Investir conhecendo seus objetivos é muito mais fácil ;-)

Quando estudamos o comportamento humano, uma das coisas mais curiosas é tentar entender como a gente se comporta olhando para o futuro, a nossa relação com o “eu hoje” e com o “eu amanhã”. E ao estudar isso, vemos o quanto, biologicamente falando, não é natural pensarmos no futuro, pensarmos em como as coisas vão ser daqui 10, 20, 30 anos. Ao longo do desenvolvimento da espécie humana a gente teve que lutar, sobreviver hoje e agora, pensar na próxima refeição, se defender de predadores. É muito recente na nossa história evolutiva termos que pensar em estocar coisas, guardar comida para depois, poupar dinheiro para o futuro.

Um exemplo incrível de que naturalmente temos dificuldade em fazer isso é o fato de que, quando pensamos no nosso “eu amanhã”, nosso cérebro interpreta essa pessoa como um terceiro, ele não entende que a pessoa em quem estou pensando sou eu. Ele entende que estamos poupando dinheiro (ou deixando de fazer o que seja no presente) para o benefício de alguém que não somos nós e que nem conhecemos – e ele não gosta disso, não parece fazer muito sentido pra ele. Nosso instinto vai querer usar o dinheiro, usar os recursos, comer fora da dieta ou qualquer outra coisa, hoje, no presente, e não vai querer abrir mão desse prazer imediato em prol de uma pessoa desconhecida para ele. Muito louco, né?

Feita essa introdução queremos trazer uma dica muito preciosa e que pode ajudar muito o nosso cérebro a abrir mão de algumas coisas no presente em prol de um benefício futuro quando se trata de guardar dinheiro e investir: ter objetivos claros que sejam realmente relevantes pra você, tangibilizar porque você está poupando dinheiro ou deixando de fazer algo agora.

Existem várias formas de tangibilizar um objetivo futuro. Só de colocarmos nomes nas reservas de dinheiro, por exemplo – que cá entre nós, são coisas pouco palpáveis – já temos uma conexão emocional maior com aquela quantia de dinheiro. Pensem só: transferir dinheiro para a conta na corretora ou transferir dinheiro para as minhas férias na Bahia. Isso traz o que vai acontecer lá na frente mais perto do presente e se torna realmente relevante pra mim, porque eu me conecto emocionalmente com a ideia de tirar férias na Bahia e não com a ideia de transferir dinheiro pra corretora. Que tal colocar um post-it no banheiro com uma mensagem que te lembre do objetivo ou a foto das próximas férias no plano de fundo do celular? Tudo isso nos ajuda a não gastar o nosso dinheiro com coisas menos importantes pra gente e não planejadas e a seguir firmes no planejamento para atingirmos nossos objetivos futuros.

Ter objetivos claros que sejam realmente relevantes pra você, tangibilizar porque você está poupando dinheiro ou deixando de fazer algo agora.

Agora que já falamos dos objetivos, é importantíssimo sabermos que existem investimentos adequados para cada tipo de objetivo. Por exemplo, quando penso na  reserva para as minhas férias que vão acontecer daqui seis meses, eu não deveria escolher um investimento que “prenda” o meu dinheiro por um ano, por exemplo. Ou não deveria escolher um investimento que tenha risco de muita oscilação, porque não tenho muito tempo até a data do meu objetivo pro dinheiro recuperar caso ele caia. Ter uma ideia de quando vamos usar o dinheiro que estamos investindo facilita muito a nossa vida na hora de procurar um investimento adequado. O dinheiro precisa ficar investido por um tempo mínimo? A rentabilidade sobe e desce muito? Eu tenho ideia de quanto terei quando chegar a data do meu objetivo? Posso sacar o valor a qualquer hora caso precise? Qual é o custo? Essas são perguntas que devem ser feitas para guiar essa escolha – mas não se assuste, não é difícil respondê-las.

O nosso objetivo aqui não é falar de produtos específicos de investimento, esse pode ser o tema de uma próxima série de artigos, mas a nossa dica antes de escolher um investimento para um objetivo específico é: perguntem. Seja pra gente, pra uma amiga, pra alguém próximo que entenda do assunto, pro Google, pro nosso grupo do Facebook. Entendam se o entendimento de vocês faz sentido e se o tipo de investimento está alinhado com o seu objetivo. E se estiver, aí vem a parte legal: começar a guardar e depois aproveitar!

E por falar em atingirmos o que queremos, vamos ao último ponto do artigo de hoje: três dicas para chegarmos lá. Quando traçamos um plano, uma meta, sempre pensamos que vamos estar todos os dias tão animadas e empenhadas quanto no momento em que desenhamos aquilo. Aí vem a vida real e a meta vai ficando pra trás, vai ficando difícil, a empolgação não vem todos os dias… Pensem nas suas metas de ano novo, como elas estão hoje? O que acontece é que muitas vezes  não pensamos em como agir no dia a dia para que a gente não se auto-sabote. Sendo assim, a primeira dica é: pensarmos nos medos que estão envolvidos no caminho para atingirmos essas metas. Pensem no exemplo de juntar dinheiro para as férias na Bahia. Se decidimos que vamos deixar de almoçar fora durante a semana e levar marmita para o trabalho pra ajudar na poupança, um medo que pode aparecer é deixar de ver meus amigos, não ser mais convidada pros eventos do trabalho, ser julgada porque vou comer marmita. E com isso vamos pra segunda dica: o que vamos fazer pra evitar que os medos aconteçam ou para lidar melhor com eles? Por exemplo, posso começar a ler um livro ou ver uma série neste momento do meu almoço (e assim torno essa situação em algo muito gostoso e positivo!); ou se tenho medo de ficar sem ver meus amigos, posso estar mais próxima deles em outros momentos ao longo do dia, posso convidá-los para comerem comigo, podemos marcar de tomar um café no escritório na hora do almoço ou combinar de dar uma volta antes de voltarmos a trabalhar. E a terceira dica é: caso a gente ainda assim caia nos nossos receios, o que vamos fazer nesses casos? Precisamos ter um back-up que nos proteja de nós mesmas. Dentro do nosso exemplo, podemos convidar uma colega a levar marmita com você pra não ficarmos sozinha, combinar com ela que cada dia uma traz a comida.

E se você está lendo esse texto pensando “Ai caramba, eu não sei ainda quais são meus objetivos então ainda não posso investir”, a gente pensou em você! Não se preocupe. Existem dois tipos de reserva que toda garota precisa ter e você pode começar por aí: a reserva de emergências/oportunidades, que é para o curto prazo, e a reserva para a aposentadoria, que é para o longo prazo. Em uma continha simples, podemos dizer que a reserva de emergências/oportunidades deveria corresponder a seis meses do seu custo de vida. Assim você tem um colchão de segurança caso tenha algum imprevisto, fique sem trabalho por um tempinho ou apareça uma oportunidade e você precise de dinheiro para aproveitá-la! (Mas lembre-se que roupa e bar não são emergências, hein!) E a reserva para aposentadoria é aquele dinheiro que você investe pra cuidar de si mesma e não depender de ninguém e nem de aposentadoria do Governo. Nossa sugestão é você separar uma porcentagem da sua renda para isso e investir de pouquinho em pouquinho, todos os meses. Ao longo das décadas o poder disso é absurdo! Acredite, pensar em todas essas coisas é um gesto de auto-cuidado e carinho com você mesma – hoje e lá na frente 🙂

 

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