Em Hong Kong, o encontro do online e o offline

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por Fabio Lafa

Vimos essa semana mais uma questão sobre o emprego de tecnologias durante o processo de comunicação e levante social. O Telegram provocando outras grandes discussões, lá no oriente. Nas manifestações de Hong Kong, pessoas se organizaram contra posicionamentos de um governo que ainda interfere politicamente e, pela premissa de livre utilização desses aplicativos de mensagens por todos – inclusive pelo governo. O que é bom, o que é ruim em tudo isso?

O caso

Os protestos de Hong Kong são em resposta a uma proposta de lei que permitiria extraditar as pessoas opostas ao governo. Os críticos temem que a lei possa ser usada para consolidar a autoridade chinesa sobre a cidade-estado que ainda luta sua independência, principalmente nos aspectos civis e políticos.

O ataque levanta questões sobre se o governo chinês está tentando interromper o serviço de mensagens criptografadas e limitar sua eficácia como uma ferramenta de organização para as centenas de milhares de manifestantes que participam dos protestos. Os aplicativos de mensagens criptografadas como o Telegram e o FireChat são os mais baixados atualmente App Store Apple de Hong Kong, enquanto os manifestantes tentam esconder suas identidades do governo de Hong Kong, apoiado por Beijing.

A utilização de aplicativos de mensagens criptografadas como o Telegram tem um aspecto interessante. Além da proteção contra bombas de efeito moral, os manifestantes de Hong Kong utilizam máscaras nos rostos contra um risco ainda maior em uma Ásia que dita regras da tecnologia: evitar sistemas de reconhecimento facial. Os manifestantes trocavam mensagens sobre onde encontrar Eles também estão evitando o uso de cartões de transporte público, que pode auxiliar o governo em traçar o perímetro das frentes manifestantes – onde, como e a que horas pessoas se aglomeram e dissipam.

A conta do Twitter do Telegram disse que o serviço foi atingido por “milhões de solicitações de lixo”, principalmente de endereços IP originários da China, como parte do ataque DDoS que impediu que o serviço processasse solicitações legítimas dos usuários. Ele disse que essas solicitações de lixo tendem a ser geradas por botnets, redes de computadores infectados com malware. “Este caso não foi uma exceção”, tuitou Durov sem elaborar.

O pano de fundo: dualidade

O asiático no geral lida bem com a tecnologia. A interação com máquinas e inteligências não-humanas não afeta seu processo de socialização, receio de compartilhar dados não causa medo nas pessoas, e os impactos cotidianos não são um problema.

Mas a posição do governo, inicialmente financiando e acompanhando as pesquisas de desenvolvimento tecnológico há 40 anos atrás, é de utilizar também a tecnologia para suas ações de mapeamento, definição de escopo e pontual silenciamento de levantes populares; e cuidado aqui, estamos beeeem longe de definir uma medida é correta ou não, ok?

Não é supresa pra nós: nossos dados, passos, posições geográficas (e provavelmente conversas) estão à disposição das grandes organizações – e inclusas aí, as governamentais.A grande sacada aqui é entender a importância do aproveitamento das fendas tecnológicas para que pratiquemos nossa melhor característica: comunicação, organização e ação em prol da sobrevivência.

Entidades das mais variadas vertentes, públicas e privadas interceptam esses caminhos em prol de suas vantagens. Não é esse o motivo do fim dos tempos. Estudiosos da psicologia já levantam bem antes de conversarmos pelos nossos celulares que, perdendo o senso de coletivo nós não só deixamos de avançar como arriscamos nossa continuidade. Sempre foi sobre evoluir em grupos, concorda?

Por hora aguardaremos a desenvoltura desses episódios. Problemas novos, soluções talvez nem tanto.

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