Imagens: Raquel Brust
Edição: Fernanda Krumel
Agradecimento especial Lena Maciel
Quando tinha 17 anos, Tainá Muller se apaixonou pela obra da escritora Hilda Hilst, e desde então ela lê, estuda e pesquisa não somente os textos, mas também a vida desta mulher corajosa, que foi pouco reconhecida enquanto estava viva. De algum jeito, Tainá sempre sentiu que deveriam se conhecer, que a casa do Sol era um abrigo e que, talvez, tenha faltado um abraço entre elas. Desde o ano passado, a atriz detém os direitos sobre a biografia da autora e já começa a tocar a produção de um filme com o objetivo de contar a história surpreendente desta artista que ela considera “a poeta da sua vida”. Com pé firme e voz macia, comenta: “Eu sou apaixonada por cinema, as passagens mais mágicas da minha vida, com certeza, estão relacionadas ao momento em que eu sentei numa sala escura e vi um filme que me tocou, e é por isso que eu tenho vontade de fazer o filme da Hilda.” É do encontro entre Tainá e Hilda que nasceu este post e esta entrevista. Um encontro tão poderoso, que logo será um longa metragem. Um encontro tão apaixonante que ainda vai render muita conversa, sonhos, imagens e quem sabe, outras narrativas.
Como surgiu tua paixão pela autora Hilda Hilst? O que, na sua opinião, faz com que a poesia dela seja tão especial?
A primeira vez que eu tive contato com a obra da Hilda foi aos 17 anos, na faculdade, quando uma amiga minha chegou com o “Contos de Escárnio”, que li e achei bem inusitado. Na época, a editora Globo ainda não tinha publicado a obra completa da Hilda, então ter um livro dela era super raro. Achei incrível e fiquei muito curiosa pra ler mais, principalmente pela liberdade com que ela escrevia. O erotismo pra ela está sempre associado à finitude, como se a pulsão erótica fosse a mesma da morte. E uma característica da obra da Hilda que mais gosto é o modo bem-humorado com que ela fala destas coisas extremas para o humano que é a morte, o sexo, Deus… É muito presente na narrativa de Hilda a ideia de que, para se atingir o sagrado, é preciso procurar o profano. Quando fala de sexo, imagino que o que a Hilda buscava ali não era exatamente provocar tesão nas pessoas (se bem que imagino ela ficando feliz caso isso acontecesse) mas era justamente buscar estas pulsões bem primárias para encontrar alguma coisa como o que chamamos de Deus e ela de “Cara cavada”, “Porco-menino” (risos)















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