Já tenho o planejamento. E agora, Maria?

No último artigo falamos muito sobre o que está por trás de um planejamento financeiro, de como isso é muito menos sobre dinheiro e mais sobre o que realmente é importante na nossa vida. No entanto, só pensar com esse viés não resolve as dúvidas que a gente tem sobre dinheiro – E é aí que entra esse artigo: Que raios eu faço agora que já já comecei a me planejar e sei o que é prioridade pra mim?

 

E relembrar é viver: Não existe apenas um jeito de cuidar das finanças pessoais e uma única empresa que resolve os problemas, mas é sempre bom fazer uma pesquisa. Vocês sabem onde pedir um empréstimo se precisarem? Onde está a conta bancária dos seus amigos, dos seus pais? E o cartão de crédito? Quais são as taxas? Investimentos?

Com isso, o primeiro passo de verdade aqui é avaliar a sua situação financeira hoje, fazer um raio-x de onde você está, afinal de contas não adianta só saber pra onde você quer ir (que você já desenhou no seu planejamento). É essencial saber se você está usando todos os serviços pelos quais está pagando, se as taxas são abusivas ou não e se existem opções melhores. Dito isso, vamos passar por três pontos hoje: Conta bancária, cartão de crédito e empréstimos. Os investimentos deixaremos para um artigo futuro, ok? Então vamos lá:

 

Conta Bancária

Todos os bancos – inclusive os grandões – possuem uma conta bancária sem custo, normalmente chamada “pacote essencial de serviços”, que inclui um cartão de débito, 4 saques gratuitos no mês, 2 transferências gratuitas entre contas dentro do mesmo banco, 2 extratos no caixa eletrônico e um talão de cheque. Tudo o que você usar acima disso é pago – E por isso é tão importante o check-up. Quais serviços você realmente utiliza do seu banco hoje? Quantas transferências você faz por mês? O que está incluso no seu pacote? Se você não usa nada ou quase nada do seu pacote, talvez faça sentido mudar dentro do próprio banco para um pacote mais barato (ou até mesmo para o essencial). Só aqui já é uma economia! Entramos rapidinho aqui no site do Itaú pra dar um exemplo e o pacote básico custa R$ 34 por mês. Isso dá mais de R$ 400 por ano!

Uma outra dica dentro do tema conta bancária são os bancos digitais, que estão ganhando bastante espaço principalmente entre o público mais jovem. Pra gente que já está acostumado a fazer tudo pelo celular, são ótimas opções porque com certeza serão mais simples de mexer e têm uma linguagem mais próxima. Mas, de novo, a dica é conversar. Encontrem correntistas de algum dos bancos que vocês mais gostaram e conversem! O nosso grupo do Facebook, por exemplo, é um ótimo espaço pra ter conversas desse tipo 😉

 

Cartão de crédito

O primeiro passo aqui é entender a sua necessidade de ter um cartão, porque ele nos traz uma sensação de liberdade irreal e potencialmente perigosa.  A principal lição aqui é gastar dinheiro que você economizou, juntar o dinheiro antes pra gastar depois, e não o contrário – não se endividar (em outras palavras, parcelar) para comprar as coisas por impulso.

Pra quem tem dificuldade de se controlar, ele atrapalhar muito mais do que ajuda – E, nesses casos, nós recomendamos fortemente que você o tire da carteira! Se o motivo de ter o cartão de crédito é fazer compras na internet, por exemplo, pense que você pode pagar compras online com boleto e até mesmo por débito. Além disso, existem vários bancos que possuem algo chamado “cartão virtual”, que te permite realizar as compras na internet, mas funciona como um débito. E também existem os cartões pré-pagos, em que você coloca um saldo e consegue usar como cartão de crédito.

Se você fez a avaliação e percebeu que precisa mesmo do cartão, pra pagar as mensalidades da academia por exemplo, ou simplesmente porque é controlada e entende a melhor forma de usá-lo, na hora de escolher o cartão também é preciso olhar o que é importante para você e de quais serviços você precisa. Hoje já existem ótimos cartões com anuidade zero e se você optar por pagar alguma coisa, entenda se aquele cartão é o melhor naquele quesito/serviço. Hoje existem cartões com cashback (devolvem parte do que você gasta todo mês) e com milhas, podendo “apagar” algumas compras com pontos, por exemplo. Outro ponto importantíssimo é saber qual é a taxa de juros caso você deixe de pagar uma fatura (Evite isso ao máximo! Os juros do cartão de crédito são absurdamente altos no Brasil). Vamos bater de novo na mesma tecla: Pesquisem sobre as opções existentes, se informem, perguntem pra gente ou para pessoas informadas nesse assunto (Dica: O YouTube hoje é cheio de conteúdo de qualidade sobre esses temas! A informação está literalmente nas suas mãos.)

 

Empréstimos e Dívidas

Dois, mais especificamente: Cheque especial (aquele que fica negativo na sua conta corrente, que é uma forma de você pegar dinheiro emprestado do seu banco) e rotativo do cartão de crédito (aquele que você paga quando atrasa ou não paga uma fatura do cartão). Esses são os créditos mais caros que existem: Mais de 300% ao ano em alguns casos. Em outras palavras, transformam R$ 100 em R$ 300 em um ano. É uma bola de neve porque o juros é cobrado no mês seguinte e já aumenta o valor que você está devendo, depois é cobrado de novo sobre o valor maior, e no mês seguinte é cobrado de novo sobre o valor maior ainda, e assim por diante. Um horror.

Onde mora o perigo: Além de serem extremamente caros, eles são muito convenientes – até demais. O cheque especial aparece como um “saldo a mais” na sua conta bancária, como se aquele dinheiro já fosse seu e estivesse ali, à sua disposição. E isso tem um poder enorme sobre a nossa percepção, e ninguém mostra quanto isso custa (banco não é bobo nem nada). Nossa dica: Se em algum momento vocês entrarem no cheque especial ou não conseguirem pagar o cartão de crédito, vão atrás de algum empréstimo mais barato. Existem inúmeras fintechs (startups tecnológicas de soluções financeiras) que já oferecem isso e de uma forma super simples, sem burocracia. Pode ter certeza de que isso pode te ajudar demais a colocar as finanças em ordem.

Pra finalizar, se você já tem alguma dívida mais antiga, renegocie. Os bancos (e qualquer instituição) querem que as dívidas sejam quitadas, pagas. É do interesse deles negociar com você pra aumentar a sua chance de realmente pagá-las. Se tem uma hora de ser cara de pau, guardar a vergonha no bolso e pegar o telefone, a hora é essa. É um dos aprendizados mais importantes em relação ao nosso dinheiro: Você precisa saber pedir as coisas e se posicionar, seja um desconto, negociar preço, renegociar dívida. Lembre-se: Você não está sozinha, a gente já passou por situações de aperto e MILHÕES de outras pessoas no Brasil também passam por isso. Se você estiver em alguma situação assim e não souber por onde começar, fala com a gente – Mesmo!

Boa faxina financeira!

 

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