Categoria: Comportamento

Comportamento, Comunicação, Design
23 de maio de 2013 por andre

COMMUNITY-CENTERED DESIGN: uma nova relação pessoas-cidades-marcas

Semana passada tivemos a semana especial sobre SP aqui no Ponto e vimos alguns exemplos de iniciativas focadas na apropriação da cidade. Mas além do poder de transformar a paisagem urbana, acredito que esse novo espírito também impulsiona uma nova dinâmica entre marcas e pessoas. E para entender isso, precisamos fazer uma retrospectiva breve e quase simplista dessa relação.

O final da década de 90 foi marcado por um esgotamento do modelo de consumo baseado na criação de marcas aspiracionais – e distantes -, cujo foco era gerar desejo pela aspiração, um modelo product-centered. À partir daí, atingiu a massa uma revolução liderada pelo Design que ressignificou toda cadeia de produção e consumo. No lugar de bens materiais, passou-se a enxergar os produtos como possibilidades de interação, interfaces que provém algum tipo de serviço ao consumidor e que, portanto, precisam ser pensados à partir do ponto de vista das pessoas – um modelo human-centered.

O Netflix é a prova disso: uma proposta de uma relação mais honesta entre marca e consumidor no lugar das multas de atraso na devolução que financiaram o império da Blockbuster. Nike, Method, Whole Foods, Innocent Drinks são outros exemplos de marcas que contribuíram para essa mudança ao colocar o consumidor como centro. Marcas que adotaram ações no lugar de discursos, o diálogo ao invés da propaganda e uma postura beta no lugar da inovação fechada.

No entanto, considerando a velocidade das transformações nas últimas décadas e a crescente demanda por transparência, propósito e responsabilidade, acredito que estejamos à beira de uma nova virada. Color+City é uma pequena-grande iniciativa nessa direção. A iniciativa conecta as pessoas com vontade de transformar São Paulo por meio das cores.

O contexto de rede empoderou os indivíduos a transformar e agir com mais frequência por meio de iniciativas que usam o coletivo para melhorar o ambiente ao redor. Nada mais natural que as pessoas se tornem mais críticas e exijam a mesma postura prática do setor privado. Paira no ar uma expectativa de que marcas se tornem mais que produtos com um discurso próximo, assumindo uma postura mais ativa. Ou seja, ações de responsabilidade socioambiental como salvar a Amazônia não são o bastante. Cada vez mais, as pessoas valorizam as instituições capazes de gerar mudanças/transformações para a vida cotidiana, real, próxima da realidade.

“Não há mais uma grande causa, a ‘sociedade perfeita do amanhã que vamos construir pela política, mas, ao contrário, a preocupação cotidiana.” (Michel Maffesoli, sociólogo)

Pensando que, de acordo com a ONU, até 2020 90% da população do Brasil e América Latina viverá em contextos urbanos, tais mudanças deverão girar em torno de temas derivados da interação entre pessoas e cidades. Mobilidade, acesso, convivência, entretenimento coletivo e outros assuntos relacionados serão grandes oportunidades para uma marca prover serviço.

Nesse sentido, os exemplos são inúmeros, como o Ushahidi, plataforma aberta que através de SMS, MMS e Internet consegue reportar e mapear regiões (ruas, bairros, cidades, estados e países) com problemas como conflitos ou desastres naturais. Esse serviço faz com que autoridades sejam facilmente alertadas sobre algo e também evita com que as pessoas se coloquem em situação de risco. Ou mesmo o WhipCar, serviço de Car Sharing que permite ao usuário alugar o carro do seu vizinho por um preço menor que as empresas de aluguel.

Pouco a pouco, vemos emergir um mindset community-centered: interações/ações que visam melhorar a convivência das pessoas no ambiente urbano. Essa mentalidade coloca no centro um grupo de pessoas com afinidades semelhantes, unidas por ferramentas para que possam melhorar as relações das pessoas entre si e com seu entorno. Incorporar tal lógica é premissa básica para marcas que desejam ser / permanecer relevantes.

O projeto de Neighborhood Stores do banco norte-americano Umpqua Bank vai nesse caminho. O conceito de loja é focado em atender sua vizinhança, provendo um serviço à população. As agências oferecem espaços para relaxar ou trabalhar, com café e wifi grátis, além de TVs que exibem notícias e informações sobre o universo financeiro.

Outro exemplo é o Color Reclaim, projeto da Converse para transformar não-lugares abandonados como viadutos em espaços de socialização como galerias para exibir trabalhos de grafiteiros e palcos para shows de novas bandas.

Ainda é difícil vermos grandes marcas agindo com uma mentalidade community-centered. Estas iniciativas têm partido principalmente de pequenas empresas, iniciativas independentes ou simplesmente das pessoas, de forma cada vez mais organizada. Grandes marcas costumam aparecer menos como protagonistas e mais como patrocinadoras dessas ações. No entanto, se as pessoas anseiam por transformações mais reais e presentes no cotidiano, as marcas devem se tornar agentes de transformação da cidade.

O que isso significa? Que no lugar de pensar no futuro da categoria, sua marca deveria estar pensando na cidade do futuro e nos tipos de serviços que poderá prover para materializar esse futuro. Já pensou nisso?

*Este texto foi escrito a seis mãos pela Carla, Fábio Amado e André. E adoraríamos a sua contribuição para pensar em novos desdobramentos para este tema. =)

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Comportamento
22 de maio de 2013 por Juliano Dornelles

Seth Godin no CreativeMornings

CreativeMornings é um evento de palestras de ”seres criativos” seguidos de um café da manhã, que acontece em vários países do mundo. Semana passada o palestrante foi Seth Godin, escritor de diversos livros e fundador do Squidoo. Na sua palestra de quase 20 minutos ele fala suas percepções sobre as novas formas de trabalho e a relação com a economia de conexões. Muito interessante para refletir e quem sabe encarar o trabalho de uma forma diferente.

Vale muito:

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Comportamento
22 de maio de 2013 por marimessias

Arquitetura da Gentrificação

Arquitetura da Gentrificação é o primeiro projeto de financiamento coletivo da ONG Repórter Brasil, que se empenha em se empenha em fomentar reflexão e ação sobre violações dos direitos humanos.

O projeto se propõe a fazer uma investigação detalhada sobre a gentrificação em SP, ou seja, os processos de expulsão de classes mais baixas de determinadas regiões da cidade, através de medidas socioeconômicas e urbanísticasna.

E ele tem tudo a ver com nossa última semana especial, SOS SP.

 

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Comportamento, Comunicação
20 de maio de 2013 por marimessias

Beardvertising

Homens com barbas épicas podem tentar renda extra através do Beardvertising, um serviço de mini outdoors em… é, barbas.

Sem mentira. A ideia foi da Lexington, uma agência do Kentucky e já tem até alguns clientes, como A&WEagle One.

O motivo? Segundo o criador, Whit Hiler: “Todos amam barbas”.

Te interessou? Rola ler mais sobre aqui.

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Comportamento
17 de maio de 2013 por marimessias

A horta do CCSP

Quem passa apressado pela 23 de Maio nem imagina que ali tão perto daquele mundo de asfalto e concreto brota uma horta. Sobre o jardim suspenso no Centro Cultural São Paulo estão canteiros de alface, rúcula, beterraba, brócolis,  alecrim e mirra. Tem também confrei, babosa, chuchus beleza e muitas outras mudas que crescem jogando um pouco de verde sobre a cidade tão cinza.

Participei de parte do processo de criação da horta, que nasceu das mãos de pessoas da rede Hortelões Urbanos e do CCSP.

Peguei carona na iniciativa que começou em Setembro de 2012 e, depois de várias reuniões, umas burocracias, um projeto e muito trabalho coletivo, vimos a horta nascer em um mutirão que rolou no dia 28/04 desse ano.

A horta não é a primeira e nem a única da cidade. Outras iniciativas se espalham por aí: Horta das Corujas na Vila Madalena, Ciclista na Paulista, Vila Anglo na Pompéia, o maravilhoso projeto Cidade sem fome na ZL e as muitas outras hortas que ocupam canteiros em escolas, prédios e vasinhos pendurados na janela.

Cada uma com seus motivos e finalidades diferentes. A horta do CCSP não serve pra alimentar ninguém (ainda). Aliás a pequena produção será destinada aos voluntários que se revezam pra cuidar dela e pra eventuais transeuntes que queiram beliscar alguma delícia (já que o CCSP é um espaço público e qualquer um pode colher um tomate se quiser!)

Pra mim foi a paixão pela cozinha (e pelos ingredientes que uso pra cozinhar) que me fez querer estar mais perto da produção das coisas que como (o que é cada vez mais difícil hoje). Apesar da produção simbólica, o trabalho na horta faz a gente repensar muita coisa sobre a indústria do alimento e as esquisitices que aceitamos goela abaixo todos os dias. Além do mais, projetos de hortas em escolas de São Paulo mostram que as crianças que se envolvem na produção do próprio alimento fazem muito menos cara feia pras beterrabas e escarolas do que as outras!

Mas não é só de comida que se trata uma horta. Projetos como o da Horta das Corujas são incríveis por que funcionam como um incentivo pra que pessoas se conheçam, ocupem espaços vazios, requalifiquem áreas e repensem a maneira como a gente se relaciona com a cidade.

Não estamos sozinhos nessa. Movimentos verdes aparecem com força em várias cidades do mundo, com alguns casos bem emblemáticos, como o da Cidade de Detroit que viu hortas tomarem conta de espaços degradados, anos depois de uma forte depressão econômica. (Urban Roots).

A articulação e o trabalho coletivo em torno das hortas é um janela pra que as pessoas comecem a se preocupar e participar das políticas de urbanismo na cidade. Muitos começam discutindo a implantação de uma horta no bairro e logo percebem que podem (e devem) participar nas decisões políticas. Movimentos como esse abrem caminho pra que as pessoas pensem mais sobre a cidade e abrem portas pra participação de pessoas comuns na política.

Além disso, ainda tem o enorme prazer que é cuidar das plantas ver vida onde antes não tinha nada.

A abertura oficial da Horta do CCSP vai ser na Virada Sustentável. Vai rolar um coquetel com especiarias da própria horta, exibição de filmes sobre agricultura urbana e alguma oficina que ainda não sabemos! Vem!

(O Guilherme Borducchi escreveu pra gente sobre sua experiência com hortas urbanas de SP)

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Comportamento, Design
17 de maio de 2013 por marimessias

O Rio de Janeiro continua lindo

Uma coisa que tenho acompanhado é que a cidade está se conectando mais, as obras estão permitindo as pessoas a explorarem os lugares, irem além do que elas já conhecem…bom exemplo é o Parque de Madureira e o resgate dessa área da cidade, tão importante culturalmente. Outro ponto também é a integração asfalto x morro. Já aprendemos a tirar o que o Rio tem de melhor dessas mudanças, mas com certeza ainda há muito a se fazer e espero que, como em outras cidades, os cariocas se mobilizem ainda mais.

A revitalização do centro faz a gente pensar em como o urbanismo, além da arquitetura, também é importante e até mais importante do que expandir a cidade é concentrar as obras nas áreas já consolidadas.

Não podemos esquecer de pensar como vai ser essa cidade depois dos jogos, daqui a 30,40 anos. Planejar essa revitalização de forma que isso vá beneficiar a cidade a longo prazo.

(Carol Althaller é pesquisadora de tendencias carioca e vive na ponte aérea  Ela nos deu sua opinião de carioca sobre o que vem mudando no RJ – e o que ainda pode mudar)

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Arte, Comportamento
17 de maio de 2013 por pontoeletronico

Apropriação Urbana: Um paulista nas ruas cariocas

São Paulo, sempre foi um dos grandes locais de transformações culturais do mundo. Uma mistura de referências e possibilidades que faz pulsar dentro da cabeça dos moradores e visitantes visões amplas do que é um espaço urbano e como podemos nos “apossar” dele.

Morei no centro de São Paulo por anos e percebi como a ocupação artística e cultural do espaços públicos e alternativos começaram a pipocar e a estimular esse “entretenimento independente”.

Como alguns exemplos bacanas disso posso citar: a Voodoohop, que além de acontecer na Trackers, já ocupou o Minhocão e leva muita gente para se divertir com uma estrutura limitada mas em uma vybe muito positiva; a Selvagem, que é uma festa que começou de forma tímida, mas que com o crescimento do evento hoje acontece mais no entorno do que no próprio bar; a última ocupação festiva do Anahngabaú; e a própria Praça Rooselvet que passou a ser ótimo local para receber esses movimentos coletivos “open air”.

Na última semana me mudei para o Rio de Janeiro e vi como essas mobilizações coletivas independentes estão muito mais desenvolvidas aqui. Felizmente!

O carioca já tem na essência curtir o espaço público e falo isso desde as praias, dos parques, até os eventos alternativos e de movimentação pública. O mais interessante é que, utilizar a estrutura urbana independe de ser “descolado” ou “hipster”. Há opções bombando por todos os lados e para todos os gostos.

Na primeira semana de Rio estive em um show de blues na Pedra do Leme. Um evento que reniu cerca de 150 pessoas e totalmente independente.

A banda paulistana Jazz, Ribs & Abobrinhas organizou com amigos cariocas esse show, e ocupou o espaço animando convidados, turistas e curiosos sortudos que puderam se divertir com som de qualidade e uma vista incrível.

Por um convite do @jeff_nascimento, acabei na Praça São Salvador no Laranjeiras, onde encontrei um local intenso de jovens e galera descolada. O coreto da praça recebe aos finais de semana apresentações de jazz, samba e chorinho. Em um dos dias há a Rádio Bike: uma bicicleta sonorizada que faz o som da praça, mas que circula pela cidade toda. Porém, esse encontro coletivo já passou por mal bocados: nos últimos anos a vizinhança se mobilizou com a prefeitura para acabar com o espaço (coisa que tenho visto nos arredores da Praça Roosevelt). Hoje, as apresentações têm hora para acabar, mas as pessoas, obviamente, sempre continuam até altas horas da madrugada.

A Festa Elaetropical reuniu um pessoal alternativo e descolado em um galpão da Lapa, que contou com projeções nas paredes, uma instalação de noiva e uma cabana inflável. A festa extrapolou o galpão e tomou conta da rua em frente abraçåndo todo mundo que passava por ali.


A Lapa para mim, novo no local e sendo passível de julgamentos, é uma representação carioca do que acontece na Rua Augusta (ou vice e versa): um território de expressão, socialização e diversão para todos os tipos de pessoas e movimentações culturais.

A Rua do Lavradio, no Centro do Rio, recebe não só uma feira mas também o famoso Baile Charme. Ali mais do que socializar, as pessoas se encontram para por em prática os passinhos ao som de uma mesa de DJ improvisada na calçada. O clima, além de divertido, traz aquele lado carioca de sentir a cidade em espaços públicos e abertos, sem a necessidade de nenhuma “catraca”.

Obviamente isso aqui foi apenas uma amostra: tem muito entretenimento democrático por todos os lados aqui no Rio de Janeiro. Festas acontecendo no Vidigal, no centro da cidade e encontros coletivos sem local definido em outras regiões.

A minha visão é que São Paulo tem caminhado para um comportamento como esse. Mas ainda há muito para ser “ocupado”. A gentrificação tende a repensar toda a estrutura da cidade, mas no momento, se limita há meia dúzia de bairros paulistanos. Uma das minhas esperanças, é que a cada visita à São Paulo eu veja mais opções de diversão no asfalto.

Enquanto isso por aqui, no Rio, tem muitas “ruas” ocupadas para eu conhecer ainda. Vamos aos poucos não é?!

(Diego Oliveira é publicitário e nos contou sua experiência como paulista que está apaixonado pelo Rio de Janeiro)

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Arte, Comportamento
15 de maio de 2013 por pontoeletronico

Porto Alegre: espaços de afeto e zonas temporárias de vivência


Porto Alegre, a cidade metropolitana com costumes provincianos, é a capital de acontecimentos como Fórum Social MundialFestival Internacional de CinemaFestival de Teatro de Rua de Porto AlegreBienal do MercosulFeira do LivroPorto Alegre em Cena, e há mais, muito mais: os portoalegrenses estão se reapropriando dos espaços comuns e questionando sobre sua condição de ser cidadão. Afinal de contas “o que eu, vivente da cidade, tenho a ver com isso?”

Há um sintoma mundial de descontentamento com a forma de sistema econômico consumista, desrespeitoso e exploratório que desde a Revolução Árabe, Protesto de 2008 na Grécia e Los Indignados na Espanha em 2011, assim como em vários países europeus e da América Latina reverberam ecos de contestação nas principais capitais mundiais para novas formas das pessoas se relacionarem com seu corpo, com meio onde vivem, com a natureza e com as formas de acessar às cidades. Em Porto Alegre não é diferente, a cidade acordou para ela própria e está criando formas de organização coletivas e movimentando espaços culturais da cidade.

Tenta-se questionar neste momento um processo que ganha um nome feio de gentrificação, ou seja, a tal “higienização cultural” que vislumbra transformar cidades em regiões acépticas e sem vida, como grandes shoppings cercados e monitorados. Apoiado nesta ideia, está a gestão de uma governança municipal desenvolvimentista (e às vezes má humorista) que realiza um plano nacional de Copa do Mundo, invadindo a cidade com obras megalomaníacas, com privatizações e restrições de uso de espaços públicos, especulação imobiliária, despejos de famílias e comunidades inteiras de suas casas, interditando pontos de encontro, e inclusive, realizando graves repressões policiais contra comunidades quilombolas, indígenas, da periferia e de movimentos de protesto, em contraponto a isso, se insurgem grupos de pessoas que colocam seus corpos na rua a fim de ressignificar seu vínculo com o local onde moram.

Daí a importância dos espaços de afeto da cidade como fala Zé do Tambor, um dos fundadores da Terreira da Tribo. Cada vez mais se vê a necessidade de resgatar identidades culturais formadoras, construir lideranças artísticas e estar na rua em diálogo com as pessoas e com cidade.

A atividade cultural da cidade é resistente em locais como a Redenção, onde acontecem encontros contínuos de malabaristas e artistas de circo da cidade; os domingos de Brique da Redenção, onde se reúnem artesãos, livreiros, antiquaristas, artistas visuais expositores e artistas de rua como Zé Da Folha, tocador de viola e folha, Marcelo Tcheli, bonequeiro, os músicos do Conjunto Blue Grass Porto AlegrenseCia-Um-Pé-de-DoisCirco Petit POA-RS e outros tantos, além da maior feira orgânica da América Latina que é Feira dos Produtores Orgânicos que acontece nos sábados na José Bonifácio que encontra projetos irmãos no Menino Deus e na Zona Sul. Uma feira ao ar livre representa troca de conhecimentos, conscientização do consumo, da saúde mundial e o incentivo a um sistema sustentável da agricultura.

Os artistas se apresentando em espaços públicos, automaticamente, criam um sentimento de identidade, pertencimento e cidadania, e determinada rua ou centro cultural já não é mais a volta para o trabalho, é um palco, um atelier, uma sala de cinema.

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Arte, Comportamento
15 de maio de 2013 por Eduardo Biz

Retrato da arte urbana contemporânea em São Paulo

A artista francesa Gasediel reinterpreta obras importantes da história da arte, misturando elementos da arte urbana presentes na capital paulista

Conhecida por muitos anos como a “cidade cinza”, São Paulo vem passando por um intenso processo de coloração desde os anos 1980 até hoje. A arte urbana passou a ser um dos principais ícones desta metrópole, mesmo em meio a constantes controvérsias.

O grafite evoluiu e abriu espaço para diversas manifestações artísticas na cidade. Mas afinal, qual é a cara da arte urbana paulistana em pleno 2013? A resposta é mais ampla do que se pensa. Abaixo, vou pincelar alguns caminhos que vem sendo observados. Os comentários estão abertos para você ajudar a construir esse mapeamento. ;)

Arte urbana é atração turística

Quem visita São Paulo em busca dos melhores museus e galerias do país, inevitavelmente coloca as ruas no mapa das artes. Muitos hotéis promovem city tours especializados em grafite, que passam por locais como o Beco do Batman. Alguns chegam a cobrar quase R$400 pelo passeio de 3 horas.

Arte urbana ainda é assunto confuso para os políticos

Apesar de iniciativas muito positivas, como a criação do MAAU-SP (Museu Aberto de Arte Urbana de São Paulo) e a legalização das manifestações artísticas em locais públicos sem necessidade de licença, a prefeitura continua apagando muita street art por aí, como aconteceu recentemente com uma obra dos Gêmeos.

Arte urbana é feita na própria estrutura

O uso da própria estrutura como matéria-prima para a obra é a técnica utilizada por muitos dos nomes mais promissores da arte urbana dos últimos anos.

Alexandre Farto, também conhecido como Vhils, esculpe rostos em muros, portas e paredes através da escavação destas superfícies.

Outro exemplo é Alexandre Orion, que usa a poluição e a fuligem dos carros para dar vida aos seus desenhos.

Arte urbana vai além da parede

Não é por falta de parede que a arte urbana deixará de acontecer. Artistas exploram outras plataformas e superfícies, como é o caso de Mark Jenkins. Fita adesiva é o material usado em suas esculturas, espalhadas por diversas cidades do mundo além de São Paulo.

Os bueiros pintados pela dupla 6eMeia ganharam fama mundial e já viraram exposição na Choque Cultural.

Arte urbana é intervenção no cotidiano

Eduardo Srur é um dos artistas mais conceituados atuantes no território urbano paulistano. Garrafas PETs gigantes no rio Tietê, barracas de camping penduradas em edifícios, caiaques sobre as águas poluídas do rio Pinheiros… Difícil alguém que ainda não tenha esbarrado em alguma de suas obras pela cidade. A carruagem na Ponte Estaiada da Marginal Pinheiros compara a velocidade média de deslocamento de um carro e a velocidade de uma carruagem nos tempos do Império: ambos movimentam-se a 20 quilômetros por hora.

O coletivo Aqui Bate um Coração colocou corações em mais de quarenta estátuas de São Paulo, com a intenção de trazer mais amor e reflexão sobre o comportamento nos centros urbanos. Este mesmo grupo adesivou mais de 200 relógios da cidade com cartazes dizendo “aqui o tempo parou”.

Arte urbana reconhece seus pioneiros

A arte de rua se vê cada vez mais dentro das galerias. Alex Vallauri, um dos pioneiros no Brasil, está em exposição atualmente no MAM. Seus grafites foram espalhados em diversos locais de São Paulo nos anos 1970 e 1980.

A galeria virtual do Google, que possibilita um super zoom em obras célebres da história da arte, conta com quase 200 grafites de São Paulo em seu “acervo”.

Galerias paulistanas de arte urbana, como a A7MA, são presença obrigatória em feiras importantes no exterior.

O mural com o rosto de Oscar Niemeyer, realizado por Eduardo Kobra, repercutiu no mundo todo e foi amplamente divulgado nas redes sociais, desde sua construção até a finalização da obra.

Arte urbana inspira “sobrearte”

A exposição “Novo Olhar Urbano”, na A7MA, reúne artistas que registram a arte urbana  através da fotografia. É uma prática que vem assumindo um segundo caráter de arte, uma espécie de “sobrearte”: imagens que vão além do papel de documentar, e carregam uma alta dose de expressão pessoal.

A artista americana Jessica Hess se inspira na arte de rua de São Paulo e de outras cidades para reproduzir obras urbanas em suas telas. Realistas, as pinturas são feitas com tinta óleo ou guache.

O britânico INSA criou gifs animados de street art. A ideia era promover o álbum de Atoms for Peace, banda de Thom Yorke.

Arte urbana é catalogada coletivamente

Instagrafite é um projeto no Instagram que funciona como uma grande galeria virtual de street art. O conteúdo é gerado pelos usuários: seguidores são convidados a utilizar a hashtag #instagrafite em seus achados pelas ruas.

A Folha de São Paulo convoca seus leitores a enviar imagens de arte urbana para ilustrar edições da revista sãopaulo, que acompanha o jornal aos sábados.

Lançado recentemente, o Color+City é uma plataforma online na qual o dono de um muro livre pode oferecer o espaço para um artista pintar. No site, são catalogadas as obras já executadas.

A marca de papel higiênico Personal desenvolveu a campanha Movimento Papel do Cidadão, uma campanha onde os paulistanos puderam sugerir locais feios da cidade que poderiam ganhar o trato de um time de grafiteiros.

Arte urbana está cheia de amor pra dar

Desde sua origem, a arte urbana sempre esteve muito associada à revolta. De uns anos pra cá, o protesto rancoroso deu espaço a manifestações de amor e de humor, sem nunca perder seu tom provocador.

Nas eleições do ano passado, o Cavalete Parade tirou um sarro da propaganda política irregular nas ruas. A ideia foi “pegar emprestado” um cavalete e fazer uma intervenção artística por cima. Uma semana antes da eleição, rolou uma exposição na avenida Paulista.

O Coletivo Oitentaedois espalhou letras do alfabeto pelos muros de São Paulo, em forma de movimentos de break-dance. ”Surgiu a ideia de criar uma espécie de jogo, onde a descoberta de algumas letras leve à procura e interação com as outras, chamando atenção para a dança de rua”, diz Caio Yuzo, autor do projeto.

O vjsuave, duo composto por Ygor Marotta e Cecilia Soloaga, explora recursos como video mapping, live painting e moving projection para disseminar mensagens de amor pelas ruas.

O projeto As Ruas Falam reúne frases e desabafos fotografados em espaços urbanos de São Paulo e outras cidades. Todos podem enviar contribuições usando a hashtag #asruasfalam no Instagram.

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Comportamento, Goody
14 de maio de 2013 por andre

SP e a apropriação da cidade

São Paulo sempre foi uma cidade árida para seus habitantes, repleta de não-lugares como rodovias e edificações no lugar de praças e espaços de convívio, um ambiente mais lembrado por seus carros do que pelo seu povo. No entanto, nos últimos anos a metrópole tem vivido um grande movimento de apropriação da cidade. Festivais, manifestações, debates e outros eventos têm sido criados com o objetivo de estimular as pessoas a interagir, modificar e redescobrir, uma vontade coletiva de transformar a relação entre pessoas e espaço urbano.

foto Danilo Verpa/Folhapress

Em primeiro lugar, é impressionante como o povo historicamente passivo e de baixa participação política que somos é quem vem impulsionando esta mudança. Em segundo lugar, o mais instigante é que tudo isso tem acontecido por meio de um novo jeito de agir. No lugar de um tom excessivamente sério ou violento, as pessoas escolheram a descontração, criando atos que mais parecem festas do que protestos.

foto Victor Moriyama / Folhapress

Se os crews de Grafitti deram o primeiro passo nessa direção, hoje vemos bikers e skatistas por toda a cidade, além de manifestações maiores como o Existe Amor em SP, Festival Baixo Centro, Ocupa Largo da Batata, feiras gastronômicas de rua como o Mercado e, principalmente, a Virada Cultural. Dessa forma, aos poucos as ruas se tornaram espaço para conviver, aprender e até dançar.

Esse movimento também se materializa em pequenos gestos como o Microrroteiros da Cidade, projeto para espalhar a poesia e a imaginação pelo cotidiano das pessoas através de cartazes com cenas bem curtas, pequenos roteiros de até 140 caracteres. Claro que esse é um movimento que não é restrito a SP. Exemplo claro é o Que Ônibus Passa Aqui?, projeto com o objetivo de colar adesivos em pontos de ônibus para informar as linhas que passam em cada uma deles. Simples e efetivo.

foto: ultimosegundo

Ou mesmo a Revolução dos Porcos, projeto colaborativo iniciado pela itsNOON em 2012 para incentivar os habitantes de São Paulo a gerar ideias para melhorar a vida na cidade.

O que une essas manifestações, das grandes iniciativas aos pequenos gestos, é o desejo que paira no ar por explorar, modificar e até hackear a cidade. Alinhado ao poder da tecnologia, esse desejo gera uma nova energia social que, mesmo que não passe de clicktivismo [ou ativismo de Facebook] em grande parte dos casos, tem o poder de transformar o nosso cotidiano. Nesse senttido, temos duas ótimas notícias: ainda há muito o que fazer e pequenas ideias podem surtir grandes impactos nessa cidade que tem finalmente encontrado um espírito de equipe. Ainda não somos 11 milhões de agentes, mas quem sabe não chegamos lá?!

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