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Box Tv, Ponto Entrevista
04 de fevereiro de 2013 por Desirée Marantes

Ponto Entrevista: Tainá Muller

Imagens: Raquel Brust

Edição: Fernanda Krumel

Agradecimento especial Lena Maciel

Quando tinha 17 anos, Tainá Muller se apaixonou pela obra da escritora Hilda Hilst, e desde então ela lê, estuda e pesquisa não somente os textos, mas também a vida desta mulher corajosa, que foi pouco reconhecida enquanto estava viva. De algum jeito, Tainá sempre sentiu que deveriam se conhecer, que a casa do Sol era um abrigo e que, talvez, tenha faltado um abraço entre elas. Desde o ano passado, a atriz detém os direitos sobre a biografia da autora e já começa a tocar a produção de um filme com o objetivo de contar a história surpreendente desta artista que ela considera “a poeta da sua vida”. Com pé firme e voz macia, comenta: “Eu sou apaixonada por cinema, as passagens mais mágicas da minha vida, com certeza, estão relacionadas ao momento em que eu sentei numa sala escura e vi um filme que me tocou, e é por isso que eu tenho vontade de fazer o filme da Hilda.” É do encontro entre Tainá e Hilda que nasceu este post e esta entrevista. Um encontro tão poderoso, que logo será um longa metragem. Um encontro tão apaixonante que ainda vai render muita conversa, sonhos, imagens e quem sabe, outras narrativas.

Como surgiu tua paixão pela autora Hilda Hilst? O que, na sua opinião, faz com que a poesia dela seja tão especial?

A primeira vez que eu tive contato com a obra da Hilda foi aos 17 anos, na faculdade, quando uma amiga minha chegou com o “Contos de Escárnio”, que  li e achei bem inusitado. Na época, a editora Globo ainda não tinha publicado a obra completa da Hilda, então ter um livro dela era super raro. Achei incrível e fiquei muito curiosa pra ler mais, principalmente pela liberdade com que ela escrevia. O erotismo pra ela está sempre associado à finitude, como se a pulsão erótica fosse a mesma da morte. E uma característica da obra da Hilda que mais gosto é o modo bem-humorado com que ela fala destas coisas extremas para o humano que é a morte, o sexo, Deus… É muito presente na narrativa de Hilda a ideia de que, para se atingir o sagrado, é preciso procurar o profano. Quando fala de sexo, imagino que o que a Hilda buscava ali não era exatamente provocar tesão nas pessoas (se bem que imagino ela ficando feliz caso isso acontecesse) mas era justamente buscar estas pulsões bem primárias para encontrar alguma coisa como o que chamamos de Deus e ela de “Cara cavada”, “Porco-menino” (risos)

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Comunicação
23 de janeiro de 2013 por Desirée Marantes

Obstáculos existem para serem superados

Tommy Carroll é um skatista cego que acorda bem cedo para poder usar seu potencial andando de skate enquanto as pistas ainda estão vazias. É massa ver alguém “se jogando” de maneira consciente em algo, especialmente quando o pensamento racional diria que não é prudente um cego andar de skate. Fico feliz de poder assistir esse tipo de coisa e além disso pessoas assim me inspiram a desafiar um pouco o lado da lógica e da razão.

E sim, o vídeo foi feito para promover acessórios para a prática do esporte, mas e daí? A comunicação de qualquer marca seria muito mais interessante se buscasse inspiração em pessoas reais que fazem coisas incríveis, não acham?

Be Brave Be Safe

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Comunicação
21 de dezembro de 2012 por Desirée Marantes

Até 2013

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Eventos, Música
21 de dezembro de 2012 por Desirée Marantes

Iceland Airwaves 2012 – parte II

Continuação do relato da Anita Giansante sobre o melhor festival do mundo

O festival começou no voo de Glasgow para Islândia, com playlists com boa parte das bandas que iriam tocar e o guia oficial sendo distribuído. O choque com a temperatura e vento é grande, mas logo acostuma. Se conseguir agendar um shuttle ou ônibus do aeroporto para a cidade vale muito a pena, pois ele é longe, e como já disse, o taxi sai bem caro. É legal também já trocar dinheiro no aeroporto, se tiver um smartphone baixar um aplicativo de conversão ajuda muito, pois a coversão de moeda é bem complexa (1000 isk são 16 reais).

Fizemos uma média de 7 shows por dia, o que é uma média boa. De manhã enquanto tomávamos café planejávamos o dia, já pensando onde iríamos comer (depois de ter esquecido desse detalhe no primeiro dia, o que quase sacrificou nosso lugar na frente do palco no show do FM Belfast), em muitos lugares onde os shows rolam tem comida, no Hressó por exemplo você consegue comer uma pizza ouvindo o show que está rolando lá fora, descobrimos Half Moon Run assim.

Os shows mais concorridos são: o maior do evento, esse ano foi Sigur Rós, e os que acontecem na igreja, então vale a pena chegar uma hora antes ou até antes para pegar um lugar bom. Agora o resto chegando cerca de 30 minutos é tranquilo, levando em consideração que duram entre uma hora e 40 minutos. É importante pontuar que se você gosta de shows menores, mais acústicos e sem tanto empurra empurra vale a pena ir para lá sem ingresso e curtir apenas os off-venue. O local principal dos shows é o Harpa, que é uma construção maravilhosa desenhada pela Henning Larsen Architects e o artista Olafur Eliasson.  As salas de show tem uma iluminação incrível e a construção é maravilhosa por dentro e por fora, o único problema é que realmente tem bem mais empurra empurra que nos outros lugares.

Todos perguntam “qual foi o melhor show?” a resposta óbvia é Sigur Rós, que foi mesmo um show incrível, mas agora quando lembro do festival o que vem na cabeça é por exemplo Solaris e Daughter na igreja com todos de cabeça baixa de fato curtindo a música, o show do Samaris no museu de arte, bater cabeça no show do HAM, o dia que um mini tufão passou pela cidade e todo mundo andava rindo pelas ruas brincando no vento, curtir o show do FM Belfast com o Olafur Arnalds atrás de nós, fechar a Faktory, chegar num lugar estar tocando uma música incrível e sair procurando no guia o nome da banda.

E no fim vale a pena viajar tanto para ver um festival de música? Bom, na minha opinião vale tanto que já comprei meu ingresso do ano que vem. A Islândia tem algo que faz você rever seus valores e a importância que você para certas coisas em sua vida, o festival foi bem mais que muita música boa, num lugar incrível cheio de pessoas queridas.

5 dicas do festival
- Comprar bebida no free-shop e andar com uma garrafinha, você economiza e dependendo da bebida ela te ajuda sentir menos frio.
- Sim lá é bem frio, mas levando casaco de neve, gorro, meia calça e luvas de frio é tranquilo.
- Ver bandas desconhecidas sem medo, aproveite o festival e a variedade musical que ele tem.
- Não ter vergonha de trocar uma ideia com o pessoal das bandas, sem dar uma de tiete é claro.
- Não queimar a largada, o festival é puxado, se você quer de fato aproveitar todos os dias não se acabe nos primeiros.

Algumas bandas islandesas que você deveria ir no show um dia.
Sigur Rós
FM Belfast
Samaris
Rokkurro
1860
HAM
Apparat Organ Quartet
For a Minor Reflection
Ben Frost e Daniel Bjarnason apresentando o projeto Solaris
Retro Stefson
Sóley
Of Monsters and Men
Olafur Arnalds

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Eventos, Música
19 de dezembro de 2012 por Desirée Marantes

Iceland Airwaves 2012, o melhor festival.

Quem acompanha o Ponto deve ter notado que somos fãs da Islândia. Que país, amigos, que país. Esse ano temos a honra de compartilhar com vocês o primeiro post (de 2) feito pela Anita Giansante, que foi no festival Iceland Airwaves 2012 e gentilmente nos cedeu esse relato contando as peripécias necessárias para planejar a melhor experiência possível nesse que é um dos festivais mais foda do calendário mundial.

O Iceland Airwaves é um festival de música que acontece anualmente em Reykjavik, capital da Islândia. A primeira edição dele foi em 1999 num hangar de avião, hoje o festival acontece em diversos lugares da cidade como livrarias, bares, cinema e igreja.

1860 antes do show no Bar 11

O planejamento para o festival começou cerca de 3 meses antes dele, queríamos escutar todas as bandas para não perder nada, o que no fim até que valeu a pena, pois poderíamos ter perdido shows incríveis por não conhecer direito. Mas querer planejar ao certo em qual dia ver o que é quase impossível antes de sair os horários dos show off-venue (que são de graça, abertos para qualquer pessoa e acontecem a partir das 9 da manhã em alguns lugares). O legal do festival é que você tem várias chances de ver alguns dos shows, principalmente os islandeses. O aplicativo do festival é um salva vidas, pois além de ter a agenda atualizada tem um mapa da cidade com os locais do show, isso ajuda muito, mas como o wi-fi e gps as vezes falham é bom carregar com você o guia de papel do festival e um mapa da cidade.

No centro de Reykjavik.

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Comportamento, Comunicação, Design, Eventos
07 de dezembro de 2012 por Desirée Marantes

Tem gente que acha que não, mas JÁÉ

Sacam o Mesa&Cadeira?

Não?

Tá, seguinte, é basicamente um negócio massa onde tu te inscreve para participar de um projeto que é liderado por uma pessoa *foda* dentro da sua área de atuação/conhecimento e tu tem mais ou menos uma semana pra realizar o projeto. Já rolaram coisas incríveis com o Anthony Burrill, pessoal da Good Magazine, o Marko Brajovic entre outros.

Falei que era massa.

E hoje tem inauguração da exposição “JÁÉ”, que foi criada durante o Mesa que rolou semana passada.

As perguntas que nortearam a criação foram “Como mostrar que o Brasil mudou? Quais os artistas, negócios, movimentos que representam o país hoje? O que é o Brasil que não só promete, mas que já é?”.

E o líder dessa vez foi o português José Cabaço, nada menos que o diretor criativo global de conceito para a Nike. Não riam do sobrenome do cara, uma vez eu conheci um moço que se chamava “Alcione”.

É.

Bom, apareçam por lá.

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Comunicação
14 de novembro de 2012 por Desirée Marantes

Fotógrafos sem noção

Eu ri.

Muito.

A Sony Australia resolveu fazer graça do pessoal que curte fotografia mas acaba não sabendo utilizar direito os recursos de um dslr.

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Arte
13 de novembro de 2012 por Desirée Marantes

Mais que humano – retratos de animais

O fotografo Tim Flach tirou retratos de vários animais com o intuito de demonstrar o quão próximos dos gestos e postura de humanos e bichos podem ser.

O trabalho, que durou 7 anos, virou um livro que você pode adquirir aqui

via

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Nada a Ver
12 de novembro de 2012 por Desirée Marantes

Nova Iorque pra Colonas

As irmãs Colla passaram suas férias desbravando Nova Iorque com aquele espírito de colono do serra gaúcha e a Manu matou a pau escrevendo um guia inspirado na viagem das duas. Por que eu gostei tanto? Bom, além de dar várias barbadas (e vamos lembrar que é muito chique saber as manhas de uma cidade) só tem coisas que eu faria (fora os cosméticos, mas que ainda assim acho divertido porque dá pra ficar vendo a quantidade de cores que existem na parte dos esmaltes), tem uma parte só sobre lojas de brinquedo (nunca me encabulei em comprar brinquedos, mas em breve terei um afilhado e voilá, a desculpa perfeita para comprar brinquedos sem culpa!) e me convenceu de que minha próxima viagem tem que ser uma road trip que comece em algum lugar dos EUA e acabe em Coney Island. Alguém aí pilha de fazer a versão legal (no sentido de não ser preso) da viagem do Ken Kesey e os Merry Pranksters? (tem um documentário muito bom sobre a viagem – que basicamente foi um dos primórdios do movimento hippie – chama-se Magic Trip)

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Comportamento
08 de novembro de 2012 por Desirée Marantes

A realidade esportiva que o jovem brasileiro quer para si

 

Por Alê Oyamada

Quando se fala em esportes, o Brasil é o país… Não tenho dúvidas de que as reticências você já deve ter completado instintivamente “…do futebol.” Melhor seria, no entanto, se ao invés de reticências, tivéssemos nos acostumado ao ponto final: quando se fala em esportes, o Brasil é o país. Não falo por mim, quem diz isso são os próprios jovens da sociedade brasileira. Há um descompasso profundo entre a realidade atual do esporte no Brasil e a realidade esportiva que os jovens querem viver. Se o futebol é a paixão nacional, então vivemos aquele delicado momento em que uma paixão se torna sufocante, ciumenta, tão possessiva que tudo o que queremos é nos libertar para finalmente viver a felicidade de nos reencontrar com os amigos que a paixão dominadora suprimiu. A supremacia absoluta do futebol no Brasil não condiz com o desejo latente e a busca constante dos jovens brasileiros por novos esportes além dele. Ser o país de um só esporte definitivamente não bate com a pluralidade esportiva a que os jovens aspiram. Só para citar alguns dados, 81% dos jovens brasileiros declara que gostaria de praticar algum novo esporte que nunca praticou e 83% diz concordar com a afirmação de que a mídia deveria abrir espaço para outros esportes além do futebol. Você deve se surpreender com a porcentagem de jovens que declara gostar de dança, vôlei, natação, academia, caminhada, ciclismo…
Apresentar com profundidade qualitativa e segurança estatística esse panorama e destrinchá-lo em detalhes é, ao meu ver, o principal presente que a Olympikus dá para o Brasil ao dividir com cada brasileiro a extensa pesquisa sobre o esporte no país que encomendou à BOX1824, disponível para baixar aqui.

Como membro da BOX e desse projeto em especial, tive a felicidade de participar de toda a pesquisa, viajar às mais diversas cidades, de Porto Alegre a Recife, conversando com todos os tipos de jovens que tinham uma profunda conexão com o esporte, fosse pela prática, de atletas profissionais a amadores, ou simplesmente pela paixão de vibrar com o esporte preferido, ou os preferidos. Depois de tantas entrevistas, tanto envolvimento com o tema, ficou muito claro para mim que o esporte traz tamanhas contribuições para a vida de uma pessoa que é quase uma injustiça dizer somente que esporte faz bem para a saúde, ele faz muito mais, ele é um pilar fundamental para a construção de uma vida mais plena – em diversos sentidos atribuídos à noção de plenitude. Não é toa que a inclinação ao esporte parece fazer parte da própria natureza humana. Um importante achado da pesquisa confirma essa hipótese: só não faz esporte quem ainda não encontrou o seu. É possível alguém não gostar de algumas ou várias modalidades, mas não gostar de esporte simplesmente, isso é quase anti-natural. Ocorre que alguns já encontraram seu esporte (depois de poucas ou muitas tentativas), mas outros ainda não. Portanto, é uma negligência pública restringir esporte a uma só modalidade, todos deveriam ter ao menos uma primeira experimentação da maior quantidade possível de esportes.
Felizmente, os jovens brasileiros não só desejam como buscam essa abertura. Se há uma palavra que ficou para mim ao concluir todas as entrevistas, essa palavra é democratização. Existe um evidente desejo de democratização do esporte, e ele é tão forte que se desdobra em diversos níveis, partindo da democratização de modalidades e chegando até mesmo à democratização das definições do que é ser um campeão, do que é de fato uma conquista.
Esse desejo, no entanto, esbarra de frente com as dificuldades de se praticar modalidades distintas num país em que todos os aspectos estruturais (mercado, mídia, política, valorização profissional, infra-estrutura…) estão voltados quase que exclusivamente ao futebol, restringindo incrivelmente o incentivo e o acesso a outras modalidades, principalmente entre as mulheres. Só para citar alguns exemplos, 54,5% das jovens brasileiras declara gostar de dança, mas só 11,7% diz praticar, 48,9% declara gostar de vôlei, mas só 5% diz praticar, 41,5% declara gostar de natação, mas só 2% diz praticar. Tendo em vista esse descompasso evidente entre o que os jovens brasileiros querem do cenário esportivo do país e o que é feito dele hoje, a pesquisa exerce um importante papel social ao dar força à primeira opção.

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