O SXSW acabou, mas não podemos perder essas bandas de vista

/

Após a infinidade de artistas no festival de música do SXSW que vimos e provavelmente não lembremos semana que vem, aproveitamos pra fazer um recorte aqui com a galera da Box para incrementar os seus algoritmos com lindos trabalhos.

por Fabio Lafa

Uma semana com palcos, bares e calçadas respirando música durante o SXSW. Oficialmente ou não na programação oficial, a cidade de Austin que é a meca das boas idéias nos States recebeu instrumentistas, cantores e DJs de todo o planeta e, talvez tenha sido o ano em que a música brasileira teve mais representantes – em quantidade e variedade de ritmos. Do mainstream ao experimental, nossa delegação entregou uma das melhores atrações de todo festival, atraindo curiosos e os fãs que cantaram os refrões em plenos pulmões; O que aconteceu em Austin não pode ficar em Austin. Vamos recapitular:

Mr Eazi

O nigeriano Oluwatosin Oluwole Ajibade é dos responsáveis em colocar a musicalidade do oeste africano fora da generalista world music e dando o tom ao famoso afrowave na Europa e América do Norte. Desafio real é ficar parado ao ouvir.

The Black Pumas

Aqui é questão de uma bela representação de pratas da casa. Em seu segundo ano consecutivo, a banda de psychodelic soul nascida em Austin, que traz todos os elementos dos músicos do sul dos States: Vocais bem embasados na sonoridade das igrejas batistas, um country rock inicialmente ácido aos ouvidos mas muito bem conversado entre guitarra, baixo e bateria. Um dos melhores shows de todo o festival diga-se de passagem.

Phony Ppl

Já que estamos falando de apostas, fica a dica da edição: A banda criada no coração do Brooklyn, New York traz tudo o que aquela região propicia. Garotos saem dos conservatórios musicais temperados com o hip hop e as influências da música caribenha que está em todas as calçadas. Não é mais uma banda cool que passou pelo NPR (inclusive, que apresentação!) mas a sensação é que é que a entrega em alto nível parece fácil.

Boogarins

Produto brasileiro facilmente encaixado em qualquer palco do mundo, a banda de Goiânia que desde 2012 saiu dos circuitos independentes para palcos gigantes do Privavera Sound de Barcelona e o Rock in Rio de Lisboa e em várias edições do SXSW. De verdade eles já são bem queridos dentro e fora do Brasil mas, caso você alguma vez tenha passado batido por alguma faixa, repense.

 

Waco Brothers

Mistura interessante. Com doses iguais de country e punk rock, a banda de Chicago entrega uma sonoridade agradável a quem gosta de um peso nas guitarras e dentro de uma sonoridade agradável e ao mesmo tempo discurso de questionamento às bases do conservadorismo americano. Super válido.

 

Dillon Cooper

O rapper Dillon Cooper natural de Crown Heights, Brooklyn (não se sabe o que tem na água de lá) já está tomando o mundo pela tempestade com sua surpreendente combinação de bons beats do atual trap e leituras do boom-bap noventista, sagacidade das rimas. Vindo do prestigioso Berklee College of Music, em Boston, ele não é apenas um rapper, mas um músico sério que tocava piano quando criança, antes de pegar o violão com apenas sete anos de idade. Há quem questione rappers do Soundcloud, vai entender. Não o perca de vista.

 

Delaporte

O duo de eletro-pop formado pela espanhola Sandra Delaporte e o italiano Sergio Salvi inspira-se em todos os gêneros e sons, do pop, R&B, soul e referências mais tropicais.

 

SASAMI

Sasami Ashworth em trabalho solo após sua saída da banda indie Cherry Glazerr mostra a que veio. Gênio dos teclados, baixo e guitarra, ela tocou no palco da colab entre a Nylon, bombada da moda e comportamento e She Shreds Magazine, que fala sobre mulheres que tocam instrumentos de corda.

 

Leikelli47

E falando em GRLPWR, vimos uma garota com uma banda no rosto entrar agressiva no palco, de métrica afiada e discurso a contra a teimosia do rap em colocar o gênero antes do talento. Há quem a coloque como a versão feminina de MF Doom. Talvez ela seja a evolução dessa textura de rima e presença de palco.

 

Desorden Publico

E uma ressalva também a quem não pode estar no palco, principalmente por motivos de guerra. A banda de ska venezuelana com receio de deixar seus familiares à mercê de que está acontecendo no país acabou declinando do festival, mas nem por isso não pode deixar de ser citada, e as lideranças de comunicação do festival não deixaram de ressaltar, colocando mais uma vez o engajamento político como um pilar importante do evento.

 

Agora com todos esses talentos, fica a nossa visão do que foi um das maiores iniciativas de música, cinema e criatividade em âmbito global. Muitos outros caras passaram pelo festival e, se você lembra de algum fique livre pra dividir conosco. Boa semana!

Versão resumida ×

Exibir texto integral

Comente

Mudando de assunto...

O papel da mídia na humanização das pessoas trans

TRANScenGENDER

Com a ascenção de pessoas trans na mídia, tem acontecido uma corrente contrária às formas como essa população geralmente era mostrada para a grande massa. Em uma sociedade em que 90% das mulheres trans e travestis estão na prostituição como um lugar condicionado, é muito significativo que as pessoas trans sejam donas de suas próprias narrativas, que representem a si mesmas em séries, novelas e filmes.

Morte da idade declarada pela moda

Youth Mode

A rapidez das mudanças no comportamento humano torna confuso o conceito de geração e dificulta a estabelecer os cortes de sua linha do tempo. A juventude tem deixado de ser uma inspiração inquestionável, excluindo a idade da pauta contemporânea. Mais do que uma tentativa de inclusão, existe por trás deste fenômeno uma questão mercadológica: este consumidor existe, e há dinheiro para ser feito.

Realidade imersiva e o futuro do pornô

Playing Reality

A interação passa a ser parte fundamental da pornografia: as pessoas querem ser protagonistas, e não apenas voyeurs de suas fantasias. Novas tecnologias estão viabilizando este estreitamento entre fantasia e interatividade, rompendo com o modo como se consome pornô e se encara sexo.