Categoria: Comportamento

Comportamento, Ponto e Vírgula, Tops
16 de maio de 2014 por Carla Mayumi

Jovens + Política + Sonhos

Post Mágico

Quais são os sentimentos que vêm à sua cabeça quando você ouve a palavra “política”? É isso que a gente também quer saber.

Desde 2011 estamos aprofundando olhar sobre o jovem brasileiro e sua relação com o Brasil, buscando entender o jovem como um ser social e como o “espírito do tempo” que estamos vivendo. Quando aconteceram as manifestações na maior parte do Brasil em junho do ano passado, um sentimento novo se manifestou e nós ficamos inquietos com os pontos de interrogação que pipocaram por aí e também nas nossas cabeças. O que tudo isso quis dizer? O que a juventude brasileira quer dizer quando levanta cartazes dizendo que “saiu do Facebook” ou que “isso não me representa”? Qual o legado das manifestações nas mentes jovens que lá estiveram?

A geração protagonista, do “vai lá e faz”, deu sinais de que é, sim, um ser político. Mas o que mais está por trás dessa era onde o mundo todo está se expressando a favor de mudanças?

Acreditamos que está mais do que na hora de se falar sobre Jovens + Política + Sonhos. Motivados pela inquietude e pela responsabilidade que sentimos como empresa que se propõe a entender o jovem, lançamos o Sonho Brasileiro da Política. Uma pesquisa que tem suas origens em 2011, com o primeiro estudo Sonho Brasileiro.

Desde outubro trabalhamos no desenho do novo projeto e na captação de recursos para que o projeto seja bancado 100% por pessoas físicas. Colocamos o time em campo em janeiro para a realização desse novo projeto, mesmo sem ter levantado todo o dinheiro que precisamos para a realização do projeto.

Uma pesquisa nacional, suprapartidária e sem fins lucrativos, o Sonho Brasileiro da Política terá todo o seu resultado disponível publicamente e acessível de forma simples e direta. Nosso objetivo é contribuir para o debate político, disseminando as ideias e ações dos jovens. Nossa fase qualitativa já passou por Belém, Belo Horizonte, Brasília, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro e São Paulo. Você já pode ter um gostinho de nossas viagens no blog sonhobrasileirodapolitica.com.br.

Ainda temos muita estrada e trabalho pela frente. Se você, como a gente, deseja ver uma nova pesquisa no ar ainda em setembro desse ano, faça parte desse movimento. Qualquer pessoa pode colaborar – os valores vão de R$ 10,00 a R$ 5.000,00 – e receber algo em troca além da pesquisa.

Nossa campanha de financiamento coletivo está no Catarse e quer arrecadar R$ 200 mil reais (a maior meta da plataforma até hoje!). O projeto todo custa R$ 800 mil e até agora conseguimos captar aproximadamente R$ 550 mil, apenas com doações de pessoas físicas. Sabemos que é um valor alto, e mesmo assim não estamos tendo lucro algum! Tudo isso serve para custear a pesquisa. Os R$ 200 mil servem para darmos mais corpo à fase quantitativa, lançarmos uma plataforma online para disseminação dos resultados e ajudar com os custos da pesquisa qualitativa. Destes R$ 200 mil, parte tem uma destinação para os custos financeiros do Catarse e parte vai para pagar a produção e envio das contrapartidas dos apoios.

 

Para tratar de política, precisamos de uma isenção que só é possível com um financiamento independente. Além disso, o Catarse é mais do que uma ferramenta de viabilização de projeto, é um reflexo do que acreditamos: participação, transparência e colaboração. Apoie, compartilhe, faça parte do Sonho Brasileiro da Política. A gente conta com o envolvimento do jovem brasileiro nessa causa que é de todos: a ressignificação da nossa política.

Outras leituras:

Acompanhe nosso blog para saber das histórias que colhemos em campo. Algumas já estão lá:

Hacker Lab: paredes rabiscadas, post-its  e a cultura hacker quebram a monotonia dentro da Câmara dos Deputados.

Meu Rio: cidadãos conectados fazendo a diferença em políticas públicas locais com alguns cliques e muita mobilização.

 

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Comportamento, Tecnologia
25 de março de 2014 por Carla Mayumi

A Internet que queremos — você já pensou nisso?

Os 25 anos da World Wide Web e a relevância deste aniversário

Em 12 de março de 1989 nascia esta que é a ferramenta mais importante da Internet – nada menos que o www que você digita antes de qualquer coisa que coloca em um browser.

Você já parou pra pensar que a Internet ainda é o espaço mais aberto, neutro e democrático que temos? Aqui na Web, essa que você está usando para ler esse post e fazer tantas outras coisas, a informação gerada e lida pelas pessoas se organiza de forma espontânea e orgânica. Eu escrevo, tenho esse endereço, você lê e faz o que quiser com isso. Dá um like, compartilha, manda pra alguém, guarda pra ler depois, assiste aos vídeos, não assiste, copia e cola um pedaço do texto, enfim… são muitas as possibilidades.

Esse é o nosso canal e pertence às pessoas; é seu e meu. A World Wide Web talvez seja a única tecnologia que já nasceu popular e dando poder às pessoas. Outras tecnologias que transformaram a sociedade nasceram inacessíveis para o cidadão comum. Algumas começaram como “luxos”, só a elite podia comprar e apenas depois isso chegava em todas as classes sociais – é o caso do carro. Algumas começaram no universo acadêmico, no governo, em instituições com poder econômico – como o próprio computador.

Minha querida World Wide Web nasceu distribuída e sendo “de graça”. Mesmo lá no comecinho quando isso tudo ainda era um bebê, você acessava o endereço de um portal e tinha acesso a notícias. Clicava em um site de uma loja e tinha informações sobre seus produtos. Mesmo com apenas 25% da população global tendo acesso à Internet, ela está lá e teoricamente pode ser usada por qualquer um.

Quem criou a World Wide Web foi o cientista britânico Sir Tim Berners-Lee. Como fã dele que sempre fui, nem acreditei quando vi que teria a oportunidade de vê-lo falando ao vivo, dois dias antes do “aniversário”. Isso aconteceu no evento de tecnologia onde eu estava, o SXSW. Em sua palestra, que foi — claro — sobre o aniversário do “filhote”, ele fez alguns pedidos para todos. Sim, para todos: para mim e para você que me lê.

Antes de entrar no pedido do “pai da Internet”, vale saber um pouco mais sobre ele: Berners-Lee podia facilmente ter sido um dos milionários da grande rede. Podia ter criado algo que tivéssemos que pagar para usar. Mas ele nos presenteou com a tecnologia que nos abre um universo incrível de informações a um clique.

“No coração da Web está o link, representado por uma sequência banal de letras, aquelas que começam com http://. Quando linkamos a informação na Web, temos a capacidade de descobrir fatos, ter ideias, comprar e vender, e criar relacionamentos em uma velocidade e escala inimagináveis na era analógica. Estas conexões transformam eleições presidenciais, derrubam governos autoritários, dão força a grandes negócios e enriquecem nossas redes sociais.” (Tim Berners-Lee)

Na chegada da World Wide Web à vida adulta, o pedido de Sir Tim Berners-Lee me tocou fortemente. Me sinto na responsabilidade de reproduzi-lo aqui e pedir que todo mundo que eu conheço faça o mesmo, pelo futuro da Internet:

O alerta faz referência à forma como poderes estabelecidos estão tentando manter e expandir seus territórios de dominação a partir da Web. Ele fala para lutarmos pela Internet que queremos e propõe algumas visões do que pode defini-la como o que queremos para seu futuro: como forma de livre expressão (sem censura), acessível, universal, aberta, neutra (sem controles comerciais), com a privacidade controlada pelo indivíduo e inovadora. Segundo ele, sem estas características a Internet deixa de estar nas nossas mãos e passa a ser ainda mais controlada por poderes políticos e econômicos, de tal forma que pode mudar sua neutralidade e participação, afetando diretamente a relação das pessoas com a Web. Isso é sério, muito sério. Se essa relação mudar, vai ser muito mais difícil termos transparência de dados, evoluir a democracia, ter acesso rápido a evoluções científicas, viver conectados em comunidades e incentivar a diversidade cultural.

O idioma inglês tem uma expressão intraduzível que exprime muito bem a forma como vemos a Internet: to take for granted. Vemos a Internet como algo garantido, que está ali e sempre estará. A advertência que está no ar é que a coisa não é bem assim – pois talvez amanhã ela não esteja. Sinceramente, me arrepia pensar nisso.

Depois de ver Tim Berners-Lee, saí da sala emocionada, pensando nisso tudo e com a cabeça a mil em função de outras duas personalidades que falaram no SXSW: Julian Assange e Edward Snowden. Ambos falaram ao vivo dos lugares onde estão — Assange exilado no Equador, Snowden na Rússia. O vídeo de uma hora da entrevista virtual com Snowden pode ser assistida neste vídeo. O blog Inside fez a incrível tarefa de transcrever toda a entrevista (em inglês — quem sabe algum brasileiro ajuda a transcrever para o português, hein?).

Mas as reflexões não pararam aí. Ainda no SXSW, fui assistir ao filme sobre a vida de Aaron Swartz (The Internet’s Own Boy — The Story of Aaron Swartz), que foi financiado coletivamente e produzido em uma velocidade incrível após a sua morte.

Aaron Swartz suicidou-se aos 26 anos, em janeiro de 2013. Estava sendo julgado e corria o risco de ser condenado a mais de 30 anos de prisão e ter de pagar até 4 milhões de dólares. Seu crime: baixar arquivos de artigos acadêmicos que eram comercializados por uma empresa privada.

Mas quem foi Aaron Swartz? Considerado um gênio hacker, ativista político e defensor de dados abertos, a trajetória dele começou cedo. Com 14 anos, colaborou com um projeto que criou a especificação do RSS, que permite uma atualização automática de informações. Ele participava do grupo de forma virtual e ninguém sabia que tinha apenas 14 anos. Quando revelou-se, foi difícil para o grupo acreditar que toda a contribuição na programação daquele código tinha sido feita por um menino. A partir daí, o garoto-prodígio alçou grande vôos, como era para ser: ajudou Lawrence Lessig com a arquitetura do seu então projeto Creative Commons, que atualmente pauta a forma como se encara o direito autoral na Internet. Além disso, trabalhou com o próprio Tim Berners-Lee no World Web Consortium e no MIT.

A jornada de Aaron seguiu com a dedicação ao projeto The Info, que facilita a busca de arquivos disponíveis mas muito difíceis de acessar, como documentos arquivados de processos judiciais. Foi um dos fundadores do Reddit, uma rede social onde as pessoas publicam notícias que estão lendo na Web. Em 2012, foi um grande ativista nos protestos contra o SOPA/PIPA. Ou seja, tudo que ele construiu está ligado à forma como consumimos informação – sua luta em diferentes frentes era para que dados fossem abertos e livres. Aqui tem um trechinho do filme que fala dessa parte da vida de Aaron:

É a partir daí que a história começa a complicar. Aaron revoltou-se quando descobriu que muito do conteúdo valioso sendo produzido nas universidades era comercializado e as pessoas não podiam ter acesso a ele sem gastar uma quantia considerável de dinheiro. Para ele isso não podia ser assim. No seu Guerilla Open Access Manifesto, já havia declarado:

“There is no justice in following unjust laws. It’s time to come into the light and, in the grand tradition of civil disobedience, declare our opposition to this private theft of public culture.” (Não há justiça em se seguir leis injustas. É hora de fazer vir a luz e na grande tradição da desobediência civil, declarar nossa oposição a este roubo privado da cultura pública)

Ele resolveu hackear o sistema do JSTOR, um site que comercializa artigos acadêmicos. Não conseguia aceitar que aquele tipo de conteúdo fosse pago. Baixou milhares de arquivos, mas o sistema de segurança da Jstor detectou o download dos arquivos e bloqueou o IP, e então Aaron mudou sua tática. Ligou seu computador diretamente na rede do MIT (universidade dedicada à pesquisa ligada a tecnologia) durante alguns dias e o deixou ali, baixando os arquivos. A universidade encontrou o laptop e instalou uma câmera na salinha para flagrar quem estava por trás da ação hacker. Alguns dias depois, Aaron foi preso. Os arquivos nunca saíram do seu computador e foram devolvidos ao MIT.

O filme conta toda a história com uma visão bem crítica. Aaron Swartz é considerado pela maioria dos pensadores da Internet – alguns bem importantes como o próprio Lessig e Berners-Lee – um grande herói do ativismo da Web e dos dados abertos. Muitas questões são abordadas no filme: por que o MIT não imediatamente capturou o laptop de Aaron mas esperou alguns dias até ele aparecer e ser flagrado pela câmera? Por que o governo americano, através do FBI, deu tanta atenção ao caso, já que Aaron não chegou a fazer uso dos dados que estava baixando? Por que o caso seguiu mesmo depois da Jstor ter retirado suas queixas e o MIT nunca ter solicitado que houvesse uma investigacão criminal? Por que o MIT nunca se pronunciou durante o processo, ainda mais por ser uma instituição que prega a favor dos dados abertos?

Assim, fascinada e um pouco em choque com toda essa informação é que me foi caindo a ficha. Acredito que estamos vivendo uma revolução silenciosa de proporções gigantescas, que se dá em lugares fechados em frente aos computadores. Com diz uma amiga, me senti “vivendo a história ao vivo”, pois quando olhei à minha volta percebi o que estava presenciando: um evento com o clamor de um dos inventores da Internet mais Snowden, Assange, Swartz. Os três últimos são mártires dessa revolução silenciosa. Cada um do seu jeito e em diferentes cenários, contextos e dimensões, eles estão a favor de uma mesma causa, a da Internet livre, aberta, transparante, não-comercial e sem censura. A mesma causa de Sir Tim Berners-Lee. Temos algo grande aí, não?

Por acreditar que essa causa deveria ser de todos é que escrevo este post e compartilho o pedido de Berners-Lee, e faço questão de deixar a versão original em inglês:

“Millions of people together have made the Web great. So, during the Web’s 25th birthday year in 2014, millions of people can secure the Web’s future. We must not let anybody – governments, companies or individuals – take away or try to control the precious space we’ve gained on the Web to create, communicate, and collaborate freely.” (Milhões de pessoas juntas fizeram uma grande Web. Então, durante seu aniversário de 25 anos em 2014, milhões de pessoas precisam assegurar o futuro da Web.)

Novas questões estruturais começam a surgir: será que não é hora de uma declaração universal de direito à Internet? Nossos políticos e advogados nasceram na era pré-Internet ou na transição do analógico para o digital. Será que eles têm consciência e conhecimento do que é de fato a Internet para estarem decidindo e julgando sobre ela? Termino com mais essa frase:

“Precisamos que nossos advogados e políticos entendam de programação, entendam o que se pode fazer com um computador. Também precisamos revisitar muito da estrutura legal, leis de direito autoral – as leis que colocam as pessoas na prisão que foram criadas para proteger os produtores de filmes… Nada disso foi criado para preservar o debate entre indivíduos nem a democracia que precisamos para governar o país.” (Tim Berners-Lee)

Outras leituras e referências:

O livro Hacking Politics fala sobre como ativistas conseguiram fazer com que o projeto da SOPA não fosse aprovado

Guerilla Open Access Manifesto, de Aaron Swartz

Carta endereçada ao Presidente do MIT por um grupo de trabalho da universidade que estudou a participação do MIT durante o processo criminal conduzido contra Swartz

Matéria sobre a caminhada que Lawrence Lessig realizou em janeiro de 2014. Foram 120 quilômetros enfrentando mais de 20 dias de chuva e neve em memória de Aaron e pela transparência de dados e reforma política nos Estados Unidos. “The only way we’re ever going to get fundamental reform is if we can inspire presidential candidates to make this a central — maybe the central issue — that they want to talk about” disse ele em entrevista ao Huffington Post.

Texto de 2012 do Baixa Cultura que já levantava a questão da internet livre.

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Comportamento
12 de setembro de 2013 por nina

Pegadinha 2.0

Lembram da garota americana que ficou famosa por seu twerk ON FIRE?

Ok. E se eu te contar que o vídeo era fake? Foram mais de 11 milhões de views para o vídeo da dançarina amadora “Caitlin Heller” que não é real e que, portanto, não foi um acidente. A estrela do “Worst Twerk Fail EVER – Girl Catches Fire!” é uma dublê cujo nome verdadeiro é Daphne Avalon.

A mente por trás do vídeo? O apresentador Jimmy Kimmel, que revelou a farsa na segunda-feira, um plano que pegou a Internet toda de surpresa:

Com um timming friamente calculado, o vídeo do “acidente” foi lançado logo após a polêmica perfórmance de Miley Cyrus no MTV Video Music Awards. Tudo planejado para que o vídeo parecesse o mais verídico possível. Depois de revelada a genial farsa, muitos americanos se revoltaram nas redes sociais por terem sido “enganados”. Quem não se lembra do famoso viral-fake “Perdi Meu Amor Na Balada”? Jimmy Kimmel se pronunciou a respeito:

 

As velhas pegadinhas da TV, que mostravam cenas de pessoas sendo enganadas nas ruas, evoluíram. Agora as pegadinhas tem o poder de atingir milhares, até milhões de pessoas. E a Internet envolve todo o mundo, literalmente – o que deixa tudo ainda mais engraçado.

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Comportamento
07 de agosto de 2013 por marimessias

Leve-me pra sair

Leve-me pra sair é um documentário do Coletivo Lumika, sobre um grupo de adolescentes gays de São Paulo e suas visões de mundo.

É bem legal e foi uma indicação foi do José Agripino, lá no grupo da Box no Facebook.

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Comportamento, Tecnologia
06 de agosto de 2013 por marimessias

Smartificial

Vivemos em um mundo onde gadgets são, cada vez mais, uma espécie de extensão dos nossos corpos e mentes. Por isso, parece apenas inevitável vislumbrar futuros onde seremos, mesmo, apenas um com a tecnologia.

E o grande agente dessa transformação talvez seja a necessidade de antecipação de informações, que se desenrola na produção e consumo de conteúdo que acontece o tempo todo, em todos os lugares.

Todo esse fluxo e ritmo aparecem ditados por uma tecnologia que alia suas preocupações com o mundo com informações sobre o hiperlocal, de forma que eu possa estar – e saber – sobre tudo sempre.

O inebriante sabor da onipresença é um poderoso reflexo da tendência SMARTIFICIAL.

Nela, sensores e conteúdo geolocalizável são vetores de uma sociedade mais inteligente, e “the Internet of things” tornará possível prover conteúdo relevante para cada situação e necessidade a ser vivida.

Esse crescente interesse pelo controle das realidades que vivemos é o que impulsiona exemplos como as camisetas da OMsignal, capazes de monitorar respiração, movimentação e taxas cardíacas. As camisetas enviam esses dados para aplicativos que cuidam da saúde de quem as veste, alertando sobre possível stress, desgaste e até alterações de humor.

Outro gadget que ajuda a cuidar da saúde, além de apresentar recursos mais básicos de um smartphone, é o Emopulse. Um tipo de relógio/bracelete que permite enviar e receber ligações e mensagens, usar internet e, claro, monitorar os níveis de stress e relaxamento.

SEXYFICIAL

O mais curioso de Smartificial talvez seja sua captação extremamente rápida pelo mercado erótico. Curioso, mas previsível, né, já que diz respeito ao corpo. E sexo está diretamente ligado a saúde do corpo, mais ou menos como o pessoal do PSIgasm defende.

Um bom exemplo de como Sexyficial é uma demanda real é o smart vibrator Vibease. O Vibease é um projeto do Indie Go Go que já superou em quase quatro vezes o valor pedido (e o tempo ainda nem terminou)! Mais que apenas um vibrador controlado por um aplicativo, o Vibease cria um tipo de atmosfera, com histórias temáticas.

Além disso, a possibilidade de controlar por um aplicativo tem agradado aos casais que tem relacionamento a distância.

Outra iniciativa que tem chamado a atenção dos casais que não moram na mesma cidade são as roupas intimas controladas por smartphone, criadas pela Durex. As peças tem sensores estratégicos, também controlados por smartphones.

E pra provar que não está brincando, a marca fez um tipo de test drive em vídeo, vê aí:

Mas, calma. Isso é só o começo.

Já existem coisas como o primeiro filme pornô onde a estrela é o Google Glass. E isso que o filme tem no elenco ninguém menos que o James Deen e a Andy San Dimas, e foi apoiado pela MiKandi, a maior app store para adultos (esses eufemismos).

O vídeo é super engraçado, mas a vibe é mais ou menos como no Crash, aquele filme do Cronenberg. Os recursos como reconhecimento facil (ou até aprovação de perfomance) são apenas um detalhe para a possibilidade de criação de uma realidade virtual pornô, como o PSFK chama atenção. Isso permitiria que uma pessoa fizesse sexo com uma pessoa que ela sempre quis fazer, mas que nunca rolaria (no caso de 90% das mulheres que eu conheço, essa pessoa seria o James Deen, mesmo).

Enfim, se tu quiser saber mais, vale ler o artigo do Medium: “I Banged James Deen #ThroughGlass” ou ver o vídeo.

 

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Comportamento, Design
05 de agosto de 2013 por gabriela

O branding das construtoras e nossas cidades

Nossas cidades dizem quem somos. Nossos valores, atitudes e estilos de vida definem e são definidos pela estrutura urbana. Não é de se surpreender que muitas tentativas de solucionar problemas sociais frequentemente analisam e propõe mudanças urbanísticas, como é o caso das primeiras e mais emblemáticas mudanças urbanas: a Paris de Haussman e a Nova York de Moses.

As manifestações pelo país não exigem apenas um transporte público justo e eficiente, demonstram também uma nova atitude da população em relação às ruas. Nunca se falou tanto em ocupar a cidade e isso reflete a transferência da abordagem urbanística progressista e culturalista para um urbanismo que pensa em escala humana, algo mais próximo das ideias de Jane Jacobs. Ela escreveu o conhecido Morte e Vida das Grandes Cidades (1961) criticando o modelo urbano americano dos anos 50.

 

Se a imagem da cidade ideal se assemelhava à Brasília em larga escala com funções delimitadas por áreas ou, posteriormente, a um condomínio fechado, onde estas funções se limitam a uma elite, hoje a utopia de cidade pensa em escala humana: sonha com pessoas na rua e não confinadas no espaço privado. Pensa em bairros que abrigam diferentes tipos de construções com diferentes funções para que as ruas tenham sempre olhos a vigiando, cria condições propícias para que a rua não seja apenas um espaço de passagem, mas um lugar de convivência.

O branding de muitas construtoras se atenta a essa corrente de pensamento. É comum ver grandes obras imobiliárias ostentando uma identidade que se apropria de códigos das ruas para conversar com este novo momento: o grafitti, a celebração da cidade, etc.

Neste cenário de conscientização sobre o espaço que vivemos, clamamos a ocupação do espaço público. Mas como fazemos isso? Não é qualquer ocupação que se alinha com as ideias de Jacobs, privilegiando as pessoas e pensando em escala humana. Muito pelo contrário, é necessário atentar-se aos movimentos que surgem neste cenário de transição.

A estética do “ocupar”, que produz imageticamente valores de bem-estar e cidadania são promovidos mesmo quando inexiste uma reflexão mais assertiva sobre a cidade, ou seja, mesmo quando se constrói muito cimento sobre o custo de especulação e desapropriação de famílias.

Sob a máscara festiva que anuncia a ocupação do espaço público, ocorre um fenômeno que Sharon Zukin chamou de “pacificação pelo capuccino”, que significa a marginalização de pessoas e cultura local em detrimento de cultura comercial de classe média. É o caso de muitos imóveis que surgem hoje na região da Rua Augusta em São Paulo, por exemplo.

Mais do que nunca, vemos construtoras se apropriando de códigos das ruas em seu branding e tentando se aproximar do público jovem que é familiarizado quase que por inercia com os ideais de Jacobs. Parecem assim se alinhar com o momento atual, porém, essa “ocupação” frequentemente vem desprovida de qualquer reflexão sobre seus impactos futuros.

O branding de muitas empresas pode absorver o espírito de ocupação, mas é preciso atentar se essa ocupação garante o direito das pessoas à cidade ou justamente o contrário. Se essa estética apenas anuncia a criação de condições para a rua como espaço de convivência ou se, na verdade, ela massacra essa possibilidade, tornando aquele espaço ideal restrito apenas no imóvel que ela vende.

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Comportamento, Design
15 de julho de 2013 por marimessias

Banco com vibe de restaurante

Chianti Banca se uniu aos designers da DINN! para criar uma ambientação que evocasse o espírito de um restaurante da Toscana. Nada de diferente, até aí, não fosse Chianti Banca um dos maiores bancos de crédito cooperativo na Itália (e o maior da região da… Toscana!)

A ideia deles foi criar um ambiente menos tenso, capaz de estimular confiança e intimidade, sem perder a identidade mega informal, característica do país. Pra isso, eles investiram nos materiais naturais e numa paleta de cores reconfortantes.

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Comportamento
05 de julho de 2013 por pontoeletronico

I Love XV

Estamos cada vez mais preocupados com nosso entorno, tomando atitudes de mudança, ajudando a transformar o ambiente urbano e vivendo uma relação mais próxima com nossas cidades e bairros. A onda de manifestações só intensificou a ideia de que a rua é cenário de debates e trocas culturais.

E o skate tem mudado o Rio, ajudando na conexão de diversas áreas da cidade que hoje dão forma a uma cartografia diferente, sendo o Parque de Madureira um grande marco dessa transformação. E se esse movimento de integração tem um coração, ele é a XV, lugar onde está a essência do skate no Rio.

Depois de passar por obras feitas pela prefeitura, em 1997, a Praça XV, ponto histórico e cultural no centro da cidade, foi revitalizada e ganhou vida graças a uma turma que elegeu a praça como ponto de encontro. A arquitetura do lugar convidava os skatistas a explorarem o espaço, até que em 1999 o skate foi proibido na praça.

Foram 12 anos até a anulação do decreto proibitivo para que, enfim, pudessem voltar a usar e subverter o espaço público que é a  XV.

Acreditando no poder da união e amplificando essa voz das ruas – nesse caso da praça – foi criado o ILOVEXV, coletivo de skateboarders que zelam por um dos mais emblemáticos espaço da cidade.

O I love XV promove debates e eventos para pensar e propagar a cultura skateboard na cidade através da expressão da sua arte, lifestyle e conscientização política e cidadã, participando ativa e democraticamente da cidade.

E o coletivo realiza anualmente um evento que une skate, arte, música e muita diversão. A skateata, em sua sexta edição, tem como princípio reforçar o papel da praça em ser um lugar de expressão popular e política, de forma democrática.

Nesse domingo, acontece mais um skateboarding day por uma cidade mais skatável, partindo da Praça Jardim do Morro Valongo, às 10h, em direção a XV. Lá na praça ainda oficinas, exposições, shows e bazar.

Iniciativas como essa propõem uma integração da cidade e um olhar diferente e cuidadoso com a rua, espaço que é, na verdade, a nossa casa. Mais do que isso, essas iniciativas nos convidam a olhar ao nosso redor e pensar em apropriações do espaço urbano.

Go Skateboarding day acontece nesse domingo.

(o texto é uma colaboração/convite da Carol Althaller, direto do Rio de Janeiro)

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Comportamento
01 de julho de 2013 por marimessias

Cartografia Afetiva das Manifestações

Está no ar o resultado da Cartografia Afetiva criada pela Talk Inc. A pesquisa perguntou quais emoções e sentimentos estavam ligados às manifestações que começaram com o Movimento Passe Livre e, posteriormente, tomaram o país de maneira mais diversa.

A ideia da Cartografia Afetiva não é formar uma opinião mas fomentar a discussão. Não existe o jeito certo de ler esse mapa, alimentado por notícias, opiniões em blogs, videos e vozes de especialistas.

A riqueza disso tudo é que esse momento do país fez a mente sentir e o coração refletir, comprovando que apatia não combina conosco!

 

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Comportamento
26 de junho de 2013 por Firpo

Aprendiz de Buda: Compaixão de ativista

É fácil passar do ativismo para o fundamentalismo: o ego sempre dá um empurrãozinho.

As manifestações têm sido o grande tema do país nas últimas semanas. A grosso modo, começaram pacíficas, foram recebidas com violência policial, ganharam corpo justamente pela indignação gerada e então chegaram numa espécie de encruzilhada moral: quanto mais cresciam, mais atraíam oportunistas, gente disposta a depredar e saquear só pelos atos em si.

Descontando as pessoas que buscaram o caminho da violência como revide ou só porque perderam o controle em meio ao caos, queria escrever aqui sobre aquelas que já entram na coisa toda com a disposição errada. Para isso, o meu instrumento vai ser um troço de 2.500 anos chamado budismo*.

É preciso endurecer sem perder a ternura, dizia o outro. Não sei até que ponto a vida dele realmente espelhou essa frase, mas ela é muito boa. Endurecer é não se dobrar, é resistir, é denunciar e lutar contra a injustiça, sempre. Mas é preciso também não perder a ternura, que vou interpretar aqui como outra palavra: compaixão. Compaixão, na acepção budista, é querer que a outra pessoa supere o sofrimento e seja feliz.

A paixão da luta aqui se transforma em uma compaixão, uma paixão compartilhada que percebe e respeita o outro.

O outro? O policial que joga bombas e dispara tiros de borracha? Esse facínora, esse psicopata, esse criminoso? Sim, claro. No budismo não existe a ideia de um mal absoluto e independente. O que existe é ignorância. Em relação a quê? Em relação à realidade absoluta. E no que ela consiste? Sei que é difícil explicar isso num texto rápido como esse. Desconfio que nem tenho capacidade pra tanto, mas isso não me impediria de tentar: a derradeira verdade é que, neste universo que se dissolve e se recria a cada segundo, não existe separação entre eu e você.

O que existe é a noção equivocada de que somos separados, estanques, permanentes e independentes. É aquela vozinha que está sempre nos dizendo que somos diferentes – melhores ou piores, não importa – de todo o resto. Não somos, mas achamos que somos. O budismo dispensa a ideia de diabo justamente porque o ego cumpre com folga essa função.

Isso nos leva de volta ao nosso policial.

Vai por mim: todo mundo só quer evitar o sofrimento e ser feliz. Todo mundo. Isso vale tanto para o Dalai Lama quanto para o pior dos assassinos em série. O que acontece é que provavelmente o Dalai Lama tem uma visão um pouco mais clara das coisas e por isso age de acordo. O policial que comete abusos no protesto é, segundo essa linha de raciocínio, apenas mais uma pessoa deludida. Não estou sugerindo que ninguém se coloque na trajetória de uma bala de borracha, mas que mantenha a consciência de que quem aperta o gatilho também é uma pessoa. Seria mais fácil odiá-lo se fosse um monstro malvado, mas não é. É uma pessoa mesmo, tão confusa, tão perdida e tão amedrontada quanto qualquer um de nós.

Somos feitos da mesma essência do que aqueles que julgamos serem nossos piores inimigos.

Manifestar-se de forma compassiva é, portanto, simplesmente mais eficiente. É endurecer sem perder a ternura. Ao entender que estamos todos no mesmo barco, praticamos a verdadeira revolução: aquela interna, que nos liberta da pior escravidão de todas, a ilusão sobre a natureza última da realidade. Quando alcançamos e cultivamos essa visão, resolver todo o resto fica bem mais fácil.

*Não sou um professor autorizado do dharma. O objetivo desse texto é apenas chamar a sua atenção para o assunto, para que você pesquise e encontre verdadeiros mestres.

Marcelo Firpo é um aprendiz de Buda.

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