O que é uma dívida?

Se a gente olhar no dicionário além do significado mais conhecido de “quantia que se tem de pagar a alguém“, a palavra também carrega outro significado, o de “obrigação moral contraída por favor e/ou bem recebido“. Contudo, apesar da negatividade que a palavra carrega, mais de 65% das famílias no Brasil possuem uma dívida – e por diversos motivos, de diversas formas.

Quando você pensa em uma pessoa endividada, o que acha que ela fez ou deixou de fazer? Atrasou o pagamento de um boleto? Ficou com o nome sujo? Parcelou alguma compra? Pediu empréstimo no banco? Caiu no cheque especial? Financiou um imóvel? Parcelou a fatura do cartão? Na verdade, ter uma dívida significa ter alguma parcela de compra ou financiamento em aberto. Em muitas das situações que colocamos acima, estamos falando do caso de alguém que ficou inadimplente, ou seja, tinha algo pra pagar e acabou não honrando com o pagamento.

Sim, só de termos parcelado uma blusinha, uma compra na farmácia, ou de estarmos com a fatura do cartão de crédito aberta, nos endividamos. Então nossa primeira lição  sobre o termo é que nem sempre a conotação negativa sobre dívida é real. Nem todas as pessoas endividadas estão ferradas, nem sempre assumir uma dívida é um erro. Mas entender que só de ter uma compra em aberto significa, sim, que estamos endividadxs é um passo muito importante para estarmos atentxs e as dívidas não se tornarem um problema na nossa vida.

A definição do dicionário é ótima: uma quantia que se tem que pagar a alguém. Esse alguém pode ser muitas figuras: a empresa do cartão de crédito, o banco, e podemos ir mais além, a parcela do financiamento do carro, da casa, da faculdade, etc. Se estamos usufruindo de um bem ou de um dinheiro que não era nosso e precisamos devolvê-lo lá na frente, independente do prazo que temos que devolvê-lo, pois bem, temos uma dívida. 

E como honramos com um compromisso futuro – olha aqui a segunda definição do dicionário – se algo acontecer e por algum motivo eu não conseguir pagar o que prometi, a dívida se transforma nesse monstrinho que todos nós temos medo. E é aqui que mora o perigo, porque algumas das dívidas que existem são muito caras e podem transformar uma quantia de R$ X em R$ 2X em pouco tempo através dos juros, e temos que evitar essa bola de neve a todo custo. Por isso é imprescindível que tenhamos consciência de quais dívidas nós temos, quanto elas custam e como vamos pagá-las. Mas esse é um assunto pro próximo artigo. 

 

Dívidas caras e baratas

Você já ouviu as expressões “dívida cara” e “dívida barata”? Esse conceito vem do custo da dívida, que nada mais é do que os juros que pagamos por pegar o dinheiro emprestado de uma instituição. Ou seja, se os juros de uma dívida são abusivos e existem alternativas melhores, ela é uma dívida cara. Nem toda dívida é cara ou abusiva, e precisamos falar sobre isso porque entender o custo das dívidas é essencial para conseguirmos manter o controle caso tenhamos alguma delas, para podermos negociá-las, avaliá-las, trocá-las. E isso envolve saber como comparar as taxas, quanto é muito, quanto é pouco.

Antes de trazer exemplos, é importante sabermos o que são esses benditos juros. Quando vemos, por exemplo, que o custo do rotativo do cartão é de 10% ao mês, isso significa que se você deixou de pagar uma fatura de R$ 1000 e  deixar esse valor pendente por um mês, além de pagar o valor inicial, você deverá pagar mais 10% disso, que são R$ 100. Só de curiosidade, esse é um tipo de dívida que afeta quase 20% da população brasileira hoje. E de onde vem a bola de neve que todo mundo fala? Do seguinte: se você também não pagar esse valor no mês seguinte, vão ser cobrados mais 10%, só que agora em cima dos R$ 1100 que já tinham se acumulado. Ou seja, no segundo mês, você pagará 110 de juros, então o montante vai para R$ 1100 + R$ 110, somando R$ 1210. Quando falam “juros sobre juros”, “juros compostos”, é disso que estão falando. Uma taxa de 10% ao mês, nessa dinâmica, dobra o tamanho da sua dívida em um ano se você não pagá-la.

E essa dinâmica funciona tanto nas dívidas quanto nos investimentos, então os juros compostos podem ser  seus grandes aliados quando estiver investindo, porque na maioria dos investimentos são eles que fazem seu dinheiro crescer sem você precisar fazer nada. Uma frase genial que nós adoramos diz “Quem entende de juros, recebe. Quem não entende, paga.” Então bora entender como eles funcionam pra quitar as dívidas caras e começar a investir e receber os juros a seu favor!

Bom, vamos falar sobre o que são juros altos e juros baixos no mundo das dívidas – porque os conceitos de muito e pouco são bem diferentes no mundo dos investimentos. Só pra você ter uma ideia, hoje o investimento mais conservador e simples disponível no Brasil hoje, que é o Tesouro Selic, rende 4,25% ao ano (fora a taxa de custódia e o IR sobre o lucro, que comem um pedacinho dessa rentabilidade). Uma dívida super comum, que é o cheque especial por exemplo, cobra quase 10% ao mês. Mas essa é uma dívida cara não porque é uma taxa muito maior do que se ganha nos investimentos – isso quase sempre vai ser o normal se você comparar taxas de dívidas com taxas de rentabilidade nos investimentos -, mas porque existem dívidas com taxas bem mais baixas do que isso. Existem empréstimos pessoais com taxas de 3%, 4% ao mês. Se você tem alguma dívida hoje, nossa sugestão é que você saiba exatamente quanto paga de juros por mês nela. 

"Quem entende de juros, recebe. Quem não entende, paga."

E de que adianta saber se a minha dívida é cara ou barata? Vamos dar um spoiler por enquanto, porque falaremos sobre isso em outro texto. Bom, isso é muito importante porque você pode trocar uma dívida cara por uma barata e economizar muito, muito dinheiro – dinheiro que vai te ajudar a ficar livre de dívidas mais rápido. 

 

 

 

 

Versão resumida ×

Exibir texto integral

Comente

Mudando de assunto...

Cultura pop e a redenção do gênero

TRANScenGENDER

A cultura de massa que expõe nuances de gênero é o contato mais próximo que muitas pessoas têm com seus universos ideais. O pop, com todas as suas indefinições, exime-se da obrigação de possuir um papel social ativo, mas, intencionalmente ou não, acaba por provocar transformações. Quando uma situação é retratada em uma peça de teatro ou em um filme, visitamos lugares psicológicos sem a necessidade de aquilo ser real. Com o gênero acontece o mesmo.

Pessoas que admiramos: Vitória Cribb

O fim da norma

São muitas as possibilidades a partir de entendermos a troca constante de códigos, comportamentos, expressões e vozes ao nosso redor. Nós aqui na Box, admiramos uma artista da zona oeste carioca que nos convida justamente nessas bases, a outros patamares em quaisquer uma de nossas áreas de atuação, em busca de cenários mais plurais, mais…

O absurdo ato de morrer

Playing Reality

Se eu pudesse escolher, preferiria começar este texto sem mencionar o céu (o físico, no caso), mas o clichê é inevitável, pois foi exatamente assim que aconteceu: caía uma tempestade de raios na noite em que lidei pela primeira vez com a possibilidade de o meu pai morrer. Fiquei pensando no quanto esse fenômeno da…