Vida de Solteirx tem que ser tudo, inclusive boa

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Se a solução é encontrar "alguém", não sabemos. Enquanto isso, sociedade e marcas começam a chegar em um consenso: o período de solteirice precisa, como todos os outros na vida, ser BOM.

por Ponto Eletrônico

Em termos gerais, já estivemos menos preocupados ou assustados com isso. Mas a verdade é que, estamos nos acostumando com os fatos que simplesmente permeiam absolutamente todas as gerações em números expressivamente crescentes: além de que depararmos com o número crescente de solteiros, e atribuirmos o fato de maneira mais instantânea à banalização das relações afetivas, uma agenda de compromissos profissionais que nos exige cada vez mais dedicação, uma pós, um mestrado, uma especialização, estamos simplesmente parando de ver problema em ser solteiro, de fato. Com o devido recorte de ressalvas para mulheres e homens, cis e trans dentro de uma estrutura social, alguns aspectos do comportamento humano estão dando liberdade pra que as pessoas se sintam BEM, independente do status ou mesmo existência de um relacionamento afetivo.

A busca pela qualidade de vida, longevidade, saúde física e mental impulsiona uma busca por um status saudável em todos os aspectos da nossa vida. Seja na academia e/ou na sessão de terapia, todos descobrimos que é essencial que nos bastemos, independente de ter alguém ou não. Assistindo a tudo isso, o mercado (e digo, todo ele) sabiamente se adequa propor soluções para essa população no mundo todo, e resolvemos falar sobre algumas dessas tendências e iniciativas:

 

Primeiramente, números que só crescem

Os resultados da Pesquisa de População Atual nos Estados Unidos, mostrou um total de 262 milhões de pessoas com 15 anos ou mais. E em 20 anos, (entre os intervalos de 1998 e 2018) o aumento de 25% da população de homens e mulheres é menor do que o aumento 40% de homens  divorciados e que nunca se casaram e os 44% de mulheres. A ascensão de pessoas não casadas é um fenômeno mundial. Outro relatório recente das Nações Unidas documenta o aumento global do número de pessoas que chegam aos quarenta e poucos anos sem se casar, e em meio as pessoas que optam de fato pelo casamento, o fazem bem mais tarde. A maioria das pessoas solteiras não vive sozinha, mas globalmente, um número substancial faz . Em todo o mundo, a mesma proporção de famílias é composta por apenas uma pessoa e apenas um casal (sem filhos ou mais ninguém) – 13%. Outros 8% de todos os agregados familiares são famílias monoparentais (onde a criança até tem de fato pai e mãe, mas só um deles efetivamente age na educação).

E claro, que estamos habituados a usar como referência levantamentos com base em nossa vida ocidental, onde mesmo com todas as pressões sociais para que homens e mulheres casem, algumas sociedades onde o choque de costumes entre uma geração é uma questão ainda mais delicada estão sentindo um impacto um pouco mais.

Na Ásia, o berço das novas tecnologias, ainda coloca seus jovens adultos em um impasse sobre a hora certa de casar, e tendo um conservadorismo patriarcal bem latente nesse processo, o peso cai sobre as mulheres. Além de uma cultura onde as filhas são depreciadas e inclusas como “composição do pacote de barganha” entre as famílias mais tradicionais, têm-se a cultura de que estudos e trabalho são as prioridades para os filhos. Falando em trabalho: o índice de desempregados na Coréia do Sul, concentrando em Seoul  e as regiões metropolitanas ao seu redor, pulou de 3,4% para 17% – resultando em um declínio desses millenials entre 25 e 29 anos em casar; quem quer casa quer casa, diz o ditado e, esse custo alto de habitação leva a um declínio também em adquirir um imóvel, segundo o Korea Times.

E a preocupação do governo sul-coreano, principalmente no que tange a diminuição de força de trabalho especializada, redução na geração de renda no mercado interno, a própria sociedade se depara com uma ótima oportunidade de mudança, partindo das próprias mulheres:

 

O Movimento #NoMarriage

No último mês de julho, a hashtag invadiu o Twitter quando noticiou-se que, em algumas confraternizações das cidades de zona rural na Coréia do Sul (aparentemente, endossadas pelo governo) queria dados das mulheres solteiras como idade, peso, escolaridade e experiência profissional junto de uma foto atual.

Sendo uma ação obviamente baseada em perpetuar a desumanização e objetificaçao das mulheres na sociedade, o levante foi feito. As Youtubers Baek Ha-na e Jung Se-young se posicionaram sobre as vantagens da mulher viver com foco em sua individualidade, sobre o alto custo de vida para se ter filhos e para que simplesmente não se perdurasse a idéia de que a mulher deve curvar-se a esse papel subserviente imposto pela família e sociedade. Nascia aí o movimento #nomarriage.

 

 

 

Os Dating Apps

Mesmo que para um cerco ópio ou uma solução mais pontual no passivo da vida de solteiro, que é a dificuldade em se encontrar alguém para trocar conversa, afeto e sexo fora do círculo em torno dos círculo de amigos dos amigos, as pessoas do trabalho ou da faculdade, pessoas conseguiram refinar melhor interesses específicos, como opiniões e caraterísticas físicas em um raio de proximidade previamente definido.

Aplicativos de namoro começaram na comunidade gay; o Grindr e Scruff, ajudaram homens solteiros a se conectarem a partir de 2009 e 2010, respectivamente. Com o lançamento do Tinder em 2012, a abertura para todas todas as orientações afetivas e rapidamente se tornou o aplicativo de namoro mais popular do mercado. Mas a gigantesca mudança na cultura do namoro realmente começou a acontecer no ano seguinte, quando o Tinder se expandiu para os telefones Android, depois para mais de 70% dos smartphones em todo o mundo. Pouco tempo depois, muitos outros aplicativos de namoro ficaram online.

Houve muita discussão sobre como Tinder poderia reinventar o namoro: talvez isso transformasse a cena do namoro em um mercado virtual sem fim, onde os solteiros pudessem comprar um ao outro (como uma extensa vitrine de pessoas), ou talvez transformasse o namoro em uma busca transacional de esforço mínimo para se ter sexo on-demand. Mas a realidade do namoro na era dos aplicativos é um pouco mais sutil do que isso. A economia do relacionamento certamente mudou em termos de como os humanos encontram e cortejam seus parceiros em potencial, mas chaga-se a conclusão que as pessoas procuram é basicamente companheirismo e/ou satisfação sexual (como sempre, só mudamos o “como”). Enquanto isso, os desafios subjacentes – a solidão, o tédio, a montanha russa de esperança e decepção – de ser “solteiro e bonito”, ou solteiro e procurando algo, não desapareceram (de novo, mudamos o “como”).

 

 Não tá fácil pra ninguém – e não é culpa sua.

A sequela de ficarmos nessa gangorra de demanda por pessoas disponíveis é justamente esse questionamento interno de sermos ou não pessoas interessantes, jovens e bonitas, sempre validadas por um padrão que paira por todos nós, como nuvem. Mesmo com 18 pessoas a menos de 1,2km de nós, que possivelmente gostaríamos de conhecer durante o horário do almoço, nos sentimos falhando como ser humano não conseguindo sair do lugar mesmo com a ajuda da tecnologia.

Talvez estejamos em um lugar onde, o encontrar alguém não seja o goal. Ou talvez seja, quando esse alguém, pelo menos por enquanto, for nós mesmos. E dentro desse sentimento coletivo, é muito legal ver que as próprias empresas de maximizaram o nosso fluxo de interação proporem soluções que nos auxiliem a entender melhor a tal vida de solteiro, além de entender que por mais que os números da empresa vão muito bem obrigado ano após anos, o Tinder precisava fazer algo para seu principal cliente: o solteiro. Nasce, em parceria com a agência Wieden+Kennedy a primeira campanha institucional Single Not Sorry, junto de um blog MUITO bacana sobre lugares, histórias e principalmente dicas de como não se sabotar durante a experiência de deslizar para a direita ou para esquerda, a tal swipe life. 

É uma carta de opções de discussão bem honesta. Um texto divertido sobre “5 saídas rápidas de um date ruim” pode ser a porta de entrada para pautas importantíssimas como por exemplo, um despertar de consciência que uma mulher solteira pode ter acerca de sua existência e voz política. O que pode vir a ser também: durante o seu exercício de se conhecer e se libertar para vivenciar relacionamentos e interações com outras pessoas e acima de tudo, se respeitando em primeiro lugar, provoca uma ampliação, retração e reforço de limites. E por consequência, outros aspectos acerca de nossas vidas como o quanto e no que gastamos também passa a ser guiado por essas novas ou antigas demandas. Desde quando, como e onde você aplica seus gastos com diversão, viagens e vestuário até quando, como e onde você vai comprar seu imóvel ou aplicar seu dinheiro.

E devemos lembrar que, a questão de não viver um relacionamento pede alguns cuidados, como por exemplo, o isolamento social. Com efeitos similares a abuso de álcool e outras drogas, nos fecharmos em um mundo sem troca com outras pessoas – afetiva ou não – diminui nosso sistema imunológico e abre porta para diversas patologias. Dentro disso, em não se ter um relacionamento afetivo ou sexual, temos juntamente na interação com as pessoas artifícios para formação de uma vida mais feliz, ou como estudos dizem, um bem-estar subjetivo.

 

Talvez estejamos em um lugar onde, o encontrar alguém não seja o goal. Ou talvez seja, quando esse alguém, pelo menos por enquanto, for nós mesmos

 

 

Os imóveis e os veículos menores já são maioria nas opções de investimento da indústria; dentro das dicas de viagens do Air Bnb já envolvem experiências como uma tarde de meditação em um templo em Bangkok ou um passeio de bike pelo Prospect Park, em New York; As embalagens de alimentos estão dividindo o espaço com os tradicionais “tamanho família” com packs subdivididos. Percebe como tudo caminha para que essa população de pessoas que, por opção ou não também sejam contempladas na lógica de consumo e construção de fidelidade das marcas? E, além e mais importante que isso, o valor de simplesmente sentir-se bem consigo é muito importante para nos focar em objetivos maiores, sejam eles ligados a encontrar alguém ou não?

Até mencionamos algumas vezes, vai virar figura de linguagem: uma opção bem honesta conosco, até já sabíamos fazer isso. Mas estamos mudando o “como”.

 

 

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