejistas estão percebendo a importância dessa tendência do consumidor, com alguns oferecendo espaço de prateleira premium para produtos que compartilham ingredientes em suas embalagens.

Com os smartphones nas mãos enquanto compramos, as informações que encontramos on-line fazem parte do processo de tomada de decisão e estão presentes na própria embalagem. Como resultado, marcas e varejistas estão encontrando maneiras de levar essas informações ao consumidor de maneira completa e transparente.

A nova ordem de sobrevivência

Ampliar a visão do consumidor e sociedade para o negócio pode ajudar as empresas a ir além do que já estão fazendo e avançar no estabelecimento de novos padrões de abertura e honestidade, algo que beneficiará muito a sociedade em geral. Temos aqui alguns pontos pertinentes durante essa jornada:

Confiança

Com a confiança nas empresas e no governo particularmente baixa no momento em que essas instituições são as mais necessárias para ajudar a criar um futuro mais inclusivo e sustentável, está se tornando cada vez mais importante que as empresas aprendam como ser mais abertas e honestas para reconstruir a confiança. A transparência é uma das ferramentas mais poderosas que as empresas têm para criar confiança entre seus stakeholders e, compartilhando os bons e os ruins, elas podem criar conexões mais profundas e capital social com consumidores e stakeholders.

Novas definições de poder

Até então, entendemos que a força das marcas está muito ligada à sua solidez, o que realmente é. A transparência continuará sendo redefinida  em paralelo aos padrões da sociedade e serão conduzidos pelas partes interessadas e consumidores cada vez mais capacitados e por inovações tecnológicas disruptivas, que tornam as informações mais baratas e mais acessíveis. O valor da marca pode passar a ser medido também pelo crescente valor e fragilidade da marca e da reputação. A força passa a ser reconhecida obviamente pela menor quantidade de erros que se comete, mas também pelo reconhecimento de um movimento mal pensado, que venha a ferir interesses em comum da sociedade, e um senso de responsabilidade socioambiental, bem como o esforço e medida para retratá-lo.

(e nesses últimos dias ouviu-se muito sobre empresas criando suas próprias moedas, mas isso é outro capítulo fascinante e imenso)

Mudar a forma de comunicar e principalmente, fazer

Um dos aspectos mais desafiadores do aumento da transparência corporativa é substituir uma cultura de sigilo por uma de abertura, como vimos no ponto anterior. O caminho para o aumento da transparência é principalmente cultural, e a liderança adequada para poder abraçar essa demanda por abertura e valor compartilhado que pode colidir com uma cultura empresarial mais tradicional de priorizar fortemente o mercado. O condução do perfil de colaborador, parceiro e fornecedor é muito importante para ser de fato parte do comportamento de mudança é inegociável para uma construção de imagem por parte do consumidor seja perceptível e longeva.

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Vá Além

Transparência da Cultura Corporativa

Quando o engajamento entre pessoas e empresas se dá pela identificação de valores, a confiança passa a gerar desejo e pautar a gestão e a comunicação das corporações

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