Inteligência artificial e o futuro do trabalho: tenhamos calma e também foco.

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Em um futuro realmente não distante “menina do financeiro” pode não necessariamente ser uma menina. Não de carne, ao menos. Com riscos na geração de emprego e renda, que consigamos entender que a inteligência artificial, machine learning e os robôs não são o fim dos tempos.

por Fabio Lafa

As já conhecidas e não comentadas “novas tecnologias” no nosso cotidiano, e o incremento delas no nosso dia a dia. Como usuários nas áreas de entretenimento, nos bens de consumo, serviços como aquele self-checkout de supermercado (que nós brasileiros fazemos ainda com sorriso amarelo de vergonha quando viajamos para o exterior) e aquele link patrocinado que aparece na timeline do Instagram com o mesmo assunto que falamos durante o almoço com o colega de trabalho. E, especificamente falando em trabalho, pensar que esse colega pode ser alguém que pode apresentar características parecidas com as nossas, na rapidez ou acuracidade em habilidades e competências, talvez estar pronto para iniciar um dia de trabalho exatamente às 8:00 mas, com uma peculiar diferença: não ser humano. Existe um fantasma aí, algo que nos deixa inseguros quanto a uma concorrência logicamente desleal se pensarmos de cara mas, talvez tudo isso não seja tão ruim. Talvez tenhamos que enxergar o copo mais cheio desde já, e nos prepararmos para os próximos dias. Antes do terror do desemprego nos tomar, entendamos como e onde tecnologias como inteligência artificial e robótica estão entrando no mercado de trabalho – e sim, está muito, mas muito além daquela linha de montagem da Mercedes-Benz com o chão super limpo.

 

O que andam fazendo as gigantes?

Amazon começa a incluir robôs em uma parte muito crucial de seu processo: o empacotamento de encomendas em seus galpões. Operadores humanos efetuariam o processo de separação e, dois robôs efetuam a montagem da caixa e o empacotamento dos produtos, substituindo 24 posições de trabalho. Aplicada a aquisição de 2 robôs em alguns dos vários entrepostos da Amazon, que fecham cerca de 700 caixas por hora, ou CINCO vezes mais que os atuais empacotadores, que poderão receber instrução para novas posições de trabalho, segundo o vice-presidente mundial de operações Dave Clark.

Um porta-voz da Amazon confirmou a história, dizendo à Reuters que a tecnologia estava sendo testada “com o objetivo de aumentar a segurança, acelerar os prazos de entrega e aumentar a eficiência”. Em um tom otimista, eles acrescentaram: reinvestiu em novos serviços para os clientes, onde novos empregos continuarão a ser criados.

E a Ásia, que tem um varejo gigante pra chamar de seu? A JD.com, uma rede B2C com sede em Beijing na China, que com um pouco mais de 20 anos da sua fundação vem construindo a passos certeiros seu sucesso de não apenas ter um alinhamento da evolução das duas operações, frente de loja e e-commerce, por uma especial característica: ter cada vez menos funcionários. E ressalto aqui, em outras áreas além da logística.

Além de já operar entregas de produto utilizando de drones desde 2016, a rede utiliza dessas últimas tecnologias, que tanto fascinam e assustam aos ocidentais como inteligência artificial como ferramenta de decisão e reconhecimento de face como parte da experiência de compra – dividindo esse interesse inclusive, com o governo. Através de parcerias com outras empresas, está em criação um centro de estudo de estratégias de varejo onde, decisões como a equalização de experiência de compra online e off-line; onde, quando e por quê abrir ou fechar centros de distribuição e entrepostos; e quais aspectos devem ser levados em consideração durante o desenho da estratégia da cadeia de suprimentos, são algumas das decisões que uma inteligência não humana participará para que os US$67bi, valor atual da JD.com, aumente – uma jornada de uma só mão, segundo Zhou Bowen, VP da companhia.

 

Um bode na sala de estar (também) das companhias

E, por mais que existam vantagens financeiras para as empresas, a substituição de humanos na força de trabalho não é algo a ser praticado de forma desenfreada. É claro que diminuir a oferta de empregos de maneira drástica afeta também os números e incentivos governamentais que as indústrias recebem, mas outros aspectos econômicos sofrem também sequelas. E se tornam mais sérios em realidades econômicas delicadas – como a nossa, aqui no Brasil.

Um estudo OECD (Organization for Economic Cooperation and Development), responsável por promover ações para o bem-estar das pessoas usando como base os índices de desenvolvimento econômico mundial, diz que sociedades onde a desigualdade e mobilidade social é maior os impactos da recolocação profissional serão mais abrangentes – partido do princípio que, pessoas com formação acadêmica e padrão de vida mais elevado acabam por ser melhor formadas no desenvolvimento e aprendizado de novas competências e habilidades que por ventura possam ser feitas por robôs, inteligências artificiais e algoritmos, o que faz sentido no nosso cenário interno.

Além de um sucateamento dos modelos educacionais nas intuições públicas de ensino, a oferta por posições nas forças operacionais é infinitamente maior, nas áreas de atendimento, no varejo e prestação de serviços. Temos as universidades nas áreas de gestão empresarial e ciências jurídicas por exemplo, sendo as mais procuradas por quem precisa urgentemente “ganhar mais”. E em um período não distante de duas ou três décadas, suas habilidades desenvolvidas em vida acadêmica se tornarão puramente obsoletas – inclusive um parecer em posições de coordenação e gerência.

O conselho antigo – barbas de molho.

A esse ponto da leitura você, se estiver no escritório ou na sala de espera do seu cliente deve estar suando frio, olhando pra todos como se procurasse algo para se segurar penhasco abaixo. Isso é realidade sim, mas sem terror. Largar essa segunda pós em gestão que você fazer duas vezes por semana pra retomar aquele curso livre sobre linguagens de programação também não vai resolver o problema. Lembre-se da premissa de todas as inteligências artificiais, nesse ponto de 2019 que estamos: são incríveis sim, mas precisam de melhorias. Várias melhorias pelos 50 anos, pelo menos. E toda a hierarquia nas empresas, da operação à estratégia, terá seus desafios específicos para individual ou em grupo se adaptar a um destino simplesmente inevitável. Talvez seja esse o primeiro passo a darmos – com incentivos do governo, entidades em defesa da geração de empregos e bem estar social, a inserção de uma força de trabalho não humana em praticamente todas as áreas de conhecimento e mercado acontecerá. Outro dia desses, nosso problema era inserir pessoas especialistas em apertar parafusos numa linha de produção de automóveis depois que máquinas faziam isso com menos da metade do tempo. Fácil não foi, mas conseguimos superar na época. Agora não será diferente.

E em um período não distante de duas ou três décadas, suas habilidades desenvolvidas em vida acadêmica se tornarão puramente obsoletas – inclusive um parecer em posições de coordenação e gerência.

Se um concorrente à sua posição de trabalho não humano pode por exemplo, entregar um forecast de compra mais rápido e mais próximo do real que você, nos façamos valer do que já sabemos mas talvez não desenvolvemos, e que nos manterá competitivos – a inteligência emocional e a empatia. Não é o puxa-saquismo e a cordialidade excessiva que aquela pessoa da sua equipe tem com o chefe na happy hour (e se essa pessoa for você me desculpa, mas o seu caminho sim será mais difícil). Estou falando da principal característica que posições de trabalho nos mercados mais promissores para o futuro, como autocuidado e educação por exemplo, tanto valorizam.

Áreas como essas, mesmo tendo várias soluções envolvendo a tecnologia ainda precisam de uma expertise, inteligência emocional e senso de cuidado e atenção que ainda está longe de ser reproduzido com exatidão por não-humanos, mesmo isso “já acontecendo” com Peppers e Buddys por aí.

E subindo patamares no poder e participação de decisão, ainda serão muito úteis aplicando essa inteligência emocional aos conhecimentos e “faro de negócio”, um termo e característica muito famosa nos plenos e sênior do varejo, que simplesmente sabem quando e como reagir nas flutuações que as vendas possam sofrer de acordo com determinado evento social, político e econômico.

Se um concorrente à sua posição de trabalho não humano pode por exemplo, entregar um forecast de compra mais rápido e mais próximo do real que você, nos façamos valer do que já sabemos mas talvez não desenvolvemos, e que nos manterá competitivos - a inteligência emocional e a empatia

Dos auxiliares a diretores, passando a atuar ou não precisam ter em mente que, de nada vale demonizar o movimento das empresas, da inteligência de dados e seus avanços. Talvez precisemos aprender mais com o estilo de vida dos orientais, que de fato enxergam muitas beneficies na presença dessas tecnologias nas nossas tarefas cotidianas e incluem aí o trabalho, e que um passo interessante seja protagonizar a construção desses novos caminhos ou mesmo, se atentar em fazer valer da habilidade que não há escola que ensine melhor que a vida em conjunto em nossos grupos sociais, para se movimentar para outras óticas, carreiras e por que não incluir aí, empresas e demandas de mercado ainda não exploradas em sua totalidade. Que essa leitura seja pauta durante seus exercícios de inteligência emocional enquanto estiver em meio ao seu grupo de convivência. Já fortifique essa prática, pois precisaremos dela nos próximos (e bem próximos) dias.

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